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Trump escala crise para forçar nova negociação com iranianos, diz professor

ResumoO professor Sandro Teixeira Moita afirma que Donald Trump escala a crise entre EUA e Irã para forçar os iranianos a uma nova negociação. A intensificação inclui ataques americanos e ameaças a rotas de petróleo, com ambos os lados se considerando em vantagem no conflito.

A crise entre EUA e Irã se intensifica com ataques americanos e ameaça a rotas de petróleo. Para o professor Sandro Teixeira Moita, Trump escala o conflito para forçar os iranianos a negociar, mas ambos os lados se veem em vantagem.

Tomás Wenzel
Trump escala crise para forçar nova negociação com iranianos, diz professor

Trump escala crise para forçar nova negociação com iranianos, diz professor — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Já perdi a conta de quantas vezes, nos últimos dias, abri o celular e me deparei com a mesma notícia: mais um ataque americano ao Irã, mais uma ameaça de bloqueio no Estreito de Ormuz. Parece aquela música que toca no elevador e você já sabe a letra, mas o refrão mudou. Dessa vez, segundo Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército), Donald Trump está escalando a crise de propósito, não por impulso, mas como tática para forçar os iranianos a negociar.

Segundo Moita, Trump escala crise para forçar nova negociação com iranianos. O comando central dos Estados Unidos comunicou o encerramento do 13º dia de ataques ao Irã, ofensiva que atingiu pesadamente o litoral iraniano e regiões produtoras de petróleo do país. A ideia, explica o especialista, é criar uma crise tão aguda que os iranianos não tenham escolha a não ser sentar à mesa.

Como a escalada de Trump pressiona o Irã

Para Moita, a escalada é intencional. "Trump está escalando para criar uma crise e forçar os iranianos a negociar", afirmou. Mas o analista ressalta que, apesar do sucesso tático americano, os ataques não foram suficientes para eliminar, em nível estratégico, a capacidade iraniana de fechar o Estreito de Ormuz, ponto por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

O papel dos Houthis e o bloqueio de Bab el-Mandeb

Nesse cenário, o Irã teria lançado mão de outra carta geopolítica: o apoio aos Houthis do Iêmen para o bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb, crucial para o transporte marítimo global. Recentemente, um ataque ao aeroporto de Sanaa chamou atenção. Agências internacionais divulgaram que havia no local uma delegação da Guarda Revolucionária iraniana, com entre 10 e 25 oficiais, técnicos e militares de alta patente, que teriam levado componentes e planos aos Houthis para viabilizar o bloqueio.

A arma da geografia iraniana

Para o especialista, a estratégia iraniana consiste em utilizar a "arma da geografia", pressionando o fornecimento de energia para gerar um choque na economia global e impor custos aos americanos. "Os americanos estão correndo contra o tempo, tentando utilizar uma maneira de coagir o Irã", explicou Moita. O analista alerta, porém, que ambos os lados acreditam estar em posição de vantagem, o que ele chamou de upper hand, o que torna as perspectivas de negociação pouco favoráveis no momento atual.

O impasse das negociações

Segundo Moita, o Irã se sente em posição de força justamente por deter a carta dos estreitos, enquanto os americanos apostam na pressão militar para dobrar a resistência iraniana. É como dois jogadores de pôquer que têm certeza de que vão ganhar a mão, e ninguém quer desistir primeiro. O resultado? Uma crise que, para quem está longe do tabuleiro geopolítico, pode significar petróleo mais caro e rotas marítimas incertas.

Perguntas Frequentes

Por que Trump está escalando a crise com o Irã?

Segundo o professor Sandro Teixeira Moita, Trump escala a crise deliberadamente para pressionar os iranianos a retornarem à mesa de negociações, usando ataques militares como ferramenta de coerção.

O que é o Estreito de Ormuz e por que ele é importante?

É uma rota marítima estratégica para o transporte mundial de petróleo. O Irã tem capacidade de fechá-lo, o que pressionaria a economia global.

Qual o papel dos Houthis no conflito?

O Irã apoia os Houthis do Iêmen para bloquear o Estreito de Bab el-Mandeb, outra rota crucial, ampliando a pressão sobre os americanos.

Os ataques americanos eliminaram a capacidade militar iraniana?

Não. Segundo Moita, apesar do sucesso tático, os ataques não eliminaram a capacidade estratégica iraniana de fechar o Estreito de Ormuz.

As negociações entre EUA e Irã são iminentes?

Não no momento. Ambos os lados acreditam estar em posição de vantagem, o que torna as perspectivas de negociação pouco favoráveis, segundo o analista.

Tomás Wenzel

Editoria Destaques

Tomás Wenzel cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.