Petróleo Brent ultrapassa US$ 98 com tensão entre EUA e Irã: impactos
O preço do barril de petróleo Brent subiu mais de 2%, ultrapassando US$ 98, por volta das 4h45 desta 5ª feira (23.jul.2026). O movimento levou a commodity ao maior nível desde o início de junho, pressionado pela escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã.
O que aconteceu com o petróleo Brent?
Na madrugada de 23 de julho, o Brent, referência internacional, saltou para acima de US$ 98. O petróleo WTI, referência nos EUA, avançava 1,8%, para US$ 88,35, no mesmo horário. O gatilho foi a 12ª noite consecutiva de ataques dos militares norte-americanos contra o Irã, anunciada na 4ª feira (22.jul).
Para ter ideia do tamanho da escalada: no início de julho, o Brent era negociado abaixo de US$ 75. Em menos de um mês, a commodity acumulou alta de mais de 30%, puxada pelo agravamento do conflito no Oriente Médio.
Por que o estreito de Ormuz é o centro da crise?
As restrições à navegação no estreito de Ormuz estão no coração da alta. A via é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo e por ela passa cerca de 1/5 do fornecimento global de petróleo e gás.
Com exceção de um breve período, a passagem está praticamente bloqueada desde que os EUA e Israel iniciaram a ofensiva contra o Irã, em 28 de fevereiro. O bloqueio tem dificultado a circulação de petroleiros e aumentado as preocupações com o fornecimento global de petróleo.
Como a alta do petróleo afeta o Brasil?
O Brasil não é um importador líquido de petróleo, o país produz boa parte do que consome. Mas o preço internacional do Brent é referência para a política de preços da Petrobras e para o mercado de combustíveis doméstico.
Quando o Brent sobe, a tendência é que a gasolina, o diesel e o gás de cozinha (GLP) fiquem mais caros nas refinarias. Esse custo pode chegar ao consumidor final nos postos, pressionando a inflação.
Além disso, o Brasil exporta petróleo bruto. Um Brent mais alto melhora a balança comercial e aumenta a arrecadação de royalties e participações especiais para estados e municípios produtores. O efeito, portanto, não é só negativo.
O que esperar para os próximos dias?
A continuidade da alta depende diretamente da evolução do conflito entre EUA e Irã. Enquanto o estreito de Ormuz seguir bloqueado e os ataques continuarem, o mercado de energia deve permanecer sob pressão.
Analistas de mercado acompanham de perto os estoques estratégicos de petróleo dos EUA e possíveis medidas de países da OCDE para conter a alta. Mas, por ora, a tendência é de volatilidade.
Dá para se proteger da alta dos combustíveis?
Para o consumidor individual, as alternativas são limitadas no curto prazo. Algumas práticas comuns:
- Abastecer em postos com bandeira mais barata, que compram de distribuidoras independentes.
- Usar aplicativos de comparação de preços de combustíveis.
- Evitar acelerações e freadas bruscas para reduzir o consumo.
- Considerar o etanol quando a relação de preço estiver abaixo de 70% da gasolina.
Perguntas Frequentes
O petróleo Brent pode chegar a US$ 100?
O Brent já opera acima de US$ 98. Com a escalada do conflito e o bloqueio no estreito de Ormuz, o patamar de US$ 100 é visto como possível, mas depende de novos desdobramentos militares.
O que é o estreito de Ormuz?
É uma via marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, por onde passa cerca de 1/5 do petróleo e gás do mundo. O bloqueio parcial desde fevereiro de 2026 tem pressionado o fornecimento global.
Quando começou o conflito entre EUA e Irã?
A ofensiva dos EUA e Israel contra o Irã começou em 28 de fevereiro de 2026. Desde então, o estreito de Ormuz está praticamente bloqueado, com exceção de um breve período.
O Brasil será muito afetado pela alta do petróleo?
Sim e não. O país produz petróleo, então a alta melhora a balança comercial. Mas o preço dos combustíveis internos tende a subir, pressionando a inflação e o bolso do consumidor.
O que faz o preço do petróleo subir tanto?
O principal fator atual é o risco de desabastecimento global causado pelo bloqueio no estreito de Ormuz, somado aos ataques consecutivos dos EUA contra o Irã.