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Mídia estrangeira destaca o Pix e refuta críticas de Trump, The Economist e WSJ

ResumoA revista The Economist e o jornal The Wall Street Journal refutam as críticas de Donald Trump ao sistema de pagamentos Pix. As publicações estrangeiras destacam o papel do Pix na inclusão financeira de baixa renda no Brasil e questionam as premissas do governo americano sobre protecionismo e concorrência.

A revista The Economist e o jornal The Wall Street Journal refutam as críticas de Donald Trump ao Pix. As reportagens destacam o papel do sistema do Banco Central na inclusão financeira de baixa renda e questionam as premissas do governo americano sobre protecionismo e concorrênc

Babi Cordeiro
Mídia estrangeira destaca o Pix e refuta críticas de Trump, The Economist e WSJ

Mídia estrangeira destaca o Pix e refuta críticas de Trump, The Economist e WSJ — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Mídia estrangeira sai em defesa do Pix e refuta críticas de Trump

A revista britânica The Economist e o jornal norte-americano The Wall Street Journal dedicaram reportagens, na última semana, ao sucesso do Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central. Ambas as publicações refutam as críticas feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e destacam a importância do sistema brasileiro para a inclusão financeira.

A tarifa de 25% sobre produtos brasileiros foi proposta em 1º de junho de 2026, após o USTR concluir a investigação da Seção 301 contra o Brasil. O governo americano apresentou a medida como resposta ao que classifica como práticas comerciais injustas. O documento do USTR lista como alvos temas como Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Uma das conclusões aponta que o Brasil adota políticas públicas que favorecem o Pix e colocam empresas norte-americanas do setor de pagamentos eletrônicos em "desvantagem injusta".

The Economist: premissas frágeis e inclusão de baixa renda

A Economist afirma que as acusações contra o Pix não se sustentam porque se baseiam em "premissas frágeis: que é um instrumento protecionista e que prejudicou empresas de pagamento americanas (principalmente Visa e Mastercard)". A publicação discorre que qualquer instituição financeira licenciada que opere no país pode se conectar à rede livremente e menciona a facilidade de acesso aos consumidores.

A revista também refuta o argumento de Trump de que o sistema foi criado para prejudicar empresas de pagamento dos EUA. Segundo a reportagem, a criação foi motivada pela necessidade de bancarizar a população de baixa renda, para a qual a ausência de taxas é o principal atrativo. Como consequência, "ao tornar as transferências gratuitas e instantâneas para os consumidores, o Pix incentivou as pessoas a manterem seus salários e economias em contas bancárias em vez de sacá-los", afirma a Economist.

Apesar de concordar que a estrutura pode levantar "questões legítimas sobre a concentração de tanto controle sobre um sistema de pagamentos e os dados financeiros que ele gera em uma única instituição", a Economist explica que o fato de o sistema ser controlado pelo BC não cria discriminação contra empresas estrangeiras.

Wall Street Journal: concorrência difícil e modelo internacional

Já o Wall Street Journal destaca que muitos sistemas privados, inclusive alguns americanos, não são seguros e arcam com custos de prevenção a fraudes, tecnologia e retorno aos acionistas por meio de taxas, "o que torna quase impossível para eles competirem". O jornal lembra que a Seção 301 da lei comercial norte-americana permite que presidentes imponham tarifas comerciais permanentes, mas destaca que o dispositivo nunca antes havia visado explicitamente o sistema de pagamentos doméstico de outro país.

A reportagem sublinha que o Pix foi aclamado pelo Banco Mundial e pelo FMI como um modelo de inclusão financeira em uma das sociedades mais desiguais do mundo: "Outros países têm estudado o sistema brasileiro ao projetarem os seus próprios".

Audiência e ausência do governo brasileiro

Em 6 e 7 de julho, o USTR promoveu uma audiência pública antes da decisão final sobre a proposta de imposição de tarifas de 25%. O governo Lula optou por não enviar representantes para discursar. Os únicos presentes foram integrantes da Embaixada do Brasil em Washington, que compareceram na condição de observadores.

O senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) esteve presente no 2º dia de audiência.

Perguntas Frequentes

Por que a mídia estrangeira está defendendo o Pix?

Veículos como The Economist e The Wall Street Journal destacam que o Pix promoveu inclusão financeira e que as críticas de Trump se baseiam em premissas frágeis, sem evidências de protecionismo.

O que Trump acusa o Pix de fazer?

Trump alega que o sistema brasileiro é protecionista e prejudica empresas americanas de pagamento, como Visa e Mastercard. A investigação da Seção 301 aponta "desvantagem injusta" para essas empresas.

O governo brasileiro participou da audiência do USTR?

Não. O governo Lula optou por não enviar representantes para discursar. Apenas integrantes da Embaixada do Brasil em Washington compareceram como observadores.

O Pix é um modelo para outros países?

Sim. O sistema foi aclamado pelo Banco Mundial e pelo FMI como modelo de inclusão financeira, e outros países estudam o sistema brasileiro ao projetar os seus próprios.

Qual é a tarifa proposta pelos EUA?

O USTR propôs uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, em resposta ao que classifica como práticas comerciais injustas, incluindo o Pix.

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Babi Cordeiro

Editoria Destaques

Babi Cordeiro cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.