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Mandante da morte de Marielle Franco, Brazão perde cargo no TCE-RJ

ResumoChiquinho Brazão, apontado como mandante da morte de Marielle Franco, perdeu o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). A decisão foi tomada pelo próprio tribunal após análise de representação, resultando na destituição do conselheiro.

Chiquinho Brazão, apontado como mandante da morte de Marielle Franco, perdeu o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). A decisão foi tomada pelo próprio tribunal, após análise de representação.

Sol Henriques
Mandante da morte de Marielle Franco, Brazão perde cargo no TCE-RJ

Mandante da morte de Marielle Franco, Brazão perde cargo no TCE-RJ — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Mandante da morte de Marielle Franco, Brazão perde cargo no TCE-RJ

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) decidiu pela perda do cargo de Chiquinho Brazão, conselheiro afastado e apontado como um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A decisão foi tomada pelo plenário do tribunal, que acolheu uma representação do Ministério Público de Contas (MPC). O caso corre em segredo de justiça, mas a informação foi divulgada oficialmente na tarde desta quarta-feira (15). A defesa de Brazão pode recorrer da decisão.

Brazão perde cargo no TCE-RJ: entenda a decisão

Chiquinho Brazão, conselheiro do TCE-RJ desde 2015, perdeu o mandato após o plenário do tribunal acolher, por unanimidade, a representação do Ministério Público de Contas (MPC). A representação pedia a perda do cargo com base na quebra de decoro e na incompatibilidade com o exercício da função, diante das acusações de participação no crime. A decisão foi tomada em sessão administrativa, com voto do relator, conselheiro Marcelo Verdini, e acompanhada pelos demais membros.

O que motivou a perda do cargo?

A representação do MPC argumentou que Brazão, ao ser formalmente acusado como mandante do homicídio, tornou-se incompatível com o cargo de conselheiro, que exige conduta ilibada. O tribunal entendeu que a manutenção do conselheiro no cargo, mesmo afastado, comprometeria a imagem e a credibilidade da instituição. A decisão não julga o mérito da acusação criminal, mas sim a adequação do conselheiro ao cargo público.

A defesa de Brazão: próximos passos

A defesa de Chiquinho Brazão informou que vai recorrer da decisão ao próprio TCE-RJ e, posteriormente, ao Poder Judiciário. O argumento principal é que a perda do cargo seria uma punição antecipada, antes do trânsito em julgado de eventual condenação criminal. O caso deve ser analisado pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

O papel do Ministério Público de Contas (MPC)

O Ministério Público de Contas do Rio de Janeiro (MPC-RJ) foi o autor da representação que resultou na perda do cargo de Brazão. O órgão, que atua junto ao TCE-RJ, tem a função de fiscalizar a legalidade e a moralidade dos atos dos gestores públicos e dos próprios conselheiros. A representação foi protocolada após a prisão de Brazão, em março de 2024, e baseou-se na Lei Orgânica do TCE-RJ e na Constituição Estadual.

Brazão e o crime: a acusação de mandante

Chiquinho Brazão, irmão do deputado federal Domingos Brazão, foi preso em março de 2024, acusado pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) de ser um dos mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018. A acusação aponta que o crime teria motivação política, relacionada à atuação de Marielle contra milícias e à regularização fundiária de áreas controladas por grupos paramilitares.

A investigação da Polícia Federal

A Polícia Federal (PF) concluiu, após anos de investigação, que os irmãos Brazão e o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, foram os mandantes do crime. As investigações apontaram que o assassinato foi planejado e executado por milicianos, com o objetivo de silenciar a vereadora. A PF apresentou provas documentais e testemunhais, incluindo delações premiadas.

Repercussão política e social

A decisão do TCE-RJ de cassar o mandato de Brazão foi recebida com reações diversas. Familiares de Marielle Franco e movimentos sociais, como o Instituto Marielle Franco, consideraram a medida um passo importante para a responsabilização dos mandantes. Já setores da oposição política criticaram a decisão, alegando que ela seria uma interferência no devido processo legal. O caso segue gerando debate sobre a separação entre as esferas penal e administrativa.

Perguntas Frequentes

O que significa perder o cargo no TCE-RJ?

Perder o cargo significa que Chiquinho Brazão não pode mais exercer a função de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, nem receber os vencimentos e benefícios do cargo. A decisão é administrativa e não impede que ele recorra judicialmente.

Brazão pode ser preso novamente?

Ele já está preso desde março de 2024, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A perda do cargo no TCE-RJ não altera a situação prisional, que é determinada pela Justiça criminal.

A decisão do TCE-RJ é definitiva?

Não. A defesa de Brazão pode recorrer ao próprio TCE-RJ e ao Poder Judiciário. A decisão final sobre a perda do cargo dependerá do trânsito em julgado de eventual recurso.

Quem é o relator do caso no TCE-RJ?

O relator da representação no TCE-RJ foi o conselheiro Marcelo Verdini, que votou pela perda do cargo de Brazão.

Qual a diferença entre a perda do cargo e a condenação criminal?

A perda do cargo é uma sanção administrativa, baseada na quebra de decoro e na incompatibilidade com a função pública. A condenação criminal é uma decisão judicial, que pode levar à prisão e a outras penas, como a perda de direitos políticos.

Sol Henriques

Editoria Destaques

Sol Henriques cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.