Mundo fragmentando muda investimentos, diz Head de Alocação da XP
O mundo está mais fragmentado, e isso mexe com os investimentos. Quem afirmou foi Rodrigo Sgavioli, Head de Alocação da XP Investimentos, em entrevista ao Poder360 durante o evento Expert XP 2026, nesta 5ª feira (23.jul.2026). Segundo ele, o investidor terá que se adaptar a um cenário de maior volatilidade e repensar o que considera risco.
Para a pessoa física, risco sempre foi sinônimo de oscilação no curto prazo. Agora, Sgavioli diz que risco passa a ser a chance de não atingir os objetivos patrimoniais, mesmo que isso exija tolerar mais oscilações e mais volatilidade.
Como o mundo fragmentado afeta seus investimentos
Sgavioli explicou que o processo de globalização desacelerou antes mesmo da pandemia de covid-19 e se intensificou depois dela. Os países estão buscando maior autossuficiência e fortalecendo sua soberania como forma de garantir segurança.
A geopolítica está sendo reorganizada. Na avaliação dele, o mundo liderado pelos Estados Unidos tende a dar lugar a uma ordem mais fragmentada e multipolar. Isso muda as regras do jogo para quem investe.
Por que você não pode mais concentrar tudo no CDI
Segundo Sgavioli, o investidor não pode mais concentrar a poupança só em aplicações atreladas ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário). O motivo: elas podem não oferecer retorno acima da inflação em horizontes de 10 ou 20 anos.
Diante desse cenário, a recomendação é priorizar títulos que protejam contra a inflação, como os indexados ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), além de ativos ligados à economia real, como ações. Embora esses investimentos oscilem mais no curto prazo, tendem a garantir melhor retorno no longo prazo.
Cautela extra para o investidor brasileiro
No Brasil, o investidor deve ser ainda mais cauteloso, segundo o especialista da XP. O mercado é mais sensível a fatores específicos do país. Nos Estados Unidos, o ambiente regulatório é mais robusto.
Sgavioli alerta que os investidores e os governos estarão mais suscetíveis a grandes choques em um mundo multipolar e fragmentado. Para ele, haverá menor capacidade de amortecer crises.
Inflação mais volátil e juros mais altos
A volatilidade da inflação deve aumentar. Um exemplo já foi visto pelo mercado: a alta do petróleo depois do início da guerra entre Estados Unidos e Irã.
Na prática, o ambiente de capital barato e juros baixos nos países desenvolvidos, que marcou as últimas décadas, tende a ficar para trás. O novo cenário exigirá carteiras mais diversificadas, com maior exposição a ativos reais e proteção contra a inflação.
O papel da tecnologia e da produtividade
Sgavioli aponta que parte do problema do endividamento global pode ser resolvida por meio do aumento da produtividade, do crescimento do PIB e da inteligência artificial. Os países que conseguirem liderar essa corrida tecnológica poderão reduzir parte do peso do endividamento com mais produtividade e expansão econômica.
A grande dúvida, segundo ele, é quais países serão os maiores beneficiados por esse processo.
O que fazer com sua carteira agora
Diante desse cenário, Sgavioli recomenda:
- Diversificar a carteira, com exposição a ativos reais (ações, títulos indexados ao IPCA)
- Não concentrar tudo em renda fixa atrelada ao CDI
- Tolerar mais volatilidade no curto prazo em troca de proteção patrimonial no longo prazo
- Ser ainda mais cauteloso no Brasil, dado o risco local
Perguntas Frequentes
O que é o CDI e por que ele pode não proteger contra a inflação?
O CDI é a taxa que serve de referência para muitos investimentos de renda fixa. Segundo Sgavioli, em horizontes de 10 ou 20 anos, aplicações atreladas ao CDI podem não render acima da inflação, corroendo o poder de compra.
Quais ativos protegem contra a inflação?
Títulos indexados ao IPCA, como Tesouro IPCA+, e ativos ligados à economia real, como ações, tendem a oferecer melhor proteção contra a inflação no longo prazo.
O que significa um mundo multipolar para os investimentos?
Um mundo multipolar significa que não há mais um único centro de poder econômico. Isso aumenta a fragmentação geopolítica e a volatilidade, exigindo carteiras mais diversificadas.
Como a inteligência artificial pode ajudar na economia?
Segundo Sgavioli, a IA pode aumentar a produtividade e o crescimento do PIB, ajudando países a reduzir o peso do endividamento. inteligência artificial e economia
O que é a Expert XP 2026?
A Expert XP 2026 é um dos principais eventos do mercado financeiro na América Latina, realizado no São Paulo Expo, da 5ª feira (23.jul.) ao sábado (25.jul.). O Poder360 realiza entrevistas com economistas e executivos durante o evento.