# Pilotos da Voepass não relatavam falhas nas aeronaves, diz Cenipa

> O Cenipa informou que pilotos da Voepass não relatavam falhas nas aeronaves antes da queda do PS-VPB, em agosto de 2024. A investigação identificou 19 fatores contribuintes, destacando a cultura organizacional de normalizar desvios técnicos como causa do acidente.

*Blog Sem Juízo · Destaques · 24 de julho de 2026 · Sol Henriques*

O Cenipa divulgou nesta quinta-feira (23) que pilotos da Voepass não relatavam falhas nas aeronaves em voos anteriores à queda do PS-VPB, em agosto de 2024. A investigação apontou 19 fatores contribuintes, com destaque para a cultura organizacional de normalizar desvios técnicos.

## Pilotos da Voepass não relatavam falhas nas aeronaves, diz Cenipa

Sim, é verdade. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que pilotos da Voepass não relatavam falhas nas aeronaves em voos anteriores à queda do PS-VPB, em agosto de 2024. Em três tripulações diferentes que operaram a mesma aeronave, houve detecção de gelo e falha no sistema de degelo, mas nenhum relato foi registrado no diário de bordo. A prática era comum, indicando uma cultura organizacional de normalização de desvios.

## O que o Cenipa descobriu sobre a cultura de não reportar falhas

O Cenipa analisou os últimos voos anteriores do PS-VPB, realizados entre cidades do estado de São Paulo, com tripulações diferentes. Em todos eles, o sistema detectou gelo e houve falha no sistema que retira o gelo das partes do avião. Apesar disso, não houve relato dessas falhas no registro de bordo.

O Investigador-Encarregado do Cenipa, Tenente-Coronel Fróes, afirmou: "Três tripulações diferentes realizando normalização de desvio [de procedimento]. Fizemos uma análise mais ampla e notamos que outras tripulações também faziam isso, o que demonstra uma cultura organizacional".

## Manutenção insuficiente e troca de componentes entre aeronaves

As investigações mostraram que as manutenções nas aeronaves da Voepass não cumpriam requisitos necessários de segurança. Mecânicos entrevistados afirmaram que havia troca de componentes em falha entre aeronaves. Pegavam componentes em falha de uma aeronave, instalavam em outra e liberavam para voo. Na ocasião da queda, um representante da empresa afirmou que a aeronave havia passado por manutenção de rotina antes do voo e não apresentava nenhum problema técnico.

## O voo fatal: alertas ignorados e falhas no sistema de degelo

Durante o voo de Cascavel para Guarulhos, o sistema da aeronave alertou para o acúmulo de gelo várias vezes. O sistema também avisou, por oito vezes, que a velocidade da aeronave estava caindo em virtude do peso do gelo na fuselagem. O sistema de degelo chegou a ser acionado, mas apresentou falha e foi desligado pelos pilotos. Não houve mudança no plano de voo em virtude dessas falhas.

O procedimento correto, de acordo com o Cenipa, é reiniciar o sistema. Caso haja uma segunda falha, o sistema tem que ser desligado e a aeronave levada a voar em níveis mais baixos. Esse procedimento não foi adotado.

## Fatores que contribuíram para a perda de controle

Minutos antes da queda, o copiloto comentou que havia "bastante gelo" na aeronave. Próximo do destino, quando a aeronave passou a emitir vários alertas, os pilotos passaram a lidar com várias questões ao mesmo tempo: o procedimento de descida, os problemas com o gelo e a conversa com a torre de comando sobre autorização para pouso.

"O cérebro não consegue gerenciar aquelas informações em excesso. Isso pode ter comprometido a reação deles aos alertas", disse Fróes.

A demora em obter a liberação para pouso, o acúmulo de gelo, as falhas no sistema e a reação tardia dos pilotos contribuíram para a perda gradual de controle. O ATR-72 212A da Voepass entrou em rotação em parafuso, colidindo contra o solo.

## O que diz o relatório completo do Cenipa

O Cenipa analisou 15 mil voos da Voepass para entender possíveis padrões. Desses 15 mil, 1.674 voos tiveram algum tipo de alerta de degradação de performance. Um desses voos teve perda de controle em algum momento, mas o Cenipa nunca foi informado desse episódio. O chefe do Cenipa, Brigadeiro do Ar Avellar, afirmou: "O que podemos afirmar é que essa ocorrência foi um acidente com peso elevadíssimo da parte da cultura organizacional. Foram 19 fatores contribuintes, mas a cultura organizacional foi muito presente".

## Perguntas Frequentes

### Por que os pilotos da Voepass não relatavam as falhas?

Segundo o Cenipa, havia uma cultura organizacional de normalizar desvios técnicos. Pilotos recebiam alertas e desligavam os sistemas, mas não reportavam as falhas no diário de bordo.

### Quantos voos da Voepass tiveram alertas de degradação de performance?

O Cenipa analisou 15 mil voos e descobriu que 1.674 tiveram algum tipo de alerta de degradação de performance.

### O que aconteceu com o sistema de degelo durante o voo fatal?

O sistema foi acionado, mas apresentou falha e foi desligado pelos pilotos. O procedimento correto de reiniciar o sistema e voar em níveis mais baixos não foi adotado.

### Quantas pessoas morreram na queda do PS-VPB?

Foram 62 mortos no acidente, sendo 4 deles tripulantes. O turboélice da marca francesa ATR caiu em Vinhedo, interior de São Paulo.

### O que o Cenipa recomendou após a investigação?

O relatório completo do Cenipa está disponível para consulta. A investigação apontou 19 fatores contribuintes, com forte peso da cultura organizacional da Voepass.

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Fonte (canonical): https://blogsemjuizo.com.br/destaques/pilotos-voepass-nao-relatavam-falhas-aeronaves-diz-cenipa/
