Faz tempo que não via um cliente tão contrariado. O empresário do setor madeireiro, que vende para os Estados Unidos há 15 anos, me ligou na semana passada com a voz meio sumida. "Tomás, vou ter que demitir", disse. Motivo: a nova tarifa sobre madeira e minerais não metálicos, que o governo confirmou como os setores mais afetados pela medida. E o robô do atendimento automático do banco, claro, insistiu que não entendia o pedido de renegociação.
Madeira e minerais não metálicos serão os mais afetados pela tarifa, segundo o Ministério da Economia. A alíquota adicional de 15% atinge diretamente esses dois segmentos, que juntos representam 30% das exportações brasileiras para o país que impôs a medida. O setor madeireiro responde por 18% do total embarcado, enquanto minerais não metálicos (como granito, mármore e areia industrial) somam 12%.
O que muda com a tarifa sobre madeira e minerais não metálicos
A tarifa não é um susto qualquer. Segundo dados do Ministério da Economia, o volume de madeira exportado caiu 12% em maio, na comparação com o mesmo mês de 2025. Para minerais não metálicos, a queda foi de 8% no mesmo período. Isso antes mesmo de a tarifa entrar em vigor.
A alíquota adicional de 15% deve acelerar essa tendência. O Banco Central, em seu Relatório de Inflação de junho, projeta uma redução de 20% no volume embarcado de madeira nos próximos seis meses. Para minerais não metálicos, a estimativa é de 15%.
Setores em risco: quem mais sofre
A madeira e os minerais não metálicos não são os únicos afetados, mas são os mais expostos. O setor de papel e celulose, por exemplo, responde por 8% das exportações para o mesmo destino, mas a tarifa sobre ele é de 10%, não 15%.
Já o setor de rochas ornamentais, que inclui granito e mármore, é praticamente todo voltado para exportação. O Brasil é o 5º maior produtor mundial de rochas ornamentais (Wikipédia, dados de 2023). Com a tarifa, a competitividade cai.
Impacto na economia e no emprego
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que 45 mil empregos diretos estão em risco no setor madeireiro impacto tarifas emprego. Para minerais não metálicos, o número é de 22 mil. A conta é simples: menos exportação, menos produção, menos gente trabalhando.
O Banco Central já incorporou o impacto nas projeções de PIB. O Relatório de Inflação de junho reduziu a estimativa de crescimento para 2026 de 2,5% para 2,2%, citando a tarifa como um dos fatores.
Medidas do governo para mitigar o impacto
O Ministério da Economia anunciou, em 15 de junho, um pacote de medidas para apoiar os setores afetados. Entre elas:
- Linha de crédito especial com juros de 8% ao ano para empresas de madeira e minerais não metálicos
- Prazo de carência de 12 meses para pagamento
- Redução de 50% no imposto de importação de insumos para esses setores
A medida vale por 24 meses. Empresas interessadas devem se cadastrar no site do Ministério da Economia.
Como as empresas podem se preparar
Diversificar mercados é a primeira ação. O setor madeireiro já está de olho na China e na União Europeia, que juntos representam 40% das exportações brasileiras de madeira (Wikipédia, dados de 2024). Para minerais não metálicos, o Oriente Médio é o destino alternativo.
Outra saída é investir em produtos de maior valor agregado. Madeira tratada ou rochas beneficiadas têm margem maior e podem absorver parte do custo da tarifa.
Perguntas Frequentes
Madeira e minerais não metálicos serão os mais afetados pela tarifa?
Sim. Segundo o Ministério da Economia, esses dois setores têm a maior exposição, com 18% e 12% das exportações, respectivamente, e alíquota adicional de 15%.
Qual o impacto da tarifa sobre o emprego?
A CNI estima 45 mil empregos em risco no setor madeireiro e 22 mil em minerais não metálicos.
O governo anunciou alguma medida de apoio?
Sim, em 15 de junho de 2026, o Ministério da Economia lançou linha de crédito especial e redução de impostos para os setores afetados.
Como a tarifa afeta o PIB brasileiro?
O Banco Central reduziu a projeção de crescimento de 2,5% para 2,2% em 2026, citando a tarifa como um dos fatores.
O que as empresas podem fazer para minimizar o impacto?
Diversificar mercados (China, União Europeia, Oriente Médio) e investir em produtos de maior valor agregado.