Suzano aposta em geração de valor após investimentos bilionários
Após investir mais de R$ 70 bilhões nos últimos cinco anos, a Suzano entrou em uma nova fase de sua estratégia de crescimento. A companhia concentra esforços em aumentar a competitividade dos ativos já instalados, com foco em produtividade florestal, eficiência operacional e inovação. O objetivo é extrair o máximo retorno dos investimentos realizados recentemente, que incluem a construção da fábrica do Projeto Cerrado, em Ribas do Rio Pardo (MS), além da expansão da base florestal.
Quem explica o novo momento é o vice-presidente executivo florestal da Suzano, Douglas Lazaretti. Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, ele afirmou que a empresa quer gerar o máximo valor desses aportes, que somam mais de R$ 70 bilhões. "Nosso grande foco é gerar o máximo valor desses investimentos, aumentando a competitividade dos ativos e reforçando a excelência operacional", disse.
O que muda para o mercado de celulose?
A nova fase da Suzano não significa novos projetos de expansão de capacidade instalada. A empresa não prevê, neste momento, novos projetos para ampliar a produção de celulose. O foco é outro: aumentar a produtividade das florestas para sustentar a capacidade já instalada.
Isso tem impacto direto no mercado global de celulose. Com a maior produtora do mundo desacelerando novos investimentos, a oferta futura do produto pode não crescer no mesmo ritmo da demanda. A estratégia da Suzano, portanto, sinaliza um mercado mais enxuto e competitivo.
Logística como diferencial competitivo
Um dos principais indicadores de competitividade, segundo Lazaretti, é a distância média entre as florestas e as fábricas. Como o transporte de madeira representa uma parcela relevante do custo de produção da celulose, a empresa busca reduzir continuamente esse raio logístico.
O Projeto Cerrado contribui para isso. "Nossa expectativa é operar, nos próximos anos, com uma distância média próxima de 150 quilômetros, um patamar bastante competitivo", afirmou o executivo. Essa redução logística é um dos pilares da estratégia.
Autossuficiência em madeira
Outro eixo da estratégia é garantir a autossuficiência de madeira em um cenário de maior disputa por matéria-prima no Brasil. O executivo destacou que, entre 2019 e 2024, a base florestal brasileira cresceu 9%, enquanto o consumo avançou 19%. "Por isso, estamos trabalhando para aumentar nossa autossuficiência e reduzir a dependência do mercado de terceiros", explicou.
A combinação entre produtividade florestal, redução do raio médio e maior autossuficiência forma a base da estratégia florestal da Suzano para os próximos anos.
Diversificação de mercados
Na frente comercial, a estratégia é diversificar mercados e ampliar a integração da cadeia produtiva, reduzindo gradualmente a exposição ao mercado chinês. Isso significa que a empresa busca novos compradores para sua celulose, reduzindo a dependência de um único país.
Inovação e mudanças climáticas
Lazaretti destacou que os investimentos em inovação estão voltados tanto para elevar a produtividade quanto para aumentar a resiliência das florestas diante dos efeitos das mudanças climáticas. "Precisamos desenvolver florestas que produzam mais, mas que também sejam mais resistentes aos períodos de seca e ao surgimento de novas pragas", ressaltou.
A companhia investe em biotecnologia e no desenvolvimento do maior banco genético de eucalipto do mundo. A base florestal da Suzano, de 1,7 milhão de hectares, é integralmente composta por eucalipto clonado. Os materiais transgênicos, porém, ainda permanecem restritos à pesquisa.
Vantagem competitiva brasileira
O executivo destaca que a principal vantagem da Suzano está na produtividade das florestas brasileiras de eucalipto. Fatores como clima, solo e melhoramento genético permitem ciclos produtivos muito mais curtos do que os observados em outras regiões do mundo.
Além da eficiência no campo, a disciplina operacional das unidades industriais continua sendo um diferencial competitivo da companhia. "Boa parte da nossa vantagem competitiva está na produtividade florestal e na excelência das operações industriais", explicou Lazaretti.
O que esperar da Suzano?
Para quem acompanha o mercado de celulose, a mensagem é clara: a Suzano não vai parar de investir, mas o foco mudou. Agora, a prioridade é extrair valor do que já foi construído, com eficiência operacional e inovação. A empresa não prevê novos projetos de capacidade instalada, mas continuará investindo em tecnologia e produtividade florestal.
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Perguntas Frequentes
A Suzano vai construir novas fábricas de celulose?
Não. A empresa não prevê, neste momento, novos projetos para ampliar a capacidade instalada de produção de celulose. O foco é aumentar a produtividade das florestas para sustentar a capacidade já instalada.
Quanto a Suzano investiu nos últimos cinco anos?
A Suzano investiu mais de R$ 70 bilhões nos últimos cinco anos, segundo o vice-presidente executivo florestal, Douglas Lazaretti.
O que é o Projeto Cerrado?
O Projeto Cerrado é a construção de uma nova fábrica de celulose da Suzano em Ribas do Rio Pardo (MS). Ele contribui para reduzir a distância média entre as florestas e as fábricas.
A Suzano depende do mercado chinês?
A empresa busca reduzir gradualmente a exposição ao mercado chinês, diversificando mercados e ampliando a integração da cadeia produtiva.
Qual a vantagem competitiva da Suzano?
A principal vantagem está na produtividade das florestas brasileiras de eucalipto, com ciclos produtivos mais curtos devido a clima, solo e melhoramento genético. Além disso, a empresa investe no maior banco genético de eucalipto do mundo.