# Inquérito sobre Lulinha no STF: professora questiona razões

> Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) é alvo de novo inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) após pedido de investigação que reacende o debate jurídico. A professora da FGV questiona a competência do STF para analisar o caso, apontando três fundamentos jurídicos que geram estranhamento sobre a condução processual. A análise acadêmica destaca lacunas na justificativa da corte.

*Blog Sem Juízo · Destaques · 04 de agosto de 2026 · Tomás Wenzel*

O novo pedido de investigação sobre Fábio Luís Lula da Silva reacende o debate jurídico. Professora da FGV aponta estranhamento e três questões fundamentais sobre a competência do STF.

## Por que o inquérito sobre Lulinha está no STF? Professora da FGV aponta lacunas

O novo pedido de investigação relacionado a Fábio Luís Lula da Silva voltou a acender o debate jurídico no Brasil. Em entrevista ao WW desta segunda-feira (3), Luisa Moraes Abreu Ferreira, professora de Direito Penal da FGV, comentou o caso. Ela destacou que o embate entre a Polícia Federal e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, gera, em primeira instância, um estranhamento no cidadão comum.

"A gente fica sem saber quem está protegendo quem e quando", disse.

## O que se sabe até agora sobre o caso

Segundo a professora, o que foi divulgado até o momento é que Lulinha seria um suposto sócio-oculto de Antônio Carlos Camilo Antunes, o "careca do INSS". No entanto, ela ressaltou que ainda há muito a ser esclarecido para estabelecer uma relação clara entre Lulinha, Antunes e algum agente com foro privilegiado que justifique a presença do inquérito no STF.

"É preciso entender por que este caso está no Supremo, se há conexão com o caso do INSS que justifique que este caso esteja sob a relatoria do André Mendonça", afirmou.

## A disputa entre a PF e o STF

A professora explicou que, de acordo com o que foi relatado pela imprensa, a Polícia Federal teria pedido uma distribuição livre do inquérito. A PF teria argumentado que o caso não teria necessariamente ligação com as demais investigações envolvendo Lulinha e, portanto, não precisaria ser direcionado a André Mendonça.

Ao chegar ao STF, porém, o processo foi distribuído justamente ao ministro. Isso indicaria que a Corte reconheceu uma conexão entre os inquéritos.

"E eu me pergunto: quem é que quer que este caso esteja com o André Mendonça? O Supremo gosta de estar com casos que eles querem ter algum tipo de controle, mas qual ala do Supremo se interessa [pelo caso]", questionou Ferreira.

A professora também levantou dúvidas sobre os motivos pelos quais a Polícia Federal não desejava que o caso ficasse sob responsabilidade do ministro, e se isso se deveria a uma eventual cobrança mais rigorosa da PF por parte de Mendonça.

## Três questões que seguem em aberto

Do ponto de vista jurídico, Ferreira apontou que permanecem em aberto três questões fundamentais:

- Qual é a conexão do novo inquérito com os demais?
- Por que foi necessária a abertura de um novo procedimento investigativo?
- Qual é a autoridade com foro privilegiado que justifica que o caso esteja no STF e não na primeira instância, como ocorre em uma investigação comum?

"A gente sabe que este caso não tem nada de comum, mas, quando se traz uma investigação para o Supremo Tribunal Federal, isso precisa ser bem justificado", concluiu a professora. Ela lembrou que debate semelhante já ocorreu no âmbito da ação penal sobre a trama golpista.

## Perguntas Frequentes

### Quem é Luisa Moraes Abreu Ferreira?

É professora de Direito Penal da FGV e comentou o caso em entrevista ao WW.

### O que a professora questiona sobre o inquérito?

Ela questiona por que o caso está no STF e se há conexão com o caso do INSS que justifique a relatoria de André Mendonça.

### Qual é o papel da Polícia Federal no caso?

Segundo a professora, a PF teria pedido distribuição livre do inquérito, argumentando que não haveria ligação necessária com as demais investigações.

### O que é foro privilegiado?

É a prerrogativa que alguns agentes públicos têm de serem julgados em tribunais superiores, como o STF, em vez da primeira instância.

### O que a professora diz sobre a conexão entre Lulinha e Antunes?

Ela afirma que ainda não está clara a relação entre Lulinha, Antunes e algum agente com foro privilegiado.

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Fonte (canonical): https://blogsemjuizo.com.br/destaques/professora-questiona-razoes-inquerito-sobre-lulinha-estar-stf/
