Yellen vê ameaça à independência do Fed e alerta para inflação com petróleo
A ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, afirmou que o Federal Reserve (Fed) "ainda está agindo como um banco central independente", mas disse estar "extremamente preocupada" com tentativas do presidente dos EUA, Donald Trump, de minar essa independência. A declaração foi dada ao Broadcast durante entrevista coletiva no evento ExpertXP, em São Paulo.
Fed ainda age como banco central independente, mas risco é real
Yellen citou a decisão da Suprema Corte americana no chamado "caso Slaughter", que, segundo ela, praticamente encerrou a independência de agências regulatórias nos EUA, mas preservou o Fed como instituição especial, não sujeita à mesma regra. Ainda assim, ela apontou riscos concretos: Trump tentou destituir uma diretora do Fed e usou o Departamento de Justiça (DoJ, na sigla em inglês) para ameaçar processo criminal contra o então presidente da instituição. "Se coisas assim forem permitidas, isso eventualmente pode se tornar uma ameaça muito significativa", afirmou.
Alerta de inflação com petróleo perto de US$ 100
Sobre o petróleo, com o Brent perto de US$ 100 por barril em meio à escalada no Oriente Médio, Yellen disse que o aumento do preço é "um fator muito importante" pressionando a inflação. Segundo ela, o Fed costuma olhar além de choques de oferta pontuais, que tendem a gerar inflação temporária, desde que as expectativas inflacionárias permaneçam ancoradas e não surja uma espiral de preços e salários, cenário que, segundo ela, ainda não se observa no mercado de trabalho americano.
Cinco anos de inflação acima da meta: cenário arriscado
A ex-secretária ponderou, porém, que os EUA já acumulam "cinco anos seguidos" com inflação acima da meta do Fed, em meio a choques de oferta sucessivos, petróleo, tarifas e agora semicondutores, o que torna o cenário "muito arriscado". Dados recentes do Brasil mostram que a inflação medida pelo IPCA variou 0,33% em janeiro, 0,70% em fevereiro, 0,88% em março, 0,67% em abril, 0,58% em maio e 0,16% em junho de 2026, segundo o Banco Central.
O que isso significa para o Brasil?
Embora Yellen tenha falado sobre os EUA, o alerta ressoa globalmente. A inflação americana e as decisões do Fed afetam o câmbio, os juros e o preço de commodities como o petróleo, que impactam diretamente a economia brasileira. Para quem lida com investimentos, o cenário de juros altos nos EUA tende a valorizar o dólar e pressionar a inflação doméstica.
Como a independência do Fed afeta o dia a dia
A independência de um banco central é crucial para manter a inflação sob controle. Quando há interferência política, o risco de decisões baseadas em interesses eleitorais, e não técnicos, aumenta. No Brasil, o Banco Central também tem autonomia formal desde 2021 autonomia do Banco Central, e o debate sobre pressões políticas não é estranho por aqui.
Perguntas Frequentes
O que Yellen disse sobre o Fed?
Yellen afirmou que o Fed ainda age como banco central independente, mas está preocupada com tentativas de Trump de minar essa independência.
Qual o alerta sobre o petróleo?
Ela disse que o aumento do petróleo, perto de US$ 100, é um fator importante pressionando a inflação.
Quantos anos os EUA têm inflação acima da meta?
Segundo Yellen, os EUA acumulam cinco anos seguidos com inflação acima da meta do Fed.
O que é o caso Slaughter?
É uma decisão da Suprema Corte americana que, segundo Yellen, praticamente encerrou a independência de agências regulatórias, mas preservou o Fed.
Como a inflação americana afeta o Brasil?
A inflação e os juros nos EUA influenciam o câmbio e o preço de commodities, impactando a economia brasileira.