A afirmação de que os Estados Unidos pediram ao Brasil uma restrição a investimentos em terras raras circulou com força. A fonte é o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que deu a declaração em entrevista. Mas o que há de verdade nisso? Vamos checar com base em fontes oficiais e no contexto geopolítico.
Segundo o ministro Alexandre Silveira, os EUA sugeriram ao Brasil que limite investimentos chineses no setor de terras raras. A declaração foi feita em 10 de junho de 2026, durante entrevista ao jornal O Globo. Silveira afirmou que a sugestão ocorreu em reuniões bilaterais, mas não detalhou o teor completo da conversa.
O que são terras raras?
Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a produção de ímãs, baterias, turbinas eólicas e dispositivos eletrônicos. O Brasil possui a segunda maior reserva do mundo, atrás apenas da China, segundo o Serviço Geológico dos EUA (USGS). A China domina mais de 60% da produção global e refino.
A checagem: o que realmente foi dito?
A declaração do ministro não foi uma confirmação de que o Brasil aceitou a sugestão. Silveira disse que "os EUA pediram" e que o Brasil está avaliando a questão com cautela. Não há, até o momento, documento oficial ou tratado assinado que comprove a restrição.
O Ministério de Minas e Energia, em nota, afirmou que "não há decisão tomada" e que o Brasil mantém sua soberania sobre os recursos minerais. A nota reforça que qualquer medida será baseada no interesse nacional.
Contexto geopolítico
A guerra comercial entre EUA e China tem se intensificado, e os minerais críticos são um dos campos de batalha. Em 2025, os EUA aprovaram o Inflation Reduction Act, que inclui incentivos para cadeias de suprimento de terras raras fora da China. O Brasil, com suas reservas, se tornou peça-chave.
Especialistas consultados pelo Estadão indicam que a pressão dos EUA não é nova. Desde 2023, o governo americano busca diversificar suas fontes de terras raras, reduzindo a dependência chinesa geopolítica dos minerais críticos.
O que isso significa para o Brasil?
A exploração de terras raras no Brasil ainda é incipiente. A maior parte das reservas está em áreas como Araxá (MG) e São Francisco de Itabapoana (RJ). Empresas chinesas, como a Shenghe Resources, já têm participação em projetos brasileiros, como o de Serra Verde.
A restrição a investimentos chineses poderia acelerar parcerias com os EUA e a União Europeia, mas também geraria atritos diplomáticos com Pequim. O governo brasileiro, sob Lula, busca equilíbrio entre os dois blocos.
Veredito: mito ou verdade?
A afirmação de que os EUA pediram restrição é verdadeira, com base na declaração do ministro. Mas o pedido não implica decisão tomada. O Brasil ainda não adotou nenhuma medida concreta. Portanto, a notícia é real, mas o desfecho é incerto.
Curiosidade: o Brasil já foi um dos maiores produtores de terras raras do mundo, nas décadas de 1960 e 1970, com a exploração em São João del-Rei (MG). A produção foi abandonada por falta de competitividade.
Perguntas Frequentes
Os EUA realmente pediram restrição a investimentos chineses em terras raras no Brasil?
Sim, segundo o ministro Alexandre Silveira, em entrevista ao jornal O Globo em 10 de junho de 2026. O pedido teria sido feito em reuniões bilaterais.
O Brasil aceitou o pedido dos EUA?
Não. O Ministério de Minas e Energia afirmou que não há decisão tomada e que o Brasil avalia a questão com cautela.
Por que as terras raras são importantes?
São essenciais para ímãs, baterias, turbinas eólicas e eletrônicos. O Brasil tem a segunda maior reserva do mundo.
A China domina a produção de terras raras?
Sim, a China responde por mais de 60% da produção global e pelo refino, segundo o USGS.
O que pode acontecer se o Brasil restringir investimentos chineses?
Pode acelerar parcerias com EUA e Europa, mas gerar atritos com a China. O governo busca equilíbrio.
Há empresas chinesas já investindo em terras raras no Brasil?
Sim, a Shenghe Resources tem participação no projeto Serra Verde, em Goiás.