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Nobel de Economia critica tarifaço dos EUA sobre o Brasil e vê fortalecimento de Lula

ResumoPaul Krugman, Nobel de Economia de 2008, criticou o tarifaço de 25% dos EUA sobre o Brasil e a investigação do USTR sobre o Pix. Krugman afirmou que a medida punirá o Brasil e fortalecerá o governo Lula, gerando efeito contrário ao pretendido pelos Estados Unidos.

O economista Paul Krugman, Nobel de 2008, criticou o tarifaço de 25% dos EUA sobre o Brasil e a investigação do USTR sobre o Pix. Em newsletter, ele afirma que a medida "punirá" o Brasil e fortalecerá o governo Lula. Entenda os argumentos.

Tomás Wenzel
Nobel de Economia critica tarifaço dos EUA sobre o Brasil e vê fortalecimento de Lula

Nobel de Economia critica tarifaço dos EUA sobre o Brasil e vê fortalecimento de Lula — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Nobel de Economia critica tarifaço dos EUA sobre o Brasil e vê fortalecimento de Lula

O economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2008, criticou a instauração dos Estados Unidos de um tarifaço de 25% sobre o Brasil e a investigação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) sobre o Pix. A crítica foi feita nesta 2ª feira (20.jul.2026) em uma newsletter publicada por Krugman. No texto, o economista elogia o Pix e afirma que o presidente norte-americano Donald Trump (Partido Republicano) está "punindo" o Brasil com o tarifaço, por ser uma democracia que se contrarie aos seus interesses.

O argumento central de Krugman sobre o tarifaço

Segundo Krugman, a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, definida com base no Artigo 301 da Lei de Comércio de 1974 dos EUA, não passa de uma punição política. O trecho da lei permite a imputação de tarifas para o combate de "práticas comerciais desleais", mas o economista argumenta que a medida mira um país democrático que se opõe aos interesses de Washington.

"O tarifaço não só não terá sucesso como fortalecerá o presidente Lula", escreveu Krugman. Para ele, a estratégia de Trump é contraproducente: ao tentar enfraquecer o Brasil economicamente, acaba gerando um efeito político oposto ao desejado.

A defesa do Pix e a comparação com notas de dólar

Um dos pontos centrais da crítica de Krugman é a investigação do USTR sobre o Pix. Trump acusa a ferramenta de garantir uma vantagem injusta sobre outros métodos de pagamento, como cartões de crédito de empresas norte-americanas. No entanto, Krugman rebate com uma comparação cotidiana: a exigência brasileira de que todos os bancos aceitem o uso do Pix é "semelhante à exigência de que todos os bancos dos EUA aceitem notas de dólar como depósitos [...] o que poucas pessoas considerariam injusto".

A analogia desmonta, na visão do economista, o argumento de que o Pix seria uma prática desleal. Afinal, se nos EUA é normal que bancos aceitem dinheiro físico emitido pelo governo, por que no Brasil seria diferente com um sistema de pagamento digital público?

A investigação do USTR e o Artigo 301

O USTR confirmou, em 15 de julho de 2026, a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre diversos produtos exportados pelo Brasil para o mercado norte-americano. A medida decorre das conclusões da investigação da Seção 301, que alegou a existência de práticas comerciais desleais por parte do governo brasileiro.

Entre os pontos questionados pelas autoridades de Washington estão as políticas públicas de incentivo ao Pix, além de divergências relacionadas ao comércio digital, mercado de etanol, combate ao desmatamento e propriedade intelectual. Ficaram isentos dessa nova taxa alguns produtos de grande peso na pauta exportadora brasileira, como carne bovina e café.

O que está por trás da acusação de "desafio ao dólar"

Outro ponto mencionado para a oposição ao Pix é que a ferramenta poderia "desafiar a hegemonia internacional do dólar". Para Krugman, esse argumento é frágil. O economista sugere que a verdadeira motivação do tarifaço é política, não econômica: punir o Brasil por ser uma democracia que não se alinha automaticamente aos interesses dos EUA.

Krugman, que ganhou o Nobel principalmente por seus estudos sobre comércio internacional e integração econômica, traz um peso acadêmico à crítica. Sua análise sugere que tarifas punitivas raramente funcionam como planejado e tendem a gerar efeitos colaterais, como o fortalecimento político do alvo.

Impactos práticos do tarifaço sobre o Brasil

A tarifa de 25% atinge diversos setores da economia brasileira, mas com exceções importantes. Carne bovina e café, dois dos principais produtos de exportação do Brasil para os EUA, ficaram isentos da nova taxa. Isso indica que a medida foi calibrada para causar dano sem desabastecer o mercado americano de itens essenciais.

A investigação do USTR também abrange temas como propriedade intelectual e combate ao desmatamento, áreas onde o governo brasileiro vem sendo pressionado internacionalmente. A inclusão do Pix na lista de queixas, no entanto, é o que mais chama a atenção de analistas, por se tratar de um sistema de pagamento amplamente elogiado por sua eficiência e inclusão financeira.

O que esperar da reação do governo Lula

Krugman sugere que o tarifaço fortalecerá o presidente Lula, e não o contrário. A lógica é que medidas percebidas como injustas ou punitivas por parte de uma potência estrangeira tendem a gerar união nacional em torno do líder atacado. Resta saber se o governo brasileiro responderá com retaliações comerciais ou buscará negociação diplomática.

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Perguntas Frequentes

Por que Paul Krugman criticou o tarifaço dos EUA sobre o Brasil?

Krugman, Nobel de Economia de 2008, argumenta que a tarifa de 25% é uma punição política a uma democracia que se contrapõe aos interesses dos EUA, e que a medida fortalecerá o presidente Lula.

O que é o Artigo 301 da Lei de Comércio dos EUA?

É um dispositivo legal que permite ao governo americano impor tarifas para combater "práticas comerciais desleais" de outros países. Foi usado como base para a tarifa de 25% sobre o Brasil.

Por que o Pix está sendo investigado pelos EUA?

O USTR alega que o Pix, por ser obrigatório para todos os bancos, cria uma vantagem injusta sobre cartões de crédito americanos. Krugman compara a exigência à aceitação de notas de dólar nos EUA.

Quais produtos brasileiros foram atingidos pela tarifa de 25%?

Diversos produtos exportados pelo Brasil para os EUA foram taxados, mas carne bovina e café ficaram isentos da nova taxa.

O tarifaço pode fortalecer o governo Lula?

Segundo Krugman, sim. Ele afirma que a medida não terá sucesso e, ao contrário, fortalecerá o presidente Lula politicamente.

Quando a tarifa foi confirmada?

O USTR confirmou a aplicação da nova tarifa de 25% em 15 de julho de 2026.

Tomás Wenzel

Editoria Destaques

Tomás Wenzel cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.