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Vencedora do Nobel acusa Trump de ignorar custo humano da guerra na Ucrânia

ResumoOleksandra Matviichuk, líder do Centro para as Liberdades Civis e vencedora do Nobel da Paz em 2022, acusou a administração Trump de ignorar o custo humano da guerra na Ucrânia. A declaração foi feita em entrevista à CNN Brasil, onde Matviichuk apresentou dados sobre o aumento de vítimas civis e violações de direitos humanos.

A líder da organização ucraniana de direitos humanos Centro para as Liberdades Civis, vencedora do Nobel da Paz em 2022, acusou a administração Trump de ignorar o custo humano da guerra na Ucrânia. Em entrevista à CNN Brasil, Oleksandra Matviichuk apresentou dados que mostram aum

Babi Cordeiro
Vencedora do Nobel acusa Trump de ignorar custo humano da guerra na Ucrânia

Vencedora do Nobel acusa Trump de ignorar custo humano da guerra na Ucrânia — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Senta que lá vem história. Nós acompanhamos de longe os desdobramentos da guerra na Ucrânia, mas uma voz que sempre nos faz parar é a de quem está na linha de frente dos direitos humanos. E dessa vez, a acusação é pesada: a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2022, Oleksandra Matviichuk, disse que a administração do presidente Donald Trump perdeu completamente a dimensão do sofrimento humano causado pelo conflito.

A advogada, que lidera o Centro para as Liberdades Civis na Ucrânia, deu uma entrevista exclusiva à CNN Brasil e não poupou críticas. "Os negociadores americanos estão interessados principalmente em recursos naturais, nas reivindicações territoriais da Rússia, em interesses geopolíticos, mas não nas pessoas", afirmou. "As pessoas não são a prioridade desta negociação", lamentou.

O que os números mostram?

Matviichuk trouxe dados que nos fazem pensar duas vezes sobre o discurso de paz que ouvimos por aí. "Ironicamente, o primeiro ano das iniciativas de negociação de paz do presidente Donald Trump tornou-se o ano mais letal para os civis ucranianos", disse a ativista.

Segundo ela, dados da ONU mostram que o número de civis mortos ou feridos aumentou 31% em 2025 na Ucrânia. E a tendência se agravou ainda mais em 2026. "Nos primeiros quatro meses deste ano, o número de civis ucranianos mortos ou gravemente feridos aumentou 21% em comparação com o ano anterior", revelou.

Para ela, esses números são um sinal claro de que a abordagem das negociações está completamente errada.

A ocupação russa não é só trocar bandeira

A advogada descreveu a realidade de quem vive sob ocupação russa de um jeito que nos faz sentir o drama. "Quando os negociadores americanos falam sobre os territórios ocupados, falam como se fossem espaços vazios. Mas não são espaços vazios. Milhões de ucranianos vivem sob ocupação russa. Vivem numa zona cinzenta. Não têm ferramentas para defender seus direitos, sua liberdade, sua propriedade, sua vida, seus filhos, seus entes queridos", disse.

Ela foi ainda mais direta ao descrever o sistema de violência. "A ocupação russa significa desaparecimentos forçados, tortura, estupro, negação da identidade das pessoas, adoção forçada de seus próprios filhos, campos de detenção e valas comuns", afirmou.

O sinal perigoso para Moscou

Segundo Matviichuk, quando as negociações ignoram essa realidade, acabam mandando um recado perigoso para o Kremlin. "Quando perdemos a dimensão humana da guerra, os russos entendem isso como um sinal de que isso não é uma prioridade e começam a se comportar como se não houvesse linhas vermelhas."

Ela aponta que essa lógica ajuda a explicar a escalada recente da violência. "Tivemos o pior inverno desde o início da guerra em grande escala", afirmou, ao relatar que ataques deliberados à infraestrutura deixaram milhões de ucranianos sem aquecimento, água e eletricidade, em temperaturas de até 25 graus abaixo de zero.

A estratégia russa mudou

Na avaliação da ativista, a Rússia não consegue vencer no campo de batalha e, por isso, decidiu intensificar os ataques contra civis para quebrar a resistência popular.

Ela critica o modelo das negociações em curso. "Essas negociações de paz usam uma abordagem transacional e rejeitam completamente a dimensão humana", disse. Para ela, a consequência é direta: "Quando se usa apenas uma abordagem transacional, a consequência natural é o que estamos vendo: um aumento no número de mortos e feridos entre civis ucranianos."

O que fazer?

Questionada pela CNN Brasil sobre possíveis caminhos, Matviichuk admitiu que o processo não é simples. "Não se trata apenas de fazer [o presidente russo Vladimir Putin] assinar um documento", disse, ao lembrar que acordos anteriores foram usados por Moscou para se rearmar e preparar uma nova ofensiva.

"Não precisamos de um terceiro acordo de paz que será usado pela Rússia apenas para se reagrupar e iniciar uma guerra ainda maior. Precisamos de uma paz sustentável."

Para isso, a ativista defende uma mudança de estratégia internacional que faça com que "o preço da guerra para Putin seja maior do que o preço da paz". Ela argumenta que, hoje, o conflito ainda gera benefícios políticos e econômicos dentro da Rússia. "Infelizmente, essa guerra ainda é lucrativa para Putin", disse.

Matviichuk descreve o que chama de um sistema baseado na exploração da própria guerra. "Isso não é economia, é 'necronomia', ou seja, a Rússia vende a morte, literalmente."

Ela defende que apenas uma combinação de medidas militares, econômicas e políticas seria capaz de alterar esse equilíbrio e reduzir a violência. E chegou a cobrar do Brasil que participasse dessas iniciativas de forma mais incisiva.

Perguntas Frequentes

Quem é Oleksandra Matviichuk?

É a líder da organização ucraniana de direitos humanos Centro para as Liberdades Civis, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2022.

O que ela acusou a administração Trump de fazer?

Acusou os negociadores americanos de ignorar o sofrimento humano causado pela guerra, focando apenas em recursos naturais e interesses geopolíticos.

Quais números ela apresentou sobre mortes de civis?

Segundo dados da ONU citados por ela, o número de civis mortos ou feridos aumentou 31% em 2025 e mais 21% nos primeiros quatro meses de 2026.

O que ela disse sobre a ocupação russa?

Descreveu como um sistema de violência sistemática com desaparecimentos forçados, tortura, estupro e adoção forçada de crianças.

Qual a solução proposta por ela?

Defende uma paz sustentável com medidas militares, econômicas e políticas que tornem a guerra menos lucrativa para Putin.

Américo Martins viajou à Ucrânia a convite do Transatlantic Dialogue, think tank ucraniano.

Babi Cordeiro

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Babi Cordeiro cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.