Eu estava rolando o feed, como faço todo dia antes de dormir, quando um vídeo me parou. Não era mais um tutorial de maquiagem ou um desafio de dança. Era uma influenciadora, sorrindo, ao lado de um búfalo morto. O cenário: o Pará. A reação: uma convocação do Ministério Público. O MP convoca reunião após vídeo de influenciadora com búfalo morto no Pará, e eu, como qualquer um que já perdeu o sono com um absurdo digital, fiquei ali, tentando processar o que via.
O Ministério Público do Pará (MPPA) convocou uma reunião para investigar o vídeo de uma influenciadora digital que aparece ao lado de um búfalo morto. O encontro, marcado para os próximos dias, busca esclarecer as circunstâncias da morte do animal e se houve crime ambiental. A influenciadora ainda não se pronunciou oficialmente.
O vídeo que acendeu o alerta
A gravação, que circula desde o fim de semana, mostra a influenciadora em uma propriedade rural, ao lado do animal sem vida. Em determinado momento, ela posa para fotos. A naturalidade com que age é o que mais incomoda. Não há como não lembrar de outros casos em que a busca por likes custou caro, a diferença é que, aqui, há um corpo de animal envolvido.
Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas), a pasta foi acionada e acompanha o caso. A polícia civil também abriu inquérito para apurar se houve crime de maus-tratos, previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98).
O que diz a lei
A legislação brasileira é clara: matar animais silvestres ou domésticos sem justificativa é crime. A pena pode chegar a um ano de detenção, além de multa. Mas o que configura "justificativa"? No campo, o abate para alimentação ou controle de população é permitido, desde que autorizado. A questão é: havia autorização? O búfalo era de criação ou silvestre?
A promotoria de Justiça de Marabá, cidade próxima ao local do registro, é quem conduz a apuração. O MP convoca reunião após vídeo de influenciadora com búfalo morto no Pará justamente para ouvir testemunhas e verificar a documentação da propriedade.
A reação nas redes
Enquanto as autoridades se organizam, a internet já fez seu julgamento. Hashtags como #JustiçaPeloBúfalo e #MausTratosNão circulam. A influenciadora, que tem centenas de milhares de seguidores, perdeu alguns, e ganhou outros tantos que foram atrás do perfil para xingar. É o ciclo: todo vídeo viral gera hate, mas aqui o hate tem um alvo justo.
Uma amiga que trabalha com direito ambiental me disse: "O problema não é a morte do animal em si, é a exibição pública como troféu". Ela tem razão. A frieza com que o ato foi registrado é o que transforma um fato corriqueiro no campo em um escândalo nacional.
O que esperar da reunião do MP
A reunião convocada pelo Ministério Público deve ocorrer em até 15 dias. O órgão vai solicitar imagens de câmeras de segurança, ouvir funcionários da fazenda e verificar se a influenciadora tinha relação com o abate. Caso fique comprovado que ela apenas chegou depois, a responsabilidade pode ser menor. Se participou ou incentivou, a situação muda.
O MP convoca reunião após vídeo de influenciadora com búfalo morto no Pará, mas não é só isso: o caso pode virar jurisprudência para outros crimes ambientais cometidos por influenciadores. Afinal, quantos vídeos de caça ou pesca predatória não circulam por aí, travestidos de "conteúdo rural"?
Perguntas Frequentes
O que a influenciadora disse sobre o vídeo?
Até o momento, ela não se pronunciou oficialmente. Seu perfil foi tornado privado após a enxurrada de críticas.
Qual a punição para quem comete maus-tratos a animais?
A Lei 9.605/98 prevê detenção de três meses a um ano, além de multa. Em caso de morte do animal, a pena pode ser aumentada.
O búfalo era de criação ou silvestre?
Ainda não há informação oficial. A Semas investiga a origem do animal e se a propriedade tinha autorização para o abate.
O MP pode pedir a prisão da influenciadora?
Sim, se ficar comprovado crime de maus-tratos. Mas a tendência é que o caso termine em acordo ou multa, a menos que haja reincidência.
Como denunciar casos semelhantes?
Pelo Disque-Denúncia da Semas (0800-XXX-XXXX) ou pelo site do Ministério Público do Pará.