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Nunes diz que irá sancionar projeto que veta publicidade de bets em SP

ResumoO prefeito Ricardo Nunes afirmou que sancionará o projeto aprovado pela Câmara Municipal de São Paulo que proíbe a publicidade de bets na cidade. A medida, que aguarda sanção, pode entrar em vigor nos próximos dias e afetar desde outdoors até anúncios digitais.

O prefeito Ricardo Nunes afirmou que sancionará o projeto aprovado pela Câmara Municipal que proíbe a publicidade de bets em São Paulo. A medida, que aguarda sanção, pode entrar em vigor nos próximos dias e afetar desde outdoors até anúncios digitais.

Dani Quaresma
Nunes diz que irá sancionar projeto que veta publicidade de bets em SP

Nunes diz que irá sancionar projeto que veta publicidade de bets em SP — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Nunes diz que irá sancionar projeto que veta publicidade de bets em SP

O prefeito Ricardo Nunes afirmou que sancionará o projeto de lei aprovado pela Câmara Municipal que proíbe a publicidade de bets em São Paulo. O texto, que agora segue para sanção, pode transformar a capital paulista na primeira grande cidade brasileira a banir propagandas de apostas esportivas em espaços públicos e meios digitais. A medida, segundo a prefeitura, mira a proteção de crianças e adolescentes e o combate ao endividamento familiar.

"Aprovamos um projeto importante para proteger a saúde financeira e mental dos paulistanos. Vou sancionar", disse Nunes em coletiva na terça-feira (13). A declaração veio após a aprovação do texto por 43 votos favoráveis e 5 contrários na Câmara, na semana passada. A lei, se sancionada, entra em vigor 30 dias após a publicação no Diário Oficial.

O que o projeto proíbe

A proposta, de autoria dos vereadores Paulo Frange (PTB) e Isac Félix (PL), proíbe a publicidade de bets em toda a cidade de São Paulo. A regra abrange:

  • Outdoors, painéis e mobiliário urbano (paradas de ônibus, relógios de rua)
  • Transporte coletivo municipal (ônibus, vans, táxis)
  • Mídia impressa distribuída na cidade (folhetos, jornais gratuitos)
  • Anúncios digitais direcionados a usuários localizados em SP, via geolocalização

Ficam de fora a mídia nacional (TV aberta, rádio AM/FM) e os patrocínios de clubes esportivos, desde que a marca não seja veiculada em espaços públicos municipais. "A lei não mira o jogo em si, mas a exposição publicitária nas ruas", explicou Frange durante a votação.

O que muda no dia a dia do paulistano

Na prática, quem anda por São Paulo vai deixar de ver anúncios de bets em pontos de ônibus e estações de metrô (geridas pelo governo estadual, que aderiu à proibição por decreto em maio). Empresas como Betano, Esportes da Sorte e Pixbet, que ocupam espaços nobres na cidade, terão de retirar as peças em até 15 dias após a sanção.

"A publicidade de apostas cresceu 340% em espaços públicos de SP entre 2023 e 2025", aponta levantamento do Instituto Datafolha encomendado pela Câmara. A concentração é maior nas zonas Sul e Leste, áreas com maior incidência de endividamento familiar.

Impacto nas receitas da cidade

A prefeitura estima perder cerca de R$ 12 milhões anuais com a proibição, valor arrecadado com taxas de licenciamento publicitário e ISS de agências que produzem as campanhas. "É um custo que aceitamos pagar em nome da saúde pública", disse o secretário de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Goulart, em audiência pública.

A Câmara, por sua vez, projeta economia de R$ 8 milhões em gastos com tratamento de dependência de jogos, considerando dados do SUS municipal. "Cada real investido em prevenção economiza quatro em tratamento", afirmou o vereador Isac Félix, citando estudo da USP.

Reação do setor de apostas

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que reúne as principais casas de apostas, criticou a medida. "Proibir publicidade não resolve o problema do jogo compulsivo. Precisamos de regulação federal, não de leis municipais esparsas", disse o presidente da entidade, André Gelfi, em nota.

A Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) também se manifestou, alertando para o risco de judicialização. "A lei pode ser questionada por ferir a competência da União para legislar sobre publicidade", afirmou a advogada tributarista Marina Zago, do escritório Zago & Advogados.

E agora? O que esperar

A sanção deve ocorrer até o fim de junho, segundo o chefe de gabinete da prefeitura. Depois, começa a contar o prazo de 30 dias para a lei entrar em vigor. A fiscalização ficará a cargo da Subprefeitura e da Guarda Civil Metropolitana, que poderão multar empresas infratoras em até R$ 50 mil por peça irregular.

Para quem aposta, a medida não proíbe o acesso a sites de bets, apenas a publicidade. "O jogo em si continua permitido. O que muda é a forma como ele é promovido", explica o advogado criminalista Bruno Leite, especialista em direito digital.

Perguntas Frequentes

A lei proíbe todo tipo de publicidade de bets?

Sim, em espaços públicos municipais e meios digitais direcionados a usuários em São Paulo. Ficam de fora a mídia nacional e patrocínios esportivos, desde que não usem espaços públicos.

Quando a lei começa a valer?

Após sanção do prefeito, a lei entra em vigor em 30 dias. A previsão é que esteja valendo a partir de agosto de 2026.

O que acontece se uma bet descumprir a lei?

Multa de até R$ 50 mil por peça irregular, aplicada pela Subprefeitura. A reincidência pode dobrar o valor.

A lei afeta anúncios na internet?

Sim, se forem direcionados a usuários localizados em SP, via geolocalização. Anúncios nacionais (como TV aberta) não são afetados.

A medida pode ser derrubada na Justiça?

Há risco. A ABA e o IBJR já sinalizaram que podem questionar a lei por invasão de competência federal. O STF tem precedentes sobre publicidade de álcool e tabaco em âmbito municipal.

O que fazer se vir uma propaganda de bet irregular?

Denuncie à Subprefeitura pelo telefone 156 ou pelo site da prefeitura. A Guarda Civil pode autuar em flagrante.

Dani Quaresma

Editoria Destaques

Dani Quaresma cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

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