Eu já perdi conta de quantas vezes, no meio de uma partida, fui taxado de "desistente" porque o jogo lagou e eu simplesmente... parei de responder. Pois é. Mas desistência de verdade, com consequências reais, é outra história. E a Polícia Federal acabou de jogar o veredito: o PAD contra Eduardo Bolsonaro terminou com relatório pela demissão do cargo de escrivão. A decisão final, agora, está nas mãos do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva.
A PF concluiu o PAD contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) com um relatório pela demissão do cargo de escrivão. A decisão final caberá ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, por abandono de função. Eduardo responde pelo PAD desde janeiro de 2026 por faltas injustificadas.
O que levou ao PAD contra Eduardo Bolsonaro
O processo começou em janeiro de 2026, depois que Eduardo Bolsonaro teve o mandato de deputado federal cassado em dezembro de 2025. O motivo? Ele ultrapassou o limite de faltas na Câmara. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ele era escrivão concursado da PF, mas estava licenciado para exercer o mandato. Com a cassação, a licença perdeu a razão de ser.
Em 2 de janeiro, a Diretoria de Gestão de Pessoas da PF publicou no Diário Oficial da União uma convocação de "retorno imediato ao exercício do cargo efetivo em sua lotação de origem". A mensagem era clara: não havia mais motivação para manter a licença. Eduardo, porém, continuou vivendo nos Estados Unidos e não se apresentou.
A condenação no STF e o green card
A situação de Eduardo Bolsonaro não se limitou ao âmbito administrativo. Em junho, a 1ª Turma do STF o condenou a 4 anos de prisão, em regime semiaberto, por tentar interferir no julgamento da trama golpista. O colegiado entendeu que ele pressionou autoridades norte-americanas a aplicar punições contra ministros do STF e a economia brasileira.
E, como se não bastasse, nesta semana o governo de Donald Trump concedeu a Eduardo Bolsonaro um "green card", documento que valida sua permanência nos Estados Unidos. Ou seja, enquanto o Brasil pede sua volta, os EUA dizem: fica aí.
O afastamento e o recolhimento da arma
O afastamento de Eduardo foi determinado pelo corregedor regional da PF em uma portaria assinada em 10 de fevereiro e publicada nesta 5ª feira. A medida era temporária e determinava o recolhimento de sua arma de fogo e da carteira funcional de funcionário da instituição. É como se a PF dissesse: "você não está mais no time, devolve o equipamento".
O que esperar agora?
A decisão final sobre a demissão cabe ao ministro Wellington César Lima e Silva. Ele pode acatar o relatório da PF ou não. Se confirmar a demissão, Eduardo Bolsonaro perde o cargo de escrivão concursado, algo que ele conquistou antes de virar deputado. Se não, o processo pode se arrastar por mais tempo, com recursos.
Perguntas Frequentes
O que é o PAD?
PAD é a sigla para Processo Administrativo Disciplinar, um procedimento interno da administração pública para apurar infrações de servidores.
Eduardo Bolsonaro pode recorrer da demissão?
Sim, cabe recurso administrativo antes da decisão final do ministro da Justiça, mas o relatório da PF já recomenda a demissão.
O green card interfere no processo?
Não diretamente. O green card é um documento de residência nos EUA, mas o PAD é um processo administrativo brasileiro, baseado em abandono de função.
Qual a diferença entre a condenação no STF e o PAD?
A condenação no STF é criminal (4 anos de prisão), enquanto o PAD é administrativo (demissão). São processos independentes.
O que acontece se ele for demitido?
Ele perde o cargo de escrivão da PF, mas a condenação criminal ainda pode ser cumprida em regime semiaberto.