Senta que lá vem história. Um brasileiro de 30 anos, que já serviu no Exército e na Legião Estrangeira francesa, está na linha de frente da guerra na Ucrânia há mais de um ano. Ele descreveu o caos à CNN Brasil, e a comparação que ele faz é de arrepiar: parece cena de "Mad Max", o filme pós-apocalíptico do diretor George Miller.
Ele pediu para ser identificado apenas como Soldado C, para proteger a identidade real. E o relato dele mostra um cenário onde a guerra virou um videogame de verdade, com drones voando o tempo todo e soldados vivendo em buracos.
Como é a linha de frente: "Mad Max" na vida real
Segundo o Soldado C, os russos não param. "Eles atacam a pé, com quadriciclo, moto e tudo o que tiverem. Parece uma cena de 'Mad Max'", disse. Enquanto isso, os ucranianos tentam segurar posições em tocas, mas são "fustigados o tempo todo" por artilharia, morteiros e, principalmente, drones.
Ele explicou que a estratégia russa é conhecida como "moedor de carne": mandar soldados em ondas, mesmo que muitos morram, para tentar tomar posições a qualquer custo. É por isso que o número de baixas entre os russos é muito maior do que entre os ucranianos.
A "kill zone" e o medo constante
O ambiente é descrito como uma "kill zone": uma faixa de território contestada, onde ninguém tem controle total. "O teatro de operações é dividido em linhas, mas na prática tudo é muito confuso", disse. A "gray zone" e a linha zero são áreas onde o risco é constante, e a ameaça de drone é permanente.
"O russo consegue manter drones no ar o tempo todo, seja de vigilância, seja ofensivo. Então é difícil, muito difícil", afirmou. Qualquer deslocamento vira operação de alto risco: andar oito ou dez quilômetros demora horas, com paradas e congelamentos ao menor som de drone.
Vida em tocas e reabastecimento por drone
Hoje, as grandes trincheiras do início da guerra praticamente desapareceram. "No lugar disso, você tem posições isoladas, como tocas. O soldado vive dentro de um buraco. Ele come ali, dorme ali e quase não sai", contou.
O reabastecimento é feito por drone. "Você sai da posição só quando precisa muito, pega o suprimento e volta rápido." Tem gente que fica seis meses, um ano nessas posições. A extração depende do clima, de neblina, de vento.
O perigo invisível: minas e infiltração
O terreno é cheio de incertezas. "Já tive amigo que pisou em mina a 30 centímetros de mim", relatou. Além disso, pequenos grupos russos se infiltram sem serem detectados. "Às vezes você é avisado pelo rádio: tem movimento perto da sua posição. Não é amigo."
Quem está na linha de frente?
A pressão constante recai sobre soldados sem experiência militar prévia. "Quem está segurando a posição muitas vezes não é um super soldado. É um cara normal, recrutado na rua, que não teve escolha e precisa lutar pelo seu país", afirmou o Soldado C. Para ele, esses recrutas são os verdadeiros heróis dessa guerra.
Por que ele está lá?
Soldado C decidiu se alistar por dois motivos: não concordar com a invasão russa e por ser essa a sua profissão. "Eu vim para a Ucrânia porque minha profissão é essa. Claro que tem também a injusta agressão da Rússia contra o país", disse.
guerra na Ucrânia 2025 brasileiros na linha de frente
Perguntas Frequentes
Quem é o Soldado C?
É um brasileiro de 30 anos que serviu no Exército Brasileiro e na Legião Estrangeira francesa. Está na Ucrânia há mais de um ano e pediu para não ser identificado.
O que ele disse sobre a guerra?
Comparou o cenário ao filme "Mad Max", com russos atacando de quadriciclo e moto, e ucranianos resistindo em tocas sob vigilância constante de drones.
O que é a estratégia "moedor de carne"?
É a tática russa de enviar soldados em ondas para tomar posições, mesmo com muitas baixas. O nome vem do alto número de mortos.
Como é a rotina dos soldados?
Eles vivem em tocas, comem e dormem ali, e só saem para reabastecimento rápido, geralmente feito por drone. Alguns ficam meses na mesma posição.
Qual o maior perigo na linha de frente?
Além dos drones e da artilharia, há minas terrestres e a infiltração de grupos russos. O terreno é imprevisível e a "gray zone" é constantemente contestada.