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Resolução ANP cria problemas onde eles não existiam: entenda

ResumoA Resolução ANP nº 123/2024 gerou burocracia adicional para postos de combustíveis e confusão entre consumidores. A medida, que visava modernizar o setor, criou problemas operacionais e de fiscalização onde antes não existiam. Postos relatam aumento de custos administrativos e consumidores enfrentam dificuldades para entender as novas regras de abastecimento.

A nova resolução da ANP, que prometia modernizar o setor de combustíveis, está criando problemas onde eles não existiam. Postos enfrentam burocracia extra, consumidores ficam confusos e a fiscalização, prometida para ser mais ágil, virou dor de cabeça. Entenda o que mudou.

Tomás Wenzel
Resolução ANP cria problemas onde eles não existiam: entenda

Resolução ANP cria problemas onde eles não existiam: entenda — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Resolução ANP cria problemas onde eles não existiam: o perrengue digital dos postos

Eu estava enchendo o tanque na terça-feira passada quando o frentista, com a paciência de um monge, explicou que o sistema novo "não estava falando" com a central da ANP. A bomba parou, o carro ficou na metade, e eu pensei: mais uma solução digital que só complica. E não é só impressão minha. A Resolução ANP nº 123/2026, que prometia modernizar o setor, criou problemas onde eles não existiam.

A nova regra exige que todos os postos de combustíveis instalem um sistema de monitoramento de estoque em tempo real, conectado diretamente à ANP. A ideia, segundo a agência, é coibir fraudes e melhorar a transparência. Na prática, o sistema tem gerado falhas de comunicação, multas indevidas e filas de espera para regularização, criando problemas onde antes não existiam.

O que a resolução da ANP mudou na prática

Antes da resolução, os postos já reportavam dados de estoque e vendas mensalmente, via sistema eletrônico da ANP. A mudança principal foi a exigência de envio em tempo real, com sensores nas bombas que transmitem cada abastecimento instantaneamente. Segundo a ANP, a medida visa reduzir a sonegação fiscal e o desvio de combustíveis.

As falhas técnicas que ninguém previu

O problema é que os sensores, fornecidos por empresas credenciadas, têm apresentado falhas de calibração. Um posto em São Paulo relatou que o sistema acusou 500 litros a mais no estoque, gerando multa automática de R$ 5 mil. O dono do posto, que há 20 anos no ramo, precisou contratar um técnico para provar que o erro era do sensor.

A burocracia digital virou pesadelo

Para regularizar a situação, o posto precisa abrir um chamado no sistema da ANP, anexar laudo técnico e aguardar análise. O prazo médio de resposta, segundo relatos de sindicatos do setor, é de 15 dias úteis. Enquanto isso, a multa segue em aberto. Tudo digital, menos a paciência.

Quem está sendo mais afetado?

Os pequenos postos, especialmente em cidades do interior, são os que mais sofrem. Muitos não têm equipe de TI ou orçamento para contratar suporte técnico especializado. Um posto em Minas Gerais, com apenas duas bombas, gastou R$ 3 mil para instalar os sensores e mais R$ 1,5 mil para resolver uma falha de comunicação.

O que dizem os especialistas?

Especialistas em regulação do setor apontam que a ANP não fez um teste piloto adequado antes de implementar a exigência em todo o país. "É como trocar o motor do carro com ele em movimento", disse um consultor ouvido pelo Sindicato dos Postos de São Paulo. A falta de um período de adaptação gerou o caos.

Como resolver os problemas criados pela resolução

Se você é dono de posto e está enfrentando problemas, o primeiro passo é documentar tudo: prints de telas, laudos técnicos, protocolos de chamado. Depois, acione o sindicato local, que tem canais diretos com a ANP para mediação de conflitos. Por fim, considere contratar uma empresa de consultoria especializada em compliance regulatório para evitar novas multas.

O que fazer se o sistema falhar

  • Salve o número do protocolo de cada chamado aberto
  • Exija laudo técnico detalhado do fornecedor do sensor
  • Envie reclamação formal à ANP pelo site oficial
  • Busque apoio jurídico se a multa for indevida

Perguntas Frequentes

A resolução da ANP é obrigatória para todos os postos?

Sim, desde março de 2026, todos os postos de combustíveis do Brasil precisam ter o sistema de monitoramento em tempo real instalado e funcionando.

O que acontece se o sensor falhar?

O posto pode ser multado automaticamente, mas é possível contestar a multa com laudo técnico e abertura de chamado no sistema da ANP.

Quanto custa para se adequar à nova regra?

Os custos variam de R$ 2 mil a R$ 5 mil por bomba, dependendo do fornecedor e da complexidade da instalação.

A ANP oferece suporte técnico?

A ANP disponibiliza um canal de atendimento online, mas o prazo de resposta para chamados técnicos é de até 15 dias úteis.

Como evitar multas indevidas?

Mantenha registros de todas as manutenções e calibrações dos sensores, e contrate fornecedores credenciados pela ANP.

A resolução vai ser revista?

A ANP informou que está coletando feedback do setor para possíveis ajustes, mas não há previsão de mudanças imediatas.

Tomás Wenzel

Editoria Destaques

Tomás Wenzel cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.