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Postura do Irã não muda após ataques e Trump fica com poucas opções

ResumoO Irã mantém postura inalterada após duas semanas de bombardeios dos EUA. O presidente Donald Trump enfrenta opções limitadas: escalar o conflito com tropas terrestres, aceitar ataques contínuos ou buscar uma saída diplomática. O Catar ameaça abandonar a mediação entre as partes.

Após duas semanas de bombardeios, a postura do Irã não muda. Trump fica com poucas opções: escalar com tropas, aceitar ataques intermináveis ou buscar saída diplomática. O Catar ameaça deixar mediação.

Sol Henriques
Postura do Irã não muda após ataques e Trump fica com poucas opções

Postura do Irã não muda após ataques e Trump fica com poucas opções — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Postura do Irã não muda após onda de ataques e Trump fica com poucas opções

Após duas semanas de uma nova campanha de bombardeios contra o Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insiste que o país do Oriente Médio está "desesperado" para pôr fim ao conflito. No entanto, a postura do Irã não muda após onda de ataques, e Trump fica com poucas opções viáveis.

Tanto a CIA quanto a Agência de Inteligência de Defesa dos EUA avaliaram recentemente que o tipo de bombardeio que o país está realizando dificilmente alterará a posição de negociação iraniana, segundo duas autoridades americanas a par dessas avaliações.

O Catar ameaça abandonar mediação entre EUA e Irã

O principal mediador entre os dois lados, o Catar, ameaçou abandonar as negociações depois que o Irã atacou um navio-tanque catariano no início deste mês. Isso representaria uma perda devastadora e possivelmente irreparável para os esforços diplomáticos, segundo duas fontes do governo americano.

O Estreito de Ormuz, uma via econômica vital, permanece em grande parte bloqueado depois que o Irã insistiu em ter autoridade para controlar o tráfego, impondo seu poder por meio de ações esporádicas com drones e ameaças de minas.

As opções de Trump: escalada, aceitação ou saída diplomática

Trump poderia escalar o conflito enviando tropas terrestres, uma ameaça que fez repetidamente ao falar sobre ocupar a Ilha de Kharg ou remover o urânio altamente enriquecido do Irã. Isso violaria ainda mais uma promessa fundamental feita à sua base "MAGA" (Make America Great Again): "Não enviarei vocês para lutar e morrer em guerras estrangeiras estúpidas que nunca terminam", disse ele durante um comício de campanha na Pensilvânia.

Trump também sinalizou que os EUA planejam atacar uma suposta instalação nuclear sob a Montanha Pickaxe, localizada perto da instalação nuclear de Natanz, no interior do país.

Ou então ele poderia aceitar um status quo perigoso: rodadas intermináveis de ataques e contra-ataques com o Irã, que provavelmente custariam mais vidas americanas e deixariam o Estreito de Ormuz em um estado de perigo constante, assemelhando-se às "guerras sem fim" que ele tanto criticou.

Na quarta-feira (22), Trump pareceu sinalizar esse caminho em uma publicação na rede social Truth Social, prometendo que "sempre que a República Islâmica do Irã disparar contra um navio no Estreito de Ormuz... os Estados Unidos bombardearão e destruirão UMA PONTE OU USINA DE ENERGIA".

Duas guerras diferentes: escalada vertical vs. horizontal

O principal problema para o governo dos EUA é que, embora suas forças militares convencionais sejam muito superiores às de Teerã, os dois lados estão travando guerras diferentes. A Casa Branca está promovendo uma escalada vertical, atingindo alvos cada vez mais sensíveis e valiosos dentro do Irã e expandindo gradualmente a área geográfica das operações, na tentativa de alterar os cálculos estratégicos da República Islâmica.

Já o Irã, cujas defesas aéreas e capacidades de lançamento de mísseis foram degradadas por ataques americanos, está optando por uma escalada horizontal: atacando aliados dos EUA na região e infraestruturas civis para incitar a comunidade internacional a pressionar Trump por um fim do conflito.

A CNN entrou em contato com a DIA (Agência de Inteligência de Defesa dos EUA) e com a embaixada do Catar em Washington, D.C., mas não obteve comentários antes da publicação desta matéria. A CIA recusou-se a comentar.

"Neste momento, o presidente está focado em fazer o Irã pagar pelas violações do MOU (memorando de entendimento) e pelos contínuos atos de terrorismo no Estreito de Ormuz", disse uma autoridade dos EUA à CNN. "Além disso, o presidente fará o Irã pagar pelas mortes recentes de soldados americanos. Esses golpes devastadores continuarão até que o presidente decida o contrário, mas as negociações entre nossos países prosseguem. O presidente Trump tem todas as cartas e todas as opções à sua disposição", adicionou.

Ameaça Houthi e pressão no Senado dos EUA

Potencializando a crescente pressão econômica, surgem novas ameaças do grupo Houthi, alinhado ao Irã, que afirmou que atacará navios que passem por Bab al-Mandab, a passagem para o Mar Vermelho que tem servido como válvula de escape para parte do petróleo da Arábia Saudita durante o conflito. O grupo alegou ter atacado dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho na madrugada desta quinta-feira (23).

