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Quem é Renan Santos, candidato do Missão à Presidência

ResumoRenan Santos, candidato do partido Missão à Presidência, oficializa neste sábado (1º) seu plano de governo em São Paulo. Nascido na Mooca, o político se define como escritor e guitarrista. As propostas centrais de Renan Santos incluem 'tolerância zero' no combate ao crime e a 'desfavelização do Brasil'. A trajetória do candidato é marcada por atuação em movimentos sociais e defesa de pautas conservadoras.

Renan Santos, presidente do partido Missão, oficializa neste sábado (1º) seu plano de governo em São Paulo. Nascido na Mooca, ele se define como escritor e guitarrista. Suas propostas incluem 'tolerância zero' no combate ao crime e a 'desfavelização do Brasil'. Entenda sua trajet

Babi Cordeiro
Quem é Renan Santos, candidato do Missão à Presidência

Quem é Renan Santos, candidato do Missão à Presidência — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Quem é Renan Santos, candidato do partido Missão à Presidência

O partido Missão oficializa neste sábado (1º), em São Paulo, o plano de governo da candidatura de Renan Santos à Presidência da República. A cerimônia marca a consolidação de uma trajetória que começou nos protestos de 2013 e passou pela fundação do MBL até a criação da própria legenda. Para quem acompanha a eleição, entender quem é Renan Santos e o que ele propõe ajuda a dimensionar o impacto de sua candidatura no cenário político.

Renan Santos: de guitarrista a presidente do partido Missão

Nascido em 14 de fevereiro de 1984, em São Paulo, e criado no bairro da Mooca, Renan se define, em seu site, como escritor, presidente do Missão e guitarrista. A trajetória política começou durante a passagem pelo curso de Direito na USP (Universidade de São Paulo). No entanto, não concluiu a graduação e deixou a faculdade para trabalhar com o pai em um grupo empresarial.

Foi durante o governo de Dilma Rousseff que o presidenciável ganhou notoriedade. Ele participou das manifestações de junho de 2013, período em que começou a se destacar na organização e na convocação de atos. No fim de 2014, fundou formalmente o MBL (Movimento Brasil Livre), que passou a atuar em campanhas e protestos contra o governo petista, em apoio à Operação Lava Jato e ao combate à corrupção, além de defender o impeachment de Dilma Rousseff.

Após a consolidação do grupo no debate político, Renan participou dos bastidores das campanhas de aliados do MBL a cargos nos poderes Legislativo e Executivo por outros partidos, como Democratas, Patriota, Podemos e União Brasil, antes da criação do partido Missão.

O rompimento com Bolsonaro e a criação do Missão

Durante a primeira campanha de Jair Bolsonaro à Presidência da República, Renan e o MBL chegaram a apoiar a candidatura do ex-presidente. Pouco depois do início do governo, porém, distanciaram-se e romperam formalmente com Bolsonaro por causa de divergências relacionadas a pautas econômicas e de combate à corrupção.

Em outubro de 2023, Renan Santos e seus aliados políticos do MBL mobilizaram-se pela criação do partido Missão. Em novembro de 2025, a legenda foi homologada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e tornou-se a 30ª sigla apta a disputar eleições. Atualmente, o Missão conta com um deputado federal, um deputado estadual e três vereadores eleitos. A legenda, no entanto, projeta lançar 450 candidatos próprios aos cargos de deputado federal e estadual nas eleições deste ano.

O presidente do partido Missão define a si mesmo e o grupo como de "direita não bolsonarista". Essa posição busca diferenciar sua candidatura tanto do governo atual quanto de outras forças da direita tradicional.

Segurança pública: 'prendeu, matou' e a meta de 10 mil homicídios

Ele afirma que o combate ao crime é um dos pilares centrais de sua visão política para o país e defende uma postura de "tolerância zero", popularizada pela expressão "prendeu, matou": reagiu bem à abordagem, "prendeu"; caso contrário, "matou". Em seu site, também diz apoiar-se em dois eixos principais: o confronto direto com integrantes de facções, com um Estado "forte e decisivo", e o que resume como "bandeira, quartel e escola".

Essa segunda proposta defende um planejamento cívico de longo prazo, no qual a soberania e o orgulho nacional, aliados à ordem, à disciplina e a uma formação educacional sólida, são considerados pelo candidato alicerces para prevenir o crime organizado.

Na entrevista à CNN Brasil na última sexta-feira (31), Renan Santos disse que uma das metas de seu eventual governo seria reduzir o número anual de homicídios no país para 10 mil. Segundo Renan, esse total representaria uma meta "confortável", tendo em vista o objetivo de chegar a 5 mil homicídios anuais: "Seria um número que o Brasil não atinge há décadas. Uma vitória objetiva se alcançarmos."

De acordo com o Atlas da Violência, o Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025. O dado equivale a quase 20 mortes por 100 mil habitantes. Ou seja, a meta de 10 mil representaria uma queda de aproximadamente 75% em relação ao número atual, um desafio que o próprio candidato reconhece como ousado.

A 'desfavelização do Brasil': a principal pauta social

Em entrevista à CNN Brasil, o candidato também afirmou que sua principal pauta social é o que chamou de "desfavelização do Brasil". Para ele, a habitação é uma área que não soa como política social tradicional, mas que congrega problemas transversais do país.

"Todas as áreas estão muito mal, mas tem uma área que não soa como política social, que é a habitação. As favelas congregam de maneira transversal todos os grandes problemas do Brasil", disse Renan.

