Por que as cidades dos EUA estão tomadas por fumaça? Entenda o fenômeno
Cidades dos Estados Unidos, de Nova York a Washington DC, amanheceram cobertas por uma densa camada de fumaça em junho de 2023. O fenômeno, que levou a alertas de qualidade do ar em várias regiões, tem causa direta: os incêndios florestais no Canadá. Em 2023, o país registrou a pior temporada de queimadas em décadas, com mais de 7,6 milhões de hectares queimados até julho, segundo o Centro Interagencial de Incêndios Florestais do Canadá (CIFFC). A fumaça é carregada para o sul por padrões de vento, afetando metrópoles americanas.
A origem da fumaça: incêndios florestais no Canadá
A fumaça que cobre as cidades dos EUA vem de incêndios florestais no Canadá, especialmente nas províncias de Quebec e Ontário. Dados do CIFFC indicam que, até julho de 2023, o Canadá já havia queimado uma área 10 vezes maior que a média dos últimos 10 anos. O número de incêndios ativos ultrapassou 500 em junho, muitos fora de controle.
"Estamos vendo uma temporada de incêndios sem precedentes em termos de área queimada", afirmou o ministro de Recursos Naturais do Canadá, Jonathan Wilkinson, em coletiva de imprensa em 7 de junho de 2023. A fumaça desses incêndios viajou centenas de quilômetros para o sul, impulsionada por sistemas de baixa pressão.
O papel das mudanças climáticas
As mudanças climáticas são um fator agravante. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), as temperaturas médias no Canadá aumentaram 1,7°C desde 1948, com aquecimento mais acentuado no norte. Isso cria condições mais secas e propícias para incêndios. A NOAA também aponta que a temporada de incêndios no Canadá começa mais cedo e termina mais tarde, com pico em julho.
Qualidade do ar nas cidades afetadas
A fumaça levou a uma deterioração significativa da qualidade do ar nos EUA. Em Nova York, o índice de qualidade do ar (AQI) atingiu 405 em 7 de junho de 2023, classificado como "perigoso" pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA). Em Washington DC, o AQI chegou a 301, também em nível perigoso. A EPA recomenda que, em níveis acima de 300, todos evitem atividades ao ar livre.
A escala AQI da EPA vai de 0 a 500, com valores acima de 300 considerados emergenciais. A exposição prolongada a partículas finas (PM2.5), presentes na fumaça, pode causar problemas respiratórios e cardiovasculares, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Comparação com temporadas anteriores
A temporada de 2023 superou recordes anteriores. Em 2021, o Canadá queimou 4,2 milhões de hectares na temporada inteira; em 2023, esse número foi ultrapassado em junho. A área queimada em 2023 até julho equivale a mais de 10 milhões de campos de futebol, segundo cálculos do governo canadense.
O que esperar para os próximos dias
A previsão do Serviço Meteorológico Nacional dos EUA (NWS) indica que os ventos devem continuar trazendo fumaça para o nordeste dos EUA até pelo menos 10 de junho de 2023. As condições de seca no Canadá devem persistir, mantendo o risco de novos incêndios. A NOAA projeta que a temporada de incêndios de 2023 pode se estender até outubro.
Como se proteger da fumaça
A EPA recomenda o uso de máscaras N95 ou P100 ao ar livre em áreas com AQI acima de 200. Manter janelas fechadas e usar purificadores de ar com filtro HEPA também ajuda. Para mais dicas, veja como melhorar a qualidade do ar em casa.
Perguntas Frequentes
Por que a fumaça dos incêndios no Canadá chega aos EUA?
A fumaça é transportada por correntes de vento de oeste para leste, movendo-se do Canadá para o nordeste dos EUA. Sistemas de baixa pressão intensificam esse fluxo.
Qual a diferença entre AQI perigoso e moderado?
O AQI perigoso (acima de 300) exige que todos evitem atividades ao ar livre. Moderado (51-100) é aceitável para a maioria, mas sensíveis devem reduzir exposição.
Os incêndios no Canadá são piores que em anos anteriores?
Sim. Em 2023, a área queimada até julho foi 10 vezes maior que a média dos últimos 10 anos, segundo o CIFFC.
Como saber a qualidade do ar na minha cidade?
Consulte o site AirNow da EPA ou aplicativos como IQAir, que monitoram AQI em tempo real.
A mudança climática é a única causa?
Não, mas é um fator agravante. Secas e temperaturas mais altas criam condições para incêndios mais intensos e frequentes.