Na terça-feira (21), altos funcionários da área de defesa enfrentaram forte pressão de legisladores do Comitê de Apropriações do Senado, que exigiam uma estratégia clara para a guerra. "Precisamos de respostas concretas e de franqueza", disse na quarta o senador John Kennedy, republicano da Louisiana, pressionando o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o Chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, sobre as consequências de uma eventual retirada dos Estados Unidos do conflito.

Inicialmente, Trump e Hegseth haviam declarado vitória, logo no início do conflito, insistindo que o Irã havia sido derrotado militarmente. Sob intensa pressão da Casa Branca para provar que a guerra está indo bem, Hegseth e o comandante do Centcom (Comando Central dos Estados Unidos), Almirante Brad Cooper, tomaram medidas para restringir o compartilhamento de informações sobre o conflito com outros setores das Forças Armadas e da comunidade de inteligência, conforme noticiado anteriormente pela CNN.

Efeitos econômicos e a capacidade do Irã de resistir

Embora suas Forças Armadas tenham sido inquestionavelmente debilitadas, o Irã começou a atacar a infraestrutura energética em toda a região do Golfo, intensificando as consequências econômicas do conflito não apenas para os Estados Unidos, mas também para seus aliados. Isso gerou pressões constantes por parte dos aliados para que os EUA reduzissem suas operações militares e buscassem um acordo capaz de reabrir o Estreito de Ormuz e acabar com a ameaça aos países vizinhos.

O regime iraniano demonstrou disposição para suportar danos econômicos e militares, acreditando que poderia resistir mais tempo do que o interesse político de Trump na continuidade do conflito, afirmou Alex Vatanka, analista do Middle East Institute em Washington especializado no Irã. No entanto, isso não significa que os líderes do país possam se dar ao luxo de permitir que a guerra se prolongue indefinidamente.

"Aqueles que se opõem à diplomacia partem da premissa fundamental de que os EUA nunca cumprem o que prometem. Mas não são essas as pessoas que governam o Irã hoje", disse Vatanka. "Eles podem não gostar de Trump ou não confiar nos EUA, mas ainda assim consideram essa opção melhor do que arriscar uma guerra sem prazo para terminar", comentou.

Os Estados Unidos também retomaram um bloqueio que, na avaliação de alguns analistas, pode estar sendo mais eficaz para levar o Irã a fazer concessões do que os bombardeios. Mas, por enquanto, a capacidade do país do Oriente Médio de ameaçar o Estreito de Ormuz, e seus vizinhos, continua sendo sua principal fonte de influência.

A República Islâmica também percebeu que pode utilizar ataques direcionados à infraestrutura energética dos países do Golfo como uma capacidade assimétrica, estratégia que empregou com grande eficácia durante a guerra. Essa ferramenta não deixará de existir, afirmou uma segunda fonte a par das avaliações de inteligência dos EUA.

Autoridades do governo Trump insistem que o objetivo do conflito continua sendo impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear. No entanto, essa mensagem tem sido prejudicada pela insistência do governo de que havia "aniquilado" as capacidades nucleares iranianas em uma série de ataques no ano passado. Desde que Trump iniciou essa guerra, o fechamento do Estreito de Ormuz tornou-se a questão central do conflito.

"Esta é uma campanha de bombardeios em busca de uma estratégia", disse Joe Kent, ex-integrante do governo Trump nomeado para cargo político, que renunciou devido à escalada que antecedeu o conflito, em uma publicação no X. "Estamos optando pela escalada quando a desescalada ainda é uma opção, aprofundando nosso envolvimento em uma guerra mais ampla que não temos capacidade nem vontade de sustentar. Não existe aqui uma solução militar que leve à vitória", continuou Kent. "Mais bombardeios não convencerão o Irã a liberar o Estreito de Ormuz."

Perguntas Frequentes

Por que a postura do Irã não muda após os ataques?

Segundo avaliações da CIA e da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA, o tipo de bombardeio realizado dificilmente altera a posição de negociação iraniana. O Irã aposta em uma escalada horizontal, atacando aliados e infraestrutura civil para pressionar a comunidade internacional.

O Catar realmente ameaçou abandonar a mediação?

Sim. O Catar, principal mediador entre EUA e Irã, ameaçou abandonar as negociações depois que o Irã atacou um navio-tanque catariano no início de maio. Isso representaria uma perda devastadora para os esforços diplomáticos.

Quais são as opções de Trump para o conflito?

Trump pode escalar com tropas terrestres, aceitar ataques intermináveis ou buscar uma saída diplomática. Ele também sinalizou atacar uma suposta instalação nuclear sob a Montanha Pickaxe, perto de Natanz.

O que é o Estreito de Ormuz e por que é importante?

É uma via econômica vital que permanece bloqueada pelo Irã. O país insiste em controlar o tráfego e impõe seu poder com drones e ameaças de minas. O fechamento tornou-se a questão central do conflito.

O grupo Houthi está envolvido no conflito?

Sim. O grupo Houthi, alinhado ao Irã, afirmou que atacará navios que passem por Bab al-Mandab, a passagem para o Mar Vermelho. O grupo alegou ter atacado dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho.

Há pressão no Congresso dos EUA por uma estratégia?

Sim. Altos funcionários de defesa enfrentaram forte pressão de legisladores do Comitê de Apropriações do Senado, que exigiam respostas concretas sobre a guerra. O senador John Kennedy pressionou o Secretário de Defesa sobre as consequências de uma retirada.

Sol Henriques

Editoria Destaques

Sol Henriques cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.