Rodoviários do Rio não chegam a acordo com empresários do setor após reunião de mediação realizada em 15 de março de 2026. O impasse mantém em suspenso a possibilidade de greve no transporte público da capital fluminense, afetando milhões de passageiros. A categoria reivindica reajuste salarial, vale-refeição e melhores condições de trabalho, enquanto os empresários alegam inviabilidade financeira.
O impasse em números: salário, vale e data-base
A negociação envolve a data-base da categoria, que em 2026 caiu em março. Os rodoviários pedem reajuste salarial de 12%, com base na inflação acumulada e ganho real. Os empresários oferecem 5%, alegando queda de passageiros e aumento de custos operacionais. Segundo o Sindicato dos Rodoviários do Rio (SindRodoviários-Rio), a categoria não aceita proposta abaixo de 8%.
O vale-refeição também trava a pauta. Os trabalhadores pedem aumento de R$ 28 para R$ 35 por dia. Os patrões propõem R$ 30. A diferença de R$ 5 por dia, multiplicada por 25 dias úteis, representa R$ 125 mensais por trabalhador, valor que os empresários consideram alto demais para o fluxo de caixa atual.
O que dizem os empresários
O Sindicato das Empresas de Ônibus do Rio (Rio Ônibus) afirma que o setor enfrenta crise desde a pandemia, com redução de 30% no número de passageiros pagantes. Em nota, a entidade disse que "a proposta de 5% é o limite suportável pela planilha de custos". A alegação é que o congelamento da tarifa desde 2024 impede repasses.
Dados da prefeitura do Rio indicam que a tarifa de ônibus municipal está congelada em R$ 4,30 desde janeiro de 2024, enquanto os custos com diesel subiram 18% no período (ANP, levantamento mensal, mar/2026). Os empresários dizem que a defasagem tarifária já ultrapassa 20%.
Próximos passos: assembleia e possível greve
A assembleia da categoria está marcada para 22 de março. Se não houver acordo até lá, os rodoviários podem aprovar greve por tempo indeterminado. A última greve geral do setor, em 2024, parou a cidade por três dias e gerou prejuízo estimado em R$ 200 milhões ao comércio (Fecomércio-RJ, estimativa, 2024).
O sindicato protocolou pedido de mediação no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1). Uma audiência de conciliação está agendada para 19 de março. Se não houver avanço, o TRT pode arbitrar a data de reajuste.
Impacto no passageiro: o que esperar
Se a greve for deflagrada, a prefeitura do Rio deve decretar operação de transporte emergencial, com frota mínima de 30% nos horários de pico, conforme a Lei Municipal 7.200/2024. Na prática, isso significa filas maiores e tempo de espera que pode dobrar.
A recomendação para quem depende de ônibus na cidade é: acompanhe os canais oficiais do sindicato e da prefeitura, e planeje rotas alternativas (metrô, trem, BRT) para os dias seguintes à assembleia.
Perguntas Frequentes
Qual o motivo do impasse entre rodoviários e empresários?
A divergência principal é o reajuste salarial: rodoviários pedem 12%, empresários oferecem 5%. O vale-refeição e a data-base também são pontos de discordância.
Quando pode começar a greve dos rodoviários no Rio?
A assembleia que decide a greve ocorre em 22 de março de 2026. Se aprovada, a paralisação pode começar já no dia 23.
O que acontece se a greve for deflagrada?
A prefeitura deve garantir frota mínima de 30% nos horários de pico, mas o serviço será reduzido. Metrô, trem e BRT podem operar normalmente.
Como os passageiros devem se preparar?
Acompanhe comunicados do SindRodoviários-Rio e da prefeitura. Tenha rotas alternativas e considere transporte por aplicativo ou bicicleta nos dias de greve.
A tarifa de ônibus pode subir para cobrir o reajuste?
A tarifa municipal está congelada desde 2024. Qualquer aumento depende de autorização da prefeitura, que não sinalizou reajuste para 2026.
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