Eu morri de novo. E a culpa não é minha. Dessa vez, quem tomou um golpe foi a minha paciência ao ler os prints que a Polícia Federal (PF) divulgou. Mas, diferentemente das minhas derrotas no game, essa história tem um vilão claro: o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e seu comparsa Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de Sicário. Eles monitoraram ilegalmente um empresário que ousou denunciar o Banco Master. E, como num boss fight mal feito, a PF pegou tudo.
A PF encontrou evidências de que Daniel Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, monitoraram ilegalmente Vladimir Timerman, fundador e gestor da Esh Capital, que denunciou supostas irregularidades no Banco Master. Os dois também tiveram acesso a procedimentos policiais sigilosos, de acordo com diálogos obtidos pela PF e publicados pela coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo.
Vorcaro e Sicário: a dupla que não sabia perder
Em uma das conversas, de 2023, Vorcaro afirmou a Sicário que os dois teriam que tomar uma medida URGENTE contra Vladimir Timerman, fundador e gestor da Esh Capital. Timerman acusou fundos ligados ao Master e ao empresário Nelson Tanure de manipular operações fraudulentas na Gafisa, onde Timerman era acionista. A denúncia do gestor deu origem a um inquérito da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a uma queixa-crime na Justiça.
Nesse processo, o Master e Vorcaro foram representados pela advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que fechou um contrato de R$ 129 milhões com a instituição. É como se o jogo tivesse um cheat code, mas a PF descobriu.
O monitoramento 24 horas e o fim trágico
Em outra conversa, Vorcaro encaminha a Sicário prints de uma publicação de Timerman nas redes sociais. O gestor alertava sobre um bilionário conhecido por ter o toque de Midas que, na verdade, seria apenas mais um malandro. Um usuário respondeu: "Banco Master? Esse seria o meu chute." Enfurecido, Vorcaro diz a Sicário que Timerman vinha tentando extorqui-lo há tempos.
Horas depois, Sicário informa que a turma, referência à milícia privada controlada por ele, monitorava Timerman 24 horas. Em março de 2026, Sicário cometeu suicídio após ser preso pela PF. Ele recebia R$ 1 milhão por mês de Vorcaro em troca de serviços que incluíam obtenção de processos sigilosos e monitoramento ilegal. A PF aponta para a atuação direta de Vorcaro e Sicário na condução de providências relacionadas a procedimentos policiais e possível tentativa de direcionamento da narrativa dos fatos.
Vorcaro perdeu a batalha judicial
Vorcaro perdeu a batalha judicial contra Timerman. A queixa-crime foi rejeitada pela Justiça em outubro de 2025. O acesso a informações sigilosas e a prática de monitoramento ilegal de pessoas são crimes previstos no Código Penal e na Lei de Interceptação Telefônica (Lei 9.296/96). Vítimas de violação de dados ou intimidação podem registrar boletim de ocorrência e acionar a Defensoria Pública ou o Ministério Público. O Disque 100 recebe denúncias de violações de direitos relacionados à intimidade e privacidade.
Perguntas Frequentes
Quem é Vladimir Timerman?
Vladimir Timerman é fundador e gestor da Esh Capital, que denunciou supostas irregularidades no Banco Master e na Gafisa.
O que a PF encontrou contra Vorcaro e Sicário?
A PF encontrou evidências de monitoramento ilegal e acesso a procedimentos sigilosos contra Vladimir Timerman.
Sicário cometeu suicídio?
Sim, Sicário cometeu suicídio em março de 2026 após ser preso pela PF.
Vorcaro perdeu a ação contra Timerman?
Sim, a queixa-crime foi rejeitada pela Justiça em outubro de 2025.
O que fazer se for vítima de monitoramento ilegal?
Registre boletim de ocorrência e acione a Defensoria Pública ou o Ministério Público. O Disque 100 recebe denúncias.