A equipe jurídica do Partido Liberal (PL) protocolou nesta segunda-feira (20 de julho de 2026) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido de investigação contra o que classifica como uma rede de 20 mil perfis falsos nas plataformas da Meta. A representação, em sigilo, foi entregue pessoalmente ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, pelo coordenador da pré-candidatura presidencial do PL, senador Rogério Marinho (PL-RN), e pela advogada do partido, Maria Cláudia Bucchianeri.
O pedido em uma frase: O PL quer que o TSE investigue uma suposta organização criminosa que usava contas falsas para impulsionar propaganda negativa contra as pré-candidaturas de Flávio Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG).
Como o PL diz ter descoberto a rede de perfis falsos
De acordo com a advogada Maria Cláudia Bucchianeri, a campanha detectou um padrão suspeito na biblioteca de anúncios da Meta: perfis com menos de 50 seguidores estavam fazendo contratações de R$ 200 mil para impulsionar conteúdos políticos. Ela afirmou que as contas utilizavam CPFs falsos para comprar o impulsionamento e, em seguida, apagavam os perfis para não deixar rastros.
"O que nos causa espanto é o fato de as pessoas estarem escondidas, fazendo isso de uma forma absolutamente encoberta e de uma forma criminosa, inclusive, descumprindo uma resolução clara do nosso Tribunal Eleitoral, onde há uma proibição expressa sobre o impulsionamento de matérias negativas, além de mentirosas, falaciosas", declarou Bucchianeri.
Outro elemento citado pela advogada é o código de DDD (Discagem Direta a Distância) 041, de telefones do Paraná, que se repetia como padrão em várias contas que realizavam o impulsionamento.
O que o PL pede ao TSE
Na representação, o PL solicita que o ministro Kassio Nunes Marques decida liminarmente para autorizar a abertura de uma investigação sobre o caso. O objetivo é identificar os financiadores da operação, que o partido caracteriza como "organização criminosa para impulsionar conteúdos contra a direita".
O senador Rogério Marinho afirmou que Nunes Marques se comprometeu a avaliar o pedido o quanto antes. "Nós estamos pedindo que haja uma ampla investigação, que os perfis, evidentemente, sejam retirados, pelo menos a essa vinculação negativa e que se apure quem está por trás disso", disse o senador.
Por que o PL foi direto ao TSE e não à PF
Marinho explicou que a legenda optou por levar o pedido diretamente ao TSE, em vez de acionar a Polícia Federal ou o Ministério Público Federal (MPF). "Não estamos antecipando o resultado da investigação. Queremos apenas que ela aconteça e que possamos identificar aqueles que estão por trás dessa ação criminosa deliberada e planejada, que, de forma muito evidente, prejudica uma das candidaturas", declarou.
O senador ainda afirmou que, no momento, não é possível atribuir responsabilidade a adversários políticos do PL, como o PT ou partidos ligados à pré-candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele pediu que as autoridades exijam da Meta a relação dos financiadores das campanhas.
O padrão dos perfis falsos, segundo a defesa de Flávio
A coordenadora da equipe jurídica de Flávio Bolsonaro destacou que as apurações da legenda foram feitas apenas com informações públicas e que seria necessária a atuação de órgãos de investigação para chegar aos autores da rede. Ela apontou que o DDD 041 (Paraná) era um padrão expressivo nas contas que realizavam o impulsionamento.
Bucchianeri reforçou que, além de violar a resolução do TSE que proíbe impulsionamento de conteúdo negativo, a prática envolve falsificação de CPFs e uso de perfis efêmeros para ocultar os responsáveis.
Próximos passos da investigação
A representação está sob sigilo, e cabe ao ministro Kassio Nunes Marques decidir sobre o pedido liminar do PL. Caso autorizada, a investigação poderá envolver a quebra de sigilo de dados das contas na Meta e a identificação dos CPFs e financiadores por trás dos anúncios.
O partido aguarda a decisão do TSE para dar continuidade ao processo e espera que a plataforma colabore fornecendo informações sobre os pagamentos realizados.
Perguntas Frequentes
O que o PL alega sobre os perfis falsos?
O PL alega que identificou 20 mil perfis falsos na Meta que impulsionavam propaganda negativa contra as pré-candidaturas de Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Cleitinho Azevedo, usando CPFs falsos e DDD 041 do Paraná.
Quem levou o pedido ao TSE?
O senador Rogério Marinho (PL-RN) e a advogada Maria Cláudia Bucchianeri entregaram a representação ao ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE.
O que o PL pede na representação?
O partido pede a abertura de investigação para identificar os financiadores da rede de perfis falsos, que classifica como "organização criminosa para impulsionar conteúdos contra a direita".
Por que o PL não acionou a Polícia Federal?
O senador Rogério Marinho afirmou que a legenda preferiu levar o caso direto ao TSE, sem acionar PF ou MPF, e que não atribui responsabilidade a adversários políticos no momento.
Qual o padrão identificado nas contas?
Segundo a advogada, as contas tinham menos de 50 seguidores, contratavam anúncios de R$ 200 mil, usavam CPFs falsos e eram apagadas após o impulsionamento. O DDD 041 (Paraná) era um padrão expressivo.
O pedido está em sigilo?
Sim, a representação encaminhada ao TSE está em sigilo, e o ministro Nunes Marques se comprometeu a avaliar o caso o quanto antes.