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Norte Saneamento descarta leilões e prioriza aquisições

ResumoNorte Saneamento descarta participação em grandes leilões de concessão e mantém aquisições como principal estratégia de expansão. A empresa concentra 85% do portfólio na Amazônia Legal, priorizando compras de ativos e operações locais. A decisão reflete foco em regiões específicas, evitando disputas competitivas por contratos de grande escala.

A Norte Saneamento descarta participar dos grandes leilões de concessão e mantém aquisições como principal estratégia de expansão, com 85% do portfólio na Amazônia Legal.

Sol Henriques
Norte Saneamento descarta leilões e prioriza aquisições

Norte Saneamento descarta leilões e prioriza aquisições — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

A Norte Saneamento descarta participar dos grandes leilões de concessão e pretende manter as aquisições e trocas de controle como principal estratégia de expansão da companhia. A informação foi apurada pela CNN.

Com 85% do portfólio concentrado na Amazônia Legal, a empresa mira municípios de pequeno porte e regiões de "desinteresse" dos grandes players do setor. A ideia é olhar especificamente para lugares que costumam não ser contemplados pelos grandes leilões, formando agrupamentos a partir de cidades que funcionam como polos regionais. A estratégia é adotar um caminho complementar ao dos grandes projetos de universalização, com estruturas de menor escala e mais dedicadas às necessidades de cada comunidade.

A companhia aposta em mercados menores e mais regionalizados como caminho para a universalização dos serviços de água e esgoto até 2033, ano-limite estipulado pelo marco legal. Sancionado em 2020, o marco determinou que 99% da população brasileira tenha acesso à água potável e 90%, à coleta e ao tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2033.

Com cinco anos de existência, a empresa tem operações em 59 cidades de sete estados: Tocantins, Pará, Maranhão, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, onde administra cinco concessões adquiridas da Iguá em 2023, nas cidades de Alta Floresta, Canarana, Colíder, Comodoro e Pontes e Lacerda. O objetivo é reunir ativos em comunidades e lugares que apresentam maiores dificuldades logísticas e operacionais, como a Região Norte.

Segundo uma fonte a par da estratégia, o baixo interesse pelos municípios menores também tem sido observado pela empresa. Um exemplo é o Ceará, onde, dos cinco blocos de concessão ofertados pela Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará), apenas o bloco do litoral despertou interesse do mercado. Os demais, concentrados no interior e em regiões menos populosas, devem passar por remodelagem para atrair investidores. Em Rondônia, a expectativa é que o próximo leilão, marcado para 29 de setembro, adote modelagem diferente, justamente para ampliar a atratividade dos ativos.

Na avaliação do advogado Fernando Vernalha, especialista em saneamento, PPPs e concessões, a estratégia da Norte Saneamento de crescer por meio de aquisições se apoia nas oportunidades abertas pelo reposicionamento dos grandes operadores, que passaram a concentrar recursos em concessões regionais de maior porte. Para Vernalha, a companhia aposta na compra de operações municipais que perderam relevância no portfólio desses grupos, como no caso da Iguá, que priorizou apenas Cuiabá e vendeu as demais operações em Mato Grosso. O especialista diz que a estratégia permite ganhar escala, experiência operacional e acervo técnico, abrindo caminho para que, no futuro, possa disputar projetos maiores.

Sol Henriques

Editoria Destaques

Sol Henriques cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

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