Por que o inquérito sobre Lulinha está no STF? Professora da FGV aponta lacunas
O novo pedido de investigação relacionado a Fábio Luís Lula da Silva voltou a acender o debate jurídico no Brasil. Em entrevista ao WW desta segunda-feira (3), Luisa Moraes Abreu Ferreira, professora de Direito Penal da FGV, comentou o caso. Ela destacou que o embate entre a Polícia Federal e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, gera, em primeira instância, um estranhamento no cidadão comum.
"A gente fica sem saber quem está protegendo quem e quando", disse.
O que se sabe até agora sobre o caso
Segundo a professora, o que foi divulgado até o momento é que Lulinha seria um suposto sócio-oculto de Antônio Carlos Camilo Antunes, o "careca do INSS". No entanto, ela ressaltou que ainda há muito a ser esclarecido para estabelecer uma relação clara entre Lulinha, Antunes e algum agente com foro privilegiado que justifique a presença do inquérito no STF.
"É preciso entender por que este caso está no Supremo, se há conexão com o caso do INSS que justifique que este caso esteja sob a relatoria do André Mendonça", afirmou.
A disputa entre a PF e o STF
A professora explicou que, de acordo com o que foi relatado pela imprensa, a Polícia Federal teria pedido uma distribuição livre do inquérito. A PF teria argumentado que o caso não teria necessariamente ligação com as demais investigações envolvendo Lulinha e, portanto, não precisaria ser direcionado a André Mendonça.
Ao chegar ao STF, porém, o processo foi distribuído justamente ao ministro. Isso indicaria que a Corte reconheceu uma conexão entre os inquéritos.
"E eu me pergunto: quem é que quer que este caso esteja com o André Mendonça? O Supremo gosta de estar com casos que eles querem ter algum tipo de controle, mas qual ala do Supremo se interessa [pelo caso]", questionou Ferreira.
A professora também levantou dúvidas sobre os motivos pelos quais a Polícia Federal não desejava que o caso ficasse sob responsabilidade do ministro, e se isso se deveria a uma eventual cobrança mais rigorosa da PF por parte de Mendonça.
Três questões que seguem em aberto
Do ponto de vista jurídico, Ferreira apontou que permanecem em aberto três questões fundamentais:
- Qual é a conexão do novo inquérito com os demais?
- Por que foi necessária a abertura de um novo procedimento investigativo?
- Qual é a autoridade com foro privilegiado que justifica que o caso esteja no STF e não na primeira instância, como ocorre em uma investigação comum?
"A gente sabe que este caso não tem nada de comum, mas, quando se traz uma investigação para o Supremo Tribunal Federal, isso precisa ser bem justificado", concluiu a professora. Ela lembrou que debate semelhante já ocorreu no âmbito da ação penal sobre a trama golpista.
Perguntas Frequentes
Quem é Luisa Moraes Abreu Ferreira?
É professora de Direito Penal da FGV e comentou o caso em entrevista ao WW.
O que a professora questiona sobre o inquérito?
Ela questiona por que o caso está no STF e se há conexão com o caso do INSS que justifique a relatoria de André Mendonça.
Qual é o papel da Polícia Federal no caso?
Segundo a professora, a PF teria pedido distribuição livre do inquérito, argumentando que não haveria ligação necessária com as demais investigações.
O que é foro privilegiado?
É a prerrogativa que alguns agentes públicos têm de serem julgados em tribunais superiores, como o STF, em vez da primeira instância.
O que a professora diz sobre a conexão entre Lulinha e Antunes?
Ela afirma que ainda não está clara a relação entre Lulinha, Antunes e algum agente com foro privilegiado.
