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PMs investigados por homicídios são alvos de operação na Bahia: entenda

ResumoA Operação Mandacaru, deflagrada pelas polícias Civil e Militar da Bahia, cumpre mandados contra policiais militares investigados por homicídios de civis em Salvador e região metropolitana. A ação mira um grupo suspeito de executar vítimas, com contextos de abuso de autoridade e possíveis execuções sumárias.

Uma operação conjunta das polícias Civil e Militar da Bahia cumpre mandados contra policiais militares investigados por homicídios. A ação, deflagrada nesta semana, mira um grupo suspeito de executar civis em Salvador e região metropolitana. Entenda o contexto e as acusações.

Sol Henriques
PMs investigados por homicídios são alvos de operação na Bahia: entenda

PMs investigados por homicídios são alvos de operação na Bahia: entenda — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

PMs investigados por homicídios são alvos de operação na Bahia: o que se sabe

Uma operação conjunta das polícias Civil e Militar da Bahia cumpre mandados de prisão e busca e apreensão contra policiais militares investigados por homicídios. A ação, deflagrada nesta semana, mira um grupo suspeito de executar civis em Salvador e região metropolitana. Os PMs são acusados de participação em mortes ocorridas durante operações policiais, com indícios de execuções sumárias.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), a investigação começou após denúncias de familiares de vítimas e relatórios de organizações de direitos humanos. Os policiais são suspeitos de integrar um grupo de extermínio que atuava em comunidades carentes, especialmente na periferia de Salvador. A operação tem como base inquéritos do Ministério Público estadual e da Corregedoria da Polícia Militar.

O histórico de violência policial na Bahia

A Bahia lidera o ranking de mortes decorrentes de intervenções policiais no Brasil. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2024, a polícia baiana matou cerca de 1.500 pessoas, número que supera o de estados como Rio de Janeiro e São Paulo. A maioria das vítimas é jovem, negra e moradora de periferias.

A operação atual reflete um esforço do governo estadual de conter a letalidade policial. Em 2023, a SSP-BA criou um grupo de trabalho para investigar homicídios cometidos por policiais, com foco em casos de execução. A iniciativa foi criticada por entidades de defesa dos direitos humanos, que apontam lentidão nas apurações.

As acusações contra os PMs

Os policiais investigados são acusados de homicídio qualificado, fraude processual e formação de milícia. Segundo o Ministério Público, eles forjavam cenários de confronto para justificar as mortes. Em um dos casos, um PM é suspeito de ter executado um adolescente de 17 anos durante uma abordagem, sem que houvesse troca de tiros.

A operação cumpre mandados de prisão temporária e busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos. A Justiça também determinou o afastamento dos policiais de suas funções durante a investigação. A SSP-BA informou que os PMs serão submetidos a procedimentos administrativos internos.

Reações e próximos passos

A ação gerou reações de entidades de direitos humanos, que cobram transparência na apuração. A Ouvidoria da Polícia da Bahia pediu acesso aos autos do inquérito para acompanhar o caso. Já a Associação dos Policiais Militares da Bahia (APMB) criticou a operação, classificando-a como "perseguição" à categoria.

O Ministério Público afirmou que a investigação continua e que novas fases da operação podem ocorrer. A expectativa é que os PMs sejam indiciados nos próximos meses. A SSP-BA prometeu divulgar um balanço detalhado da operação após o cumprimento de todos os mandados.

O contexto nacional

O caso baiano se insere em um cenário nacional de violência policial. Em 2024, o Brasil registrou cerca de 6.000 mortes decorrentes de intervenções policiais, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A maioria dos casos ocorre em estados do Nordeste e Sudeste, com destaque para Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo.

Organizações como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch têm cobrado do governo federal medidas para reduzir a letalidade policial. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que estados implementem câmeras corporais nas fardas dos policiais, medida ainda não adotada na Bahia.

Perguntas Frequentes

Quantos PMs são investigados na operação?

A SSP-BA não divulgou o número exato de policiais investigados, mas a operação cumpre mandados contra um grupo de pelo menos 10 PMs suspeitos de envolvimento em homicídios.

Qual a pena para PMs condenados por homicídio?

Policiais condenados por homicídio qualificado podem pegar de 12 a 30 anos de prisão, além de perderem o cargo público. A pena pode ser aumentada se o crime for cometido com abuso de autoridade.

A operação tem relação com casos anteriores?

Sim. A investigação atual é desdobramento de inquéritos anteriores sobre mortes em operações policiais em Salvador, incluindo o caso do adolescente de 17 anos executado em 2024.

Como denunciar abusos policiais na Bahia?

Denúncias podem ser feitas à Ouvidoria da Polícia da Bahia pelo telefone 0800-284-0011 ou pelo site da SSP-BA. Também é possível acionar o Ministério Público estadual.

O que diz a SSP-BA sobre a operação?

A SSP-BA afirmou que a operação é parte de um esforço para coibir abusos e garantir que a polícia atue dentro da lei. A secretaria prometeu divulgar mais informações após o fim da ação.

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Sol Henriques

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Sol Henriques cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.