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Terceira safra pressiona preços do feijão-carioca em R$ 328

ResumoA terceira safra de feijão pressiona os preços do feijão-carioca, com a saca cotada a R$ 328 em Belo Horizonte. O Cepea registrou queda de 3,12% no dia e 4% na semana. O feijão-preto resiste à pressão devido à menor produção.

A terceira safra de feijão já está pressionando os preços do feijão-carioca. Segundo o Cepea, a saca caiu para R$ 328 em Belo Horizonte, com queda de 3,12% no dia e 4% na semana. Enquanto isso, o feijão-preto resiste com menor produção.

Babi Cordeiro
Terceira safra pressiona preços do feijão-carioca em R$ 328

Terceira safra pressiona preços do feijão-carioca em R$ 328 — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Terceira safra pressiona preços do feijão-carioca em R$ 328

A entrada gradativa da terceira safra de feijão (a leguminosa tem três ciclos anuais) segue pressionando os valores do feijão-carioca, de acordo com o Cepea (Centro de Estudos em Economia Aplicada). Na última semana, a saca era negociada a R$ 328 em Belo Horizonte, 3,12% menos que no dia anterior e 4% abaixo do praticado uma semana antes. Enquanto isso, o feijão-preto mostra comportamento distinto: a confirmação de menor produção sustenta as cotações, embora a demanda ainda limite movimentos mais consistentes de valorização.

O que os dados do Cepea mostram sobre o feijão-carioca

Os pesquisadores do Cepea apontam que os preços no campo já refletem o avanço da oferta e a postura cautelosa dos compradores. O varejo, porém, ainda incorpora as altas registradas ao longo da primeira e da segunda safras. Isso cria um descompasso entre o que o produtor recebe e o que o consumidor paga na gôndola.

Na prática, a saca de 60 kg do feijão-carioca caiu de um patamar próximo a R$ 340 para os atuais R$ 328 em Belo Horizonte. A queda diária de 3,12% e a semanal de 4% indicam aceleração na pressão baixista. Para quem compra no atacado, o momento é de esperar para ver até onde o preço vai.

Feijão-preto: cenário oposto com menor produção

Diferente do carioca, o feijão-preto vive um momento de sustentação de preços. A cotação ao produtor é de R$ 221,80 em Curitiba, com queda diária de 0,31% e semanal de 1%. A redução é bem mais modesta que a do carioca, o que confirma a tese de que a oferta mais enxuta segura as cotações.

A demanda, no entanto, ainda não reage com força. Os compradores seguem cautelosos, o que impede valorizações mais expressivas. O mercado observa se o consumo vai aquecer nas próximas semanas, algo que costuma acontecer com a entrada do frio e o aumento da procura por pratos quentes.

Por que a terceira safra impacta tanto os preços

O feijão é uma cultura com três safras anuais: a primeira (das águas), plantada entre setembro e novembro; a segunda (da seca), entre janeiro e março; e a terceira (de inverno), entre maio e julho. Cada uma tem peso diferente na oferta total.

A terceira safra chega ao mercado justamente quando os estoques da segunda estão se esgotando. Se a produção for robusta, como parece ser o caso, os preços do carioca tendem a cair. É o que estamos vendo agora: a entrada gradativa do grão pressiona as cotações, e o produtor sente no bolso.

Para o consumidor, a notícia é boa a médio prazo. O varejo ainda não repassou integralmente a queda, mas deve fazê-lo nas próximas semanas. Quem compra feijão-carioca no supermercado pode esperar preços mais baixos em breve.

O que esperar para as próximas semanas

Segundo pesquisadores do Cepea, o cenário para o feijão-carioca é de continuidade da pressão baixista enquanto a terceira safra seguir entrando. A postura cautelosa dos compradores no atacado reforça essa tendência. Se a demanda não acelerar, as cotações podem recuar ainda mais.

Já para o feijão-preto, a expectativa é de estabilidade com viés de alta. A menor produção confere suporte, mas a demanda precisa reagir para que os preços subam de forma consistente. O mercado acompanha de perto o comportamento do consumo.

Acompanhamento de preços: como usar os dados

Quem atua no setor pode usar os dados do Cepea como referência para negociações. A cotação de R$ 328 em Belo Horizonte para o carioca e de R$ 221,80 em Curitiba para o preto servem como parâmetro. A diferença entre as praças reflete custos logísticos e dinâmicas regionais de oferta e demanda.

Para o produtor, o momento exige cautela. Comprar insumos ou estocar grão pode não ser a melhor estratégia enquanto os preços caem. Já para o comprador, a janela de oportunidade está aberta: é hora de negociar com margem.

O papel do Cepea na análise do mercado de feijão

O Cepea (Centro de Estudos em Economia Aplicada) é referência no acompanhamento de preços agrícolas no Brasil. Vinculado à Esalq/USP, o centro publica boletins periódicos com cotações de grãos, carnes, frutas e hortaliças. Os dados são coletados junto a produtores, atacadistas e varejistas, o que confere credibilidade às análises.

No caso do feijão, o Cepea monitora as três safras e as principais praças do país. As cotações de Belo Horizonte e Curitiba são indicadores importantes porque refletem realidades distintas: BH é um grande centro consumidor e distribuidor; Curitiba é referência para o feijão-preto, mais consumido no Sul.

Como o varejo ainda não refletiu a queda

Um ponto que chama atenção nos dados do Cepea é o descompasso entre campo e gôndola. Enquanto o produtor já recebe menos pelo feijão-carioca, o varejo ainda opera com preços elevados, herdados das altas da primeira e segunda safras. Isso acontece porque os supermercados compram com contratos e estoques que demoram a girar.

Para o consumidor final, a recomendação é ficar atento. Nas próximas semanas, a tendência é que os preços nas prateleiras caiam. Quem puder esperar um pouco mais para estocar feijão-carioca pode se beneficiar.

Dados de mercado: números que importam

  • Saca de feijão-carioca em BH: R$ 328
  • Queda diária: 3,12%
  • Queda semanal: 4%
  • Saca de feijão-preto em Curitiba: R$ 221,80
  • Queda diária do preto: 0,31%
  • Queda semanal do preto: 1%

Os números mostram que o carioca está em queda livre, enquanto o preto se segura. A diferença de comportamento reflete ofertas distintas: a terceira safra é mais forte para o carioca; o preto teve produção menor confirmada.

Perguntas Frequentes

O que é a terceira safra de feijão?

É o plantio de inverno, entre maio e julho, que complementa a oferta do grão no ano. O feijão tem três safras anuais.

Por que o feijão-carioca está caindo de preço?

A entrada gradativa da terceira safra aumenta a oferta, pressionando as cotações para baixo. A saca caiu para R$ 328 em BH.

O feijão-preto também vai cair?

Não na mesma intensidade. A menor produção confirmada sustenta os preços, que caíram apenas 1% na semana, ante 4% do carioca.

Quando o varejo vai repassar a queda ao consumidor?

Nas próximas semanas, à medida que os estoques antigos forem substituídos pela nova safra. O consumidor deve ver preços mais baixos em breve.

Onde acompanhar os preços do feijão?

O Cepea (Centro de Estudos em Economia Aplicada) publica boletins periódicos com cotações atualizadas. É a principal referência do setor.

O que significa a postura cautelosa dos compradores?

Os atacadistas estão comprando menos, esperando preços ainda menores. Isso acelera a queda das cotações no curto prazo.

Babi Cordeiro

Editoria Destaques

Babi Cordeiro cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.