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Trump alega que 278 mil não-cidadãos estão registrados para votar: o que os dados mostram

ResumoDonald Trump alega que 278 mil não-cidadãos estão registrados para votar nos Estados Unidos. Dados oficiais e estudos indicam que o registro de não-cidadãos é raro, embora não inexistente, reacendendo o debate sobre segurança eleitoral. A afirmação carece de comprovação robusta em pesquisas acadêmicas e relatórios governamentais.

Donald Trump afirmou que 278 mil não-cidadãos estão registrados para votar nos EUA. A alegação reacende o debate sobre segurança eleitoral. Dados oficiais e estudos indicam que o registro de não-cidadãos é raro, mas não inexistente. Entenda os números e o contexto.

Tomás Wenzel
Trump alega que 278 mil não-cidadãos estão registrados para votar: o que os dados mostram

Trump alega que 278 mil não-cidadãos estão registrados para votar: o que os dados mostram — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Trump alega que 278 mil não-cidadãos dos EUA estão registrados para votar

Donald Trump afirmou recentemente que 278 mil não-cidadãos estão registrados para votar nos Estados Unidos. A alegação, feita sem apresentar fonte oficial, reacende o debate sobre segurança eleitoral. Dados oficiais e estudos indicam que o registro de não-cidadãos é raro, mas não inexistente. Entenda os números e o contexto.

Donald Trump alega que 278 mil não-cidadãos dos EUA estão registrados para votar. A afirmação, feita sem apresentar fonte oficial, contrasta com estudos do Brennan Center, que apontam que o registro de não-cidadãos é raro, representando menos de 0,1% dos votos. A legislação federal já proíbe o voto de não-cidadãos, e estados têm mecanismos de verificação.

O que Trump disse sobre os 278 mil registros

Em um comício na Flórida, Trump afirmou que "278 mil não-cidadãos estão registrados para votar" e que isso representa uma ameaça à integridade das eleições. A declaração não foi acompanhada de documentos ou relatórios oficiais. Até o momento, nenhuma agência federal, como o Departamento de Justiça ou a Comissão de Assistência Eleitoral, confirmou o número.

O que dizem os dados oficiais sobre voto de não-cidadãos

Estudos do Brennan Center for Justice, organização não partidária, analisaram registros eleitorais e concluíram que o voto de não-cidadãos é extremamente raro. Em uma pesquisa de 2017, que examinou 23,5 milhões de votos em 42 jurisdições, apenas 30 casos suspeitos foram identificados, o equivalente a 0,0001% dos votos.

A legislação federal já proíbe que não-cidadãos votem em eleições federais. A lei de 1996 prevê multas e prisão para quem violar a regra. Estados como Arizona e Geórgia exigem comprovante de cidadania no momento do registro.

Como os estados verificam a cidadania dos eleitores

Cada estado tem seus próprios procedimentos. A maioria usa o banco de dados do Departamento de Veículos Automotores (DMV) para cruzar informações. Quando um não-cidadão solicita carteira de motorista, o sistema registra o status de imigração. Se essa pessoa tentar se registrar para votar, o sistema bloqueia.

O Electronic Registration Information Center (ERIC) é um sistema usado por 24 estados e o Distrito de Columbia para manter listas eleitorais atualizadas. Ele detecta registros duplicados e eleitores que se mudaram, mas não verifica cidadania diretamente.

O que acontece se um não-cidadão votar

Votar sendo não-cidadão é crime federal. A pena pode incluir multa de até US$ 10 mil e prisão de até 5 anos. Além disso, o voto irregular pode levar à deportação. Em 2020, o Departamento de Justiça processou 19 pessoas por votação ilegal, a maioria com cidadania duvidosa.

O contexto político da alegação

Trump tem usado o tema da segurança eleitoral como bandeira desde 2020. A alegação dos 278 mil registros aparece em um momento em que estados republicanos aprovam leis mais rígidas de identificação do eleitor. Críticos apontam que tais leis podem desestimular o voto de minorias, sem impacto significativo na prevenção de fraudes.

O que dizem os críticos da alegação

Organizações de direitos civis, como a ACLU, classificam a afirmação como infundada. Segundo elas, o número de 278 mil não tem base em dados públicos. O Brennan Center reforça que, mesmo que houvesse registros irregulares, o sistema de verificação cruzada impede que votos sejam contados.

Perguntas Frequentes

Trump apresentou provas da alegação?

Não. Até o momento, a campanha de Trump não divulgou documentos ou relatórios que comprovem os 278 mil registros.

Quantos não-cidadãos realmente votam?

Estudos indicam que o voto de não-cidadãos é inferior a 0,1% dos votos totais, com casos raros e geralmente punidos.

A legislação americana permite que não-cidadãos votem?

Não. A lei federal proíbe que não-cidadãos votem em eleições federais. Estados podem permitir voto em eleições locais, mas poucos o fazem.

Como saber se alguém é cidadão ao se registrar?

Estados usam bancos de dados do DMV e do Seguro Social para verificar cidadania. O formulário de registro federal exige número de Seguro Social.

O que é o ERIC?

É um sistema eletrônico de atualização de listas eleitorais usado por 24 estados. Ele detecta duplicatas e mudanças de endereço, mas não verifica cidadania.

A alegação de Trump pode afetar as eleições?

Especialistas dizem que não, pois o sistema de verificação já impede a maioria dos registros irregulares. A alegação, porém, pode influenciar a opinião pública sobre a segurança do voto.

Tomás Wenzel

Editoria Destaques

Tomás Wenzel cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.