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Ouro fecha em queda com continuidade de tensões no Oriente Médio, análise

ResumoO ouro fechou em queda de 0,8% a US$ 2.350 a onça-troy nesta segunda-feira. A continuidade das tensões no Oriente Médio e o fortalecimento do dólar pressionaram o metal precioso, interrompendo uma sequência de altas recentes no mercado.

O ouro fechou em queda nesta segunda-feira, influenciado pela continuidade das tensões no Oriente Médio e pelo fortalecimento do dólar. O metal recuou 0,8%, a US$ 2.350 a onça-troy, interrompendo uma sequência de altas. Entenda os fatores que movem o mercado.

Babi Cordeiro
Ouro fecha em queda com continuidade de tensões no Oriente Médio, análise

Ouro fecha em queda com continuidade de tensões no Oriente Médio, análise — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Senta que lá vem história: o ouro, refúgio clássico em tempos de crise, resolveu fazer o contrário do que todo mundo esperava. Enquanto as bombas continuam caindo no Oriente Médio, o metal precioso fechou em queda nesta segunda-feira, deixando investidores de cabelo em pé. Mas calma, a gente decifra esse enigma juntos.

O ouro fechou em queda com continuidade de tensões no Oriente Médio. O metal recuou 0,8%, cotado a US$ 2.350 a onça-troy, segundo dados do mercado futuro da Comex. O movimento interrompeu uma sequência de três altas consecutivas, que haviam levado o ativo a testar os US$ 2.400.

Por que o ouro caiu com as tensões?

À primeira vista, parece contradição. Conflito no Oriente Médio geralmente empurra o ouro para cima, afinal, ele é o porto seguro favorito do mercado. Dessa vez, porém, outros fatores entraram na dança.

O dólar mais forte pesou

O índice DXY, que mede o dólar contra seis moedas principais, subiu 0,3% nesta segunda. Como o ouro é cotado em dólar, uma moeda americana mais forte torna o metal mais caro para investidores estrangeiros, reduzindo a demanda.

Juros dos Treasuries subiram

Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos avançaram para 4,35%, tornando ativos de renda fixa mais atraentes. Quando o juro real sobe, o ouro (que não paga juros) perde competitividade.

Fluxo para ativos de risco

Apesar das tensões geopolíticas, os mercados acionários globais operaram em alta. O S&P 500 subiu 0,5%, sugando liquidez que poderia ir para o ouro.

A cronologia das tensões no Oriente Médio

Pra entender o movimento, a gente precisa montar o quebra-cabeça dos últimos dias.

Segunda-feira: escalada militar

No domingo, forças israelenses realizaram ataques aéreos contra alvos do Hezbollah no sul do Líbano. O grupo libanês respondeu com foguetes contra o norte de Israel. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que a operação continuará "até que a segurança seja restaurada".

Reação do mercado

Na abertura dos mercados asiáticos, o ouro chegou a subir 0,5%, tocando US$ 2.385. Mas o movimento virou durante a madrugada, quando o Federal Reserve (Fed) sinalizou que pode manter juros altos por mais tempo política monetária do Fed.

Terça-feira: acomodação parcial

Nesta terça, o ouro opera estável ao redor de US$ 2.345, com investidores monitorando novas declarações do governo americano sobre um possível cessar-fogo.

O que esperar do ouro nos próximos dias?

Analistas consultados pela Reuters apontam dois cenários possíveis:

  1. Escalada prolongada: Se o conflito se intensificar, o ouro pode voltar a buscar os US$ 2.400. O banco Goldman Sachs projeta que o metal pode chegar a US$ 2.500 até o fim do ano em caso de crise prolongada.
  1. Desescalada: Se houver negociações de paz, o ouro pode cair para a faixa dos US$ 2.200-2.250, com investidores migrando para ações e títulos.

O mercado de opções mostra que a maioria dos traders aposta em volatilidade alta: o índice VIX do ouro subiu 12% na semana.

Como investir em ouro nesse cenário?

Pra quem quer se expor ao metal, há três caminhos principais:

  • ETF de ouro: O GLD (SPDR Gold Shares) é o mais líquido, com taxa de administração de 0,40% ao ano. Negociado em bolsa americana, reflete o preço à vista do ouro.
  • Contratos futuros: Exigem maior capital e conhecimento. Na B3, o contrato de ouro futuro (OZ1D) tem tamanho de 10 gramas.
  • Compra física: Moedas e barras de ouro têm liquidez menor e custos de armazenamento.

ETF de ouro vs. compra física

Perguntas Frequentes

O ouro ainda é um bom investimento em tempos de guerra?

Sim, o ouro mantém seu papel de reserva de valor em crises. Mas o movimento recente mostra que outros fatores (dólar, juros, fluxo para risco) podem se sobrepor ao fator geopolítico no curto prazo.

Qual a cotação do ouro hoje?

O ouro à vista fechou a US$ 2.350 a onça-troy nesta segunda-feira, com queda de 0,8%. Na B3, o contrato futuro OZ1D fechou a R$ 385 por grama.

Devo vender meu ouro agora?

Depende do seu horizonte de investimento. Se for curto prazo e você estiver preocupado com volatilidade, pode reduzir posição. Para longo prazo, analistas recomendam manter de 5% a 10% do portfólio em ouro como proteção.

Como o conflito no Oriente Médio afeta o preço do ouro?

Conflitos na região geralmente elevam o ouro por aversão ao risco. Desta vez, o fortalecimento do dólar e a alta dos juros americanos neutralizaram esse efeito. O mercado monitora possíveis interrupções no fornecimento de petróleo, que podem pressionar a inflação e, indiretamente, o ouro.

Quais outros ativos se beneficiaram com as tensões?

O petróleo Brent subiu 1,2%, para US$ 82,50 o barril, com temores de interrupção na produção do Golfo Pérsico. Já o dólar se fortaleceu contra moedas de mercados emergentes, como o real brasileiro, que caiu 0,4%.

Babi Cordeiro

Editoria Destaques

Babi Cordeiro cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.