Paraguai é foco de empresas brasileiras que buscam produzir com menor custo
Historicamente conhecido como destino de turismo de compras para brasileiros, o Paraguai virou endereço estratégico de negócios. Incentivos fiscais expressivos e custos operacionais reduzidos atraem um número crescente de empresários brasileiros a produzir do outro lado da fronteira.
Resposta direta: O Paraguai atrai empresas brasileiras com incentivos fiscais expressivos e custos operacionais reduzidos. O regime de maquiladoras oferece isenções fiscais, imposto único de 1% sobre exportações e suspensão tributária para importações. Já são 179 empresas de capital brasileiro atuando no país, 47 instaladas nos últimos cinco anos.
Por que o Paraguai virou polo industrial
O cenário nas cidades paraguaias próximas ao Brasil, especialmente com o estado do Paraná, na região da Tríplice Fronteira, é de intensa transformação. Avenidas tornaram-se canteiros de obras, e projetos de novos parques industriais e condomínios surgem em ritmo acelerado, impulsionados pela chegada de investimentos estrangeiros.
Segundo o Departamento de Migrações do Paraguai, em 2024 cerca de 17 mil brasileiros obtiveram autorização para morar no país vizinho. Em 2025, esse número saltou para mais de 23 mil, um aumento de 37%. Ainda de madrugada, brasileiros formam filas em postos itinerantes de migrações em Ciudad del Este para solicitar documentação de residência.
O regime de maquiladoras: a chave do negócio
Os grandes investidores brasileiros chegam ao Paraguai atraídos principalmente pelos incentivos governamentais para as chamadas empresas maquiladoras, firmas voltadas à exportação de bens e serviços. Entre os benefícios estão isenções fiscais e aduaneiras, imposto único de 1% sobre as exportações e suspensão tributária para importações de maquinário e matéria-prima.
Atualmente, há pelo menos 179 empresas de capital brasileiro atuando no Paraguai sob esse regime, das quais 47 se instalaram nos últimos cinco anos. Conforme explicou Sergio Firpo, professor do Insper, "essas empresas não estão indo para o Paraguai necessariamente para vender produtos para os paraguaios. Na verdade, elas estão indo para o Paraguai para vender produtos para o Brasil".
Empresas brasileiras que já foram
A Karsten, indústria de Santa Catarina fabricante de artigos de cama, mesa e banho, abriu em maio deste ano uma instalação em Minga Guazú, município próximo a Ciudad del Este. A unidade de confecção foi pensada para ser a etapa final do processo de produção de toalhas: o tecido é enviado da matriz brasileira ou de outros fornecedores em rolos, cortado, costurado e etiquetado no local, para depois ser empacotado e enviado ao Brasil para distribuição.
"O Paraguai é um país estável em termos de moeda, de juros, de legislação há mais de 20 anos. É uma grande oportunidade de internacionalizar e potencializar", afirmou um representante da empresa. A Lupo, fabricante de roupas de moda íntima e meias, também figura entre as empresas brasileiras que se instalaram recentemente no país vizinho.
Vantagens tributárias e trabalhistas
Um advogado que atende empresas brasileiras instaladas no Paraguai afirmou que a rentabilidade das operações no país "em determinados casos assusta", devido aos ganhos tributários, de encargos trabalhistas e de horas trabalhadas. No Paraguai, a jornada de trabalho é de até 48 horas semanais, quatro a mais que no Brasil. Caso o fim da escala 6x1 seja aprovado pelo Congresso brasileiro, essa diferença passaria a ser de 8 horas semanais.
Apesar do baixo índice de desemprego, que chegou a 3,5% no ano passado, cerca de 60% dos trabalhadores do Paraguai estão na informalidade. A chegada de empresas estrangeiras é vista como uma forma de reverter esse quadro.
Desafios logísticos e de infraestrutura
A energia no país pode ser até 60% mais barata que no Brasil, mas enfrenta problemas na distribuição. Para contornar os riscos, empresas precisam investir em geradores, buscar parques industriais com subestações de energia ou até construir uma subestação próxima ao local de produção. O governo paraguaio reconhece o gargalo, mas afirma que manterá impostos baixos e está transferindo a responsabilidade da infraestrutura pública para o setor privado.
O que diz o governo brasileiro
A CNN Brasil procurou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio sobre a decisão de empresas brasileiras de se fixarem no exterior. O governo afirmou que se trata de uma opção de caráter privado e disse não monitorar esses movimentos, embora ressalte que acompanha os anúncios feitos em comunicações públicas. A pasta destacou ainda que no Brasil existem diversas iniciativas de apoio e incentivo à competitividade, produtividade e inovação.
Perguntas Frequentes
Empresas brasileiras podem produzir no Paraguai e vender para o Brasil?
Sim. O regime de maquiladoras permite que empresas instaladas no Paraguai exportem bens e serviços, inclusive para o Brasil, com imposto único de 1% sobre as exportações.
Quantas empresas brasileiras estão no Paraguai?
Atualmente, há pelo menos 179 empresas de capital brasileiro atuando no Paraguai sob regime de maquiladoras, das quais 47 se instalaram nos últimos cinco anos.
Quanto custa a energia no Paraguai em comparação ao Brasil?
A energia no Paraguai pode ser até 60% mais barata que no Brasil, mas enfrenta problemas na distribuição que exigem investimentos extras em infraestrutura.
Qual a diferença de jornada de trabalho entre Brasil e Paraguai?
No Paraguai, a jornada de trabalho é de até 48 horas semanais, quatro a mais que no Brasil. Caso o fim da escala 6x1 seja aprovado, essa diferença passaria a ser de 8 horas semanais.