Trump alega que 278 mil não-cidadãos dos EUA estão registrados para votar
Donald Trump afirmou recentemente que 278 mil não-cidadãos estão registrados para votar nos Estados Unidos. A alegação, feita sem apresentar fonte oficial, reacende o debate sobre segurança eleitoral. Dados oficiais e estudos indicam que o registro de não-cidadãos é raro, mas não inexistente. Entenda os números e o contexto.
Donald Trump alega que 278 mil não-cidadãos dos EUA estão registrados para votar. A afirmação, feita sem apresentar fonte oficial, contrasta com estudos do Brennan Center, que apontam que o registro de não-cidadãos é raro, representando menos de 0,1% dos votos. A legislação federal já proíbe o voto de não-cidadãos, e estados têm mecanismos de verificação.
O que Trump disse sobre os 278 mil registros
Em um comício na Flórida, Trump afirmou que "278 mil não-cidadãos estão registrados para votar" e que isso representa uma ameaça à integridade das eleições. A declaração não foi acompanhada de documentos ou relatórios oficiais. Até o momento, nenhuma agência federal, como o Departamento de Justiça ou a Comissão de Assistência Eleitoral, confirmou o número.
O que dizem os dados oficiais sobre voto de não-cidadãos
Estudos do Brennan Center for Justice, organização não partidária, analisaram registros eleitorais e concluíram que o voto de não-cidadãos é extremamente raro. Em uma pesquisa de 2017, que examinou 23,5 milhões de votos em 42 jurisdições, apenas 30 casos suspeitos foram identificados, o equivalente a 0,0001% dos votos.
A legislação federal já proíbe que não-cidadãos votem em eleições federais. A lei de 1996 prevê multas e prisão para quem violar a regra. Estados como Arizona e Geórgia exigem comprovante de cidadania no momento do registro.
Como os estados verificam a cidadania dos eleitores
Cada estado tem seus próprios procedimentos. A maioria usa o banco de dados do Departamento de Veículos Automotores (DMV) para cruzar informações. Quando um não-cidadão solicita carteira de motorista, o sistema registra o status de imigração. Se essa pessoa tentar se registrar para votar, o sistema bloqueia.
O Electronic Registration Information Center (ERIC) é um sistema usado por 24 estados e o Distrito de Columbia para manter listas eleitorais atualizadas. Ele detecta registros duplicados e eleitores que se mudaram, mas não verifica cidadania diretamente.
O que acontece se um não-cidadão votar
Votar sendo não-cidadão é crime federal. A pena pode incluir multa de até US$ 10 mil e prisão de até 5 anos. Além disso, o voto irregular pode levar à deportação. Em 2020, o Departamento de Justiça processou 19 pessoas por votação ilegal, a maioria com cidadania duvidosa.
O contexto político da alegação
Trump tem usado o tema da segurança eleitoral como bandeira desde 2020. A alegação dos 278 mil registros aparece em um momento em que estados republicanos aprovam leis mais rígidas de identificação do eleitor. Críticos apontam que tais leis podem desestimular o voto de minorias, sem impacto significativo na prevenção de fraudes.
O que dizem os críticos da alegação
Organizações de direitos civis, como a ACLU, classificam a afirmação como infundada. Segundo elas, o número de 278 mil não tem base em dados públicos. O Brennan Center reforça que, mesmo que houvesse registros irregulares, o sistema de verificação cruzada impede que votos sejam contados.
Perguntas Frequentes
Trump apresentou provas da alegação?
Não. Até o momento, a campanha de Trump não divulgou documentos ou relatórios que comprovem os 278 mil registros.
Quantos não-cidadãos realmente votam?
Estudos indicam que o voto de não-cidadãos é inferior a 0,1% dos votos totais, com casos raros e geralmente punidos.
A legislação americana permite que não-cidadãos votem?
Não. A lei federal proíbe que não-cidadãos votem em eleições federais. Estados podem permitir voto em eleições locais, mas poucos o fazem.
Como saber se alguém é cidadão ao se registrar?
Estados usam bancos de dados do DMV e do Seguro Social para verificar cidadania. O formulário de registro federal exige número de Seguro Social.
O que é o ERIC?
É um sistema eletrônico de atualização de listas eleitorais usado por 24 estados. Ele detecta duplicatas e mudanças de endereço, mas não verifica cidadania.
A alegação de Trump pode afetar as eleições?
Especialistas dizem que não, pois o sistema de verificação já impede a maioria dos registros irregulares. A alegação, porém, pode influenciar a opinião pública sobre a segurança do voto.