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PF vê estratégia de Mendonça para anistia do 8/1

ResumoAndré Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, é alvo de hipótese levantada pela Polícia Federal sobre estratégia para alterar o equilíbrio da Corte e favorecer anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Documentos tornados públicos por Alexandre de Moraes embasam a suspeita. A investigação aponta possível uso de decisões monocráticas para influenciar o julgamento coletivo.

A PF levanta a hipótese de que André Mendonça busca alterar o equilíbrio no STF para abrir caminho a uma anistia dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Documentos foram tornados públicos por Moraes.

Igor Bastos
PF vê estratégia de Mendonça para anistia do 8/1

PF vê estratégia de Mendonça para anistia do 8/1 — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Morri de novo, e a culpa não é minha. Dessa vez, porém, a derrota não foi num boss de jogo, foi na política real, onde o respawn é mais caro que qualquer DLC. A Polícia Federal levantou a hipótese de que o ministro André Mendonça, do STF, estaria buscando alterar a correlação de forças dentro da Corte para abrir caminho a uma anistia que beneficie envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e na tentativa de golpe de Estado. A avaliação consta em relatórios de inteligência tornados públicos por Moraes na quinta-feira (3), que enviou o material ao presidente da Corte, Edson Fachin, ao apontar indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça.

Em um dos documentos, os analistas avaliam uma possível "estratégia de recomposição de forças no Tribunal". A hipótese é de que movimentos atribuídos a Mendonça pudessem ampliar sua influência dentro do STF e alterar o equilíbrio entre grupos de ministros. O relatório associa essa hipótese, entre outros pontos, ao apoio de Mendonça à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo e a movimentos envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

A PF afirma que uma mudança na composição ou no equilíbrio interno da Corte poderia aumentar as chances de uma anistia relacionada aos crimes de 8 de Janeiro. A CNN já havia revelado que o relatório menciona uma possível estratégia de Mendonça para ampliar seu poder no tribunal. Em uma tabela que organiza as hipóteses analisadas, a PF registra como uma das proposições que "a recomposição visa viabilizar anistia dos crimes de 8 de janeiro". Até 12 de agosto de 2025, o STF já havia responsabilizado 1.190 pessoas pelos atos antidemocráticos, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que indicou Mendonça ao Supremo.

A própria Polícia Federal, porém, atribui baixo grau de confiança a essa conclusão. Segundo a corporação, os relatórios usados por Moraes são "documentos de trabalho" e "sem valor probatório", que reúnem análises de cenário e diferentes graus de confiança, sem apresentar conclusões criminais definitivas. Moraes, por outro lado, usou o conjunto dos relatórios para afirmar que há "fortes indícios" de irregularidades praticadas por Mendonça na condução das operações Sem Desconto, sobre as fraudes no INSS, e Compliance Zero, relacionada ao Banco Master.

Entre as acusações apresentadas por Moraes estão interferência na condução das investigações, participação irregular em tratativas de colaboração premiada e direcionamento de alvos por motivos pessoais e políticos, inclusive ele próprio. O episódio integra a crise aberta no Supremo nesta semana após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que revelou mensagens e registros de contatos entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

No fim, fica a sensação de que, no xadrez do STF, cada movimento pode ser um cheque-mate ou um game over. E eu, aqui, só assistindo, com o controle na mão, sem saber se aperto start ou se desisto da partida. Mas, como todo gamer brasileiro, eu continuo jogando, porque desistir não é opção, e o próximo level pode trazer a reviravolta.

Igor Bastos

Editoria Destaques

Igor Bastos cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

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