# Ministro: EUA pediram abertura do setor químico e isenção para indústria

> O ministro Márcio Elias Rosa afirmou que os Estados Unidos solicitaram ao Brasil abertura total do setor químico e isenção para a indústria. O governo brasileiro recusou as exigências consideradas inegociáveis, conforme detalhado em coletiva de imprensa realizada na quinta-feira (16).

*Blog Sem Juízo · Destaques · 18 de julho de 2026 · Dani Quaresma*

O governo brasileiro recebeu dos EUA pedidos considerados inegociáveis, como abertura total do setor químico e isenção para indústria. O ministro Márcio Elias Rosa detalhou as exigências e a recusa do Brasil em coletiva nesta quinta-feira (16).

## Ministro: EUA pediram abertura do setor químico e isenção para indústria

Os Estados Unidos solicitaram ao Brasil a abertura total do setor químico, a redução a zero das tarifas de importação de bens industriais e acesso ao mercado automotivo norte-americano. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, revelou os pleitos em coletiva de imprensa nessa quinta-feira (16). O governo brasileiro recusou todas as exigências.

## O que os EUA pediram ao Brasil?

Em reuniões realizadas às vésperas da imposição de novas tarifas a produtos brasileiros, autoridades norte-americanas apresentaram demandas classificadas como negociáveis e inegociáveis. "Os Estados Unidos da América pretendiam nada mais, nada menos do que a abertura de todo o mercado do setor químico, a redução a zero das tarifas dos bens industriais, o acesso ao mercado do setor automotivo norte-americano, e dentre outros setores", afirmou Elias.

## A recusa do Brasil

O ministro foi categórico: "Nos afastamos, óbvia e evidentemente, de qualquer pretensão que pudesse expor ou a violação daquilo que é interesse nacional e soberania nacional - como é o caso do Pix -, ou aquilo que poderia representar um grande dano, prejuízo para o setor industrial brasileiro". Segundo ele, o governo "jamais celebrará" qualquer acordo que viole os interesses do país e do setor produtivo nacional.

## A defesa do setor automotivo

Já nesta sexta-feira (17), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) rebateu acusações de protecionismo automotivo. "Para você importar um veículo, é 35% o imposto de importação. A Europa está aumentando agora para 45% o imposto de importação. Então, nós sempre cumprimos as regras da OMC. E os automóveis estão fora disso", argumentou.

## Minerais críticos: outro ponto de tensão

Outro tema das negociações foi o dos minerais críticos. Os EUA pediram que o Brasil limitasse o investimento interno em projetos e empresas de extração desses recursos. "O que nos foi solicitado foi que nós fizéssemos medidas que limitassem investimentos por atores não orientados pelo mercado e entidades estrangeiras, a exemplo do que eles fizeram com outros países, como, por exemplo, com o Reino Unido e com a Austrália", disse Elias. "Obviamente, não aceitamos e não aceitaremos", completou, classificando minerais críticos e terras raras como estratégicos e pertencentes ao Brasil.

## O tom das negociações

O titular do Mdic afirmou que as negociações com o embaixador Jamieson Greer foram consideradas "cordatas" pelo próprio representante do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), ainda que sem sucesso. Elias criticou a falta de uniformidade no discurso norte-americano: "Enquanto um fala que falta boa fé, o outro reconheceu a atuação construtiva. Porque eles não estão combinando o discurso, eles estão falando coisas díspares entre eles".

A declaração de Elias contrasta com a publicação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na madrugada de quinta-feira. Rubio afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governo brasileiro não negociaram "de boa fé", justificando a confirmação da tarifa de importação de 25% sobre produtos nacionais. Rubio disse ainda que as políticas econômicas de Lula são ruins para norte-americanos e brasileiros.

## Perguntas Frequentes

### O que os EUA pediram ao Brasil nas negociações?

Os EUA solicitaram abertura total do mercado químico, redução a zero das tarifas de bens industriais, acesso ao setor automotivo norte-americano e restrições a investimentos em minerais críticos. O Brasil recusou todas as exigências.

### O Brasil aceitou alguma exigência dos EUA?

Não. O governo brasileiro recusou todas as demandas, classificando-as como violação da soberania nacional e dos interesses do setor produtivo.

### Por que os EUA impuseram tarifa de 25% sobre produtos brasileiros?

O secretário de Estado Marco Rubio afirmou que o governo brasileiro não negociou "de boa fé", levando à confirmação da tarifa. O ministro Márcio Elias Rosa contestou a avaliação.

### O que são minerais críticos e por que são estratégicos?

Minerais críticos e terras raras são recursos usados em tecnologias de ponta, como baterias e eletrônicos. O governo brasileiro os considera estratégicos e pertencentes ao país, recusando limitar investimentos no setor.

### Qual a posição do Brasil sobre o setor automotivo?

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil cumpre as regras da OMC e que a alíquota de 35% para importação de veículos é inferior à da Europa (45%). Os automóveis estão fora das negociações.

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Fonte (canonical): https://blogsemjuizo.com.br/destaques/ministro-eua-pediram-abertura-setor-quimico-isencao-industria/