Renan propõe, em seu plano de governo, a reforma dos espaços urbanos das comunidades, a concessão de títulos de propriedade e a atração de empregos para essas áreas, a fim de evitar longos deslocamentos. Ele afirma que se trata da política social de "maior impacto", pois as favelas se tornam "um vetor de problemas".

"Muita gente diz que eu defendo Estado mínimo. Mas, na minha ideia, isso tem muito Estado. Ali, o Estado está completamente ausente e a vida das pessoas está muito ruim. As pessoas não são cidadãs ali, elas apenas arcam com deveres, já que o Estado não está presente e não dá os direitos fundamentais", completou.

Economia: PEC da Transição e ajuste de R$ 1,1 trilhão

Para a economia, o candidato à Presidência prometeu apresentar uma "PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Transição", que preveria um ajuste fiscal de R$ 1,1 trilhão até 2031 e imporia cortes de despesas, como a desindexação de benefícios e a desvinculação de pisos. A medida se baseia em uma PEC apresentada por Kim Kataguiri no fim de 2024.

Essa proposta indica uma orientação fiscal austera, com foco na redução de gastos obrigatórios. A desindexação de benefícios e a desvinculação de pisos são mecanismos que alteram a correção automática de despesas, o que pode gerar impacto direto no bolso do cidadão, dependendo de como forem implementados.

Para o eleitor, entender essa PEC é relevante porque ela pode afetar desde a aposentadoria até programas sociais. A proposta de Renan sinaliza uma prioridade clara para o ajuste das contas públicas, em detrimento de expansão de gastos.

Relação com Bukele e a questão da reeleição

Renan também foi questionado sobre sua relação com o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, de quem diz admirar as políticas de segurança pública. No entanto, ele faz uma ressalva importante sobre a reeleição indefinida.

"No aspecto da reeleição infinita, Bukele não é uma referência a ser seguida. Não acho que é uma ditadura, mas é uma questão de saber se ele vai resistir a essa tentação. Espero que resista, mas, se não, não será exemplo", disse Renan.

Questionado sobre o que faria caso não cumprisse as metas em um eventual governo, Renan disse que não teria problema em reconhecer possíveis erros e descartaria uma candidatura à reeleição.

"Se eu não atingir a meta, prefiro ser julgado pelos meus pares como alguém que falhou. Vamos fazer uma correção de rota e, ao ver que não sou um líder bom o suficiente, não concorro mais à Presidência. Essa é a vergonha na cara que tem que ter", declarou.

Fora da política: Revista Valete e a banda Limão Rosa

Atualmente, além de presidir o Missão, Renan Santos é autor e editor-chefe da Revista Valete, publicação criada pelo MBL que se propõe a discutir política e cultura. O presidenciável também integra a banda Limão Rosa, na qual atua como guitarrista e vocalista ao lado do copartidário Arthur do Val e de Gustavo Moledo.

Essa faceta cultural pode ajudar a explicar sua comunicação com o eleitorado jovem e sua habilidade em transitar entre o debate político e a produção de conteúdo. A Revista Valete, em particular, funciona como um canal de difusão de suas ideias.

O que a candidatura de Renan Santos significa para você

A candidatura de Renan Santos representa uma novidade no espectro político: uma direita que se define como "não bolsonarista", mas que defende linha dura na segurança pública. Para o eleitor, isso significa uma opção que combina pautas de segurança com um discurso de ruptura com o establishment.

As propostas de "desfavelização" e a PEC da Transição mostram um candidato que quer atacar problemas estruturais, mas com forte ênfase no ajuste fiscal. A meta de reduzir homicídios para 10 mil por ano, se cumprida, teria um impacto profundo na qualidade de vida nas periferias.

Para quem acompanha a política, fica a pergunta: será que o Missão consegue transformar essa agenda em votos? A legenda projeta lançar 450 candidatos próprios, o que pode pulverizar o discurso ou, ao contrário, criar uma base de apoio capilarizada.

Perguntas Frequentes

Renan Santos é bolsonarista?

Não. Renan Santos define a si mesmo e ao partido Missão como de "direita não bolsonarista". Ele apoiou Bolsonaro na primeira campanha, mas rompeu formalmente com o ex-presidente por divergências em pautas econômicas e de combate à corrupção.

Qual é a principal proposta de Renan Santos?

A principal pauta social é a "desfavelização do Brasil", que inclui reforma urbana, concessão de títulos de propriedade e atração de empregos para comunidades. Na segurança, ele defende "tolerância zero" e uma meta de 10 mil homicídios anuais.

O que é a PEC da Transição proposta por Renan?

É uma proposta de emenda à Constituição que prevê um ajuste fiscal de R$ 1,1 trilhão até 2031, com cortes de despesas e desindexação de benefícios. A medida se baseia em uma PEC apresentada por Kim Kataguiri em 2024.

Quantos candidatos o partido Missão vai lançar?

O partido projeta lançar 450 candidatos próprios aos cargos de deputado federal e estadual nas eleições deste ano. Atualmente, a legenda conta com um deputado federal, um deputado estadual e três vereadores.

Renan Santos vai concorrer à reeleição se não cumprir as metas?

Não. Renan afirmou que, se não atingir as metas em um eventual governo, não concorreria à reeleição, preferindo ser julgado como alguém que falhou e fazer uma "correção de rota".

Babi Cordeiro

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Babi Cordeiro cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

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