Operação Metástase: Jaguar de luxo ocultava carga milionária de remédios para câncer
A Polícia Civil apreendeu um Jaguar de luxo com uma carga de remédios contra o câncer avaliada em R$ 4,6 milhões, durante a Operação Metástase. O veículo estava na casa de Stefano Montovani Fernandes, apontado como líder da quadrilha. A carga era de um lote roubado em 8 de julho, em Santo Antônio de Posse, interior de São Paulo. O esquema, que contava com apoio do Terceiro Comando Puro (TCP), movimentou cerca de R$ 33 milhões em apenas um ano, entre 2025 e 2026.
Como a operação revelou o esquema de roubo de medicamentos
A investigação começou após uma série de roubos de medicamentos de alto valor. A polícia chegou à residência de Stefano, em Santo André (SP), e encontrou o Jaguar. Dentro, estavam os remédios, cuja origem foi rastreada até o roubo em Santo Antônio de Posse. A Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-Cap) conduziu as investigações.
Os presos e as acusações
Cinco pessoas foram presas, todas negaram as acusações. São eles: Stefano Montovani Fernandes (líder), Fernanda Rodrigues França (receptadora), Guilherme Silva Lopes de Sena (armazenamento ilegal), Carlos Roberto Fernandes (posse de armas) e Umberto Xavier de Lima (receptador). A operação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e 97 de busca e apreensão.
O papel do Terceiro Comando Puro (TCP)
A quadrilha era apoiada pela facção Terceiro Comando Puro (TCP), que fornecia suporte territorial, bélico e proteção, especialmente no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Lá, os medicamentos eram transbordados, armazenados, fracionados e distribuídos para todo o país.
Como o esquema afeta pacientes e a saúde pública
O delegado André Prates destacou que os medicamentos roubados muitas vezes têm como destino a rede pública de saúde. "Roubam medicamentos que, muitas vezes, têm como destino o abastecimento da rede pública de saúde. E roubam de forma extremamente violenta, com fuzis e batedores", disse. A manipulação e o armazenamento inadequados podem comprometer a eficácia dos remédios, gerando riscos para pacientes oncológicos, transplantados e pessoas com doenças autoimunes.
A sofisticação da lavagem e reinserção no mercado
Para disfarçar a origem criminosa, a quadrilha usava 25 empresas de fachada, transportadoras, entregadores e "laranjas". Eles aliciavam funcionários de transportadoras para obter informações sobre rotas e cargas. Os medicamentos eram revendidos para hospitais privados e, em alguns casos, para instituições públicas de saúde por meio de licitações, com valores abaixo do mercado.
As ações em quatro estados
A operação ocorreu em quatro estados: Rio de Janeiro (Complexo da Maré, Baixada Fluminense), São Paulo (capital, Santo André, São Caetano do Sul), Goiás (Goiânia) e Pará (Belém). No Complexo da Maré, houve intenso tiroteio e barricadas em chamas, que suspenderam atendimento em unidades de saúde. Foi solicitado o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias e o sequestro de imóveis e veículos de luxo.
Perguntas Frequentes
O que é a Operação Metástase?
É uma operação da Polícia Civil que desarticulou um esquema de roubo de medicamentos oncológicos, com apoio do TCP. Apreendeu um Jaguar com carga de R$ 4,6 milhões.
Quem é o líder da quadrilha?
Stefano Montovani Fernandes, preso em Santo André (SP). Ele é apontado como mentor do esquema.
Como os medicamentos eram revendidos?
Através de 25 empresas de fachada, transportadoras e laranjas. Eram vendidos para hospitais privados e públicos por licitação.
Qual o impacto na saúde pública?
Os remédios roubados muitas vezes abasteciam a rede pública. O armazenamento inadequado pode inutilizá-los, afetando pacientes oncológicos.
Quantas pessoas foram presas?
Cinco pessoas, incluindo o líder e receptadores. Todos negaram as acusações.
Qual o valor movimentado pelo esquema?
Cerca de R$ 33 milhões entre 2025 e 2026, com bloqueio de R$ 30 milhões solicitado pela Justiça.