O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que os Estados Unidos não responderam à proposta brasileira para redução de tarifas sobre etanol e açúcar. A declaração foi feita em meio às tratativas para um acordo comercial bilateral, e a ausência de retorno americano levanta dúvidas sobre o futuro das exportações brasileiras.
O MDIC diz que os EUA não responderam à proposta sobre etanol e açúcar, o que pode ser interpretado como um sinal de desinteresse ou de impasse nas negociações. A proposta brasileira, apresentada em 2025, previa a redução gradual das tarifas de importação para ambos os produtos, visando aumentar a competitividade do setor sucroenergético nacional.
Entenda a proposta brasileira
O Brasil propôs um cronograma de redução tarifária para etanol e açúcar, com o objetivo de ampliar o acesso ao mercado americano. Atualmente, os EUA aplicam uma tarifa de US$ 0,54 por galão sobre o etanol brasileiro, além de cotas restritivas para o açúcar. A proposta brasileira sugeria a eliminação gradual dessas barreiras em um período de cinco anos.
Por que os EUA não responderam?
O silêncio americano pode estar relacionado a fatores como a proteção da produção doméstica de etanol de milho e a influência do lobby do setor açucareiro nos EUA. Além disso, o governo americano prioriza negociações com outros parceiros comerciais, como México e Canadá, no âmbito do T-MEC.
Impactos para o setor sucroenergético
A falta de resposta dos EUA à proposta sobre etanol e açúcar preocupa o setor produtivo brasileiro. O Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de açúcar e o segundo maior de etanol, atrás apenas dos EUA. Sem um acordo, as exportações brasileiras podem perder competitividade frente a outros fornecedores.
Etanol: mercado estagnado
As exportações de etanol para os EUA caíram 15% em 2025, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA). A tarifa americana continua sendo o principal entrave, e a ausência de resposta à proposta brasileira indica que o cenário não deve mudar no curto prazo.
Açúcar: cotas insuficientes
As cotas de açúcar concedidas pelos EUA ao Brasil são limitadas a cerca de 150 mil toneladas por ano, muito abaixo da capacidade exportadora brasileira. A proposta brasileira previa o aumento gradual dessas cotas, mas sem retorno americano, o acesso ao mercado continua restrito.
O que esperar das negociações
O MDIC afirma que continuará buscando o diálogo com os EUA, mas não há previsão para uma nova rodada de negociações. Enquanto isso, o Brasil pode buscar alternativas em outros mercados, como a China e a União Europeia, que também são grandes consumidores de açúcar e etanol.
Próximos passos
O governo brasileiro pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar as barreiras americanas, ou intensificar as negociações no âmbito do Mercosul. A falta de resposta dos EUA, no entanto, indica que o caminho para um acordo ainda é longo.
Perguntas Frequentes
Por que os EUA não responderam à proposta do Brasil?
O silêncio americano pode ser atribuído a interesses domésticos, como a proteção da produção de etanol de milho e do setor açucareiro, além de prioridades comerciais com outros países.
O que o Brasil pode fazer para pressionar os EUA?
O Brasil pode buscar a mediação da OMC ou fortalecer acordos com outros parceiros, como China e União Europeia, para reduzir a dependência do mercado americano.
Qual o impacto para o consumidor brasileiro?
A falta de acordo pode manter os preços do açúcar e do etanol no mercado interno mais baixos, já que a produção excedente não encontra escoamento externo. Por outro lado, a renda do setor produtivo fica comprometida.
A proposta incluía outros produtos?
Sim, a proposta brasileira também abrangia outros produtos agrícolas, como carne bovina e suco de laranja, mas o foco principal era etanol e açúcar.
Quando os EUA devem responder?
Não há prazo definido. O MDIC informou que aguarda um retorno, mas não há sinalização de quando isso pode ocorrer.