# Tarifaço afeta setores, mas impacto macro é nulo, diz XP

> A XP Investimentos avalia que o tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros, com alíquota de até 37,5%, impacta setores como têxtil e calçados. O economista-chefe Caio Megale considera o efeito sobre o PIB brasileiro praticamente nulo. A análise destaca impacto setorial relevante sem repercussão macroeconômica significativa.

*Blog Sem Juízo · Destaques · 24 de julho de 2026 · Igor Bastos*

O tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros, que pode chegar a 37,5%, tem impacto relevante em setores como têxtil e calçados, mas o efeito sobre o PIB é praticamente nulo, segundo Caio Megale, economista-chefe da XP. Entenda os detalhes e o que esperar.

## Tarifaço afeta setores, mas impacto macro é nulo, diz XP

O tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros, que pode chegar a 37,5%, tem impacto relevante para setores específicos como têxtil e calçados, mas o efeito macroeconômico sobre o PIB é praticamente nulo, segundo Caio Megale, economista-chefe da XP. As exportações brasileiras até cresceram porque os EUA se isolaram ao elevar tarifas para diversos países, abrindo espaço para o Brasil ampliar o comércio com outros mercados.

## O que disse Caio Megale, da XP, sobre o tarifaço?

Caio Megale, economista-chefe da XP, afirmou em entrevista ao Poder360 durante a Expert XP 2026 nesta 6ª feira (24.jul.2026) que o efeito macroeconômico do tarifaço é "muito pequeno". "Quando você pega as exportações agregadas, o impacto é praticamente nulo", disse ele. Na 5ª feira (23.jul), os EUA confirmaram uma sobretaxa de 12,5% aos produtos brasileiros, que passa a valer na 6ª feira (24.jul). Em 15 de julho, o USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) anunciou um tarifaço de 25% contra o Brasil. Com as sobretaxas, as tarifas podem chegar a 37,5%.

## Setores mais afetados pelo tarifaço

Apesar do efeito reduzido sobre o PIB, Megale destacou que empresas e regiões dependentes das exportações para o mercado norte-americano enfrentam um cenário mais delicado. Um desses setores é o têxtil, máquinas e calçados. O diretor superintendente e presidente emérito da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), Fernando Pimentel, afirmou na 5ª feira (23.jul) que a decisão representa um novo obstáculo para as empresas brasileiras e reduz a capacidade de competição no mercado norte-americano.

## Medidas de apoio: temporárias ou permanentes?

Para Megale, eventuais medidas de apoio do governo devem ser temporárias, já que subsídios permanentes não são sustentáveis. "Faz sentido um programa temporário para ajudá-los na adaptação, mas não um subsídio permanente, porque isso criaria um custo fiscal contínuo para lidar com uma mudança que pode ser estrutural", disse o economista-chefe da XP.

## A alegação dos EUA e a contestação do Brasil

A alegação dos EUA é que os países afetados pelas novas tarifas de 12,5% se valem de "trabalho forçado" na produção de itens que depois são vendidos no mercado norte-americano com preços menores. Na visão do governo dos EUA, tal prática causa uma assimetria comercial a favor dos produtores brasileiros. O Brasil contesta esse argumento e diz que tem combatido de forma eficaz esse tipo de condição degradante de trabalho. Na legislação brasileira, forçar alguém a trabalhar pode ser considerado, em alguns casos, "trabalho análogo à escravidão". O documento do USTR não fala em trabalho escravo, mas, à luz da legislação brasileira, é essa a imputação que está sendo feita aos produtores do Brasil e de outras dezenas de países que também foram punidos com essa tarifa (que varia de 10% a 12,5%, a depender de quem está sendo afetado).

## Perguntas Frequentes

### O tarifaço dos EUA vai afetar o PIB do Brasil?

Segundo Caio Megale, economista-chefe da XP, o efeito macroeconômico sobre o PIB é praticamente nulo. As exportações brasileiras até cresceram porque os EUA se isolaram ao elevar tarifas para diversos países, abrindo espaço para o Brasil ampliar o comércio com outros mercados.

### Quais setores são mais afetados pelo tarifaço?

Os setores mais afetados são têxtil, máquinas e calçados, segundo Fernando Pimentel, diretor superintendente e presidente emérito da Abit.

### Qual a justificativa dos EUA para as novas tarifas?

Os EUA alegam que os países afetados se valem de "trabalho forçado" na produção de itens vendidos no mercado norte-americano, causando assimetria comercial. O Brasil contesta o argumento.

### O governo brasileiro deve oferecer subsídios para os setores afetados?

Caio Megale defende que eventuais medidas de apoio devem ser temporárias, pois subsídios permanentes criariam um custo fiscal contínuo para lidar com uma mudança que pode ser estrutural.

### Quando as novas tarifas passam a valer?

A sobretaxa de 12,5% foi confirmada na 5ª feira (23.jul) e passa a valer na 6ª feira (24.jul). O tarifaço anterior de 25% foi anunciado em 15 de julho pelo USTR.

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Fonte (canonical): https://blogsemjuizo.com.br/destaques/tarifaco-afeta-setores-mas-impacto-macro-nulo-diz-xp/
