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Análise: atribuir tarifaço ao bolsonarismo é superestimar família Bolsonaro

ResumoA análise de atribuir o tarifaço de Trump ao bolsonarismo superestima a influência da família Bolsonaro. Dados do Tesouro dos EUA e do Banco Central indicam que a política tarifária americana segue lógica própria, sem relação com Jair Bolsonaro ou aliados. A interpretação correta dos fatos evita erros de avaliação sobre o protecionismo comercial norte-americano.

Atribuir o tarifaço de Trump ao bolsonarismo é um erro de análise. Dados oficiais do Tesouro dos EUA e do Banco Central mostram que a política tarifária americana segue lógica própria, não influência de Jair Bolsonaro ou seus aliados. Entenda os fatos.

Babi Cordeiro
Análise: atribuir tarifaço ao bolsonarismo é superestimar família Bolsonaro

Análise: atribuir tarifaço ao bolsonarismo é superestimar família Bolsonaro — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Quem acompanha política internacional já deve ter visto a tese circulando: o tarifaço do governo Trump seria, no fundo, uma consequência do bolsonarismo. A ideia é sedutora para quem quer explicar o mundo pela lente da polarização brasileira, mas não resiste a um olhar mais frio sobre os dados.

Atribuir o tarifaço de Trump ao bolsonarismo é superestimar a influência da família Bolsonaro. A política tarifária americana, anunciada em 2025, segue interesses comerciais dos EUA, não alinhamento ideológico. Dados do Tesouro mostram que as tarifas atingem parceiros históricos, não apenas países com governos de direita.

O que o tarifaço realmente é

O tarifaço de Trump não nasceu de um alinhamento com Jair Bolsonaro. A política de tarifas sobre aço e alumínio, anunciada em março de 2025, atinge países como Canadá, México e União Europeia, todos aliados tradicionais dos EUA. O Brasil entrou na lista por ser um grande exportador de aço, não por ter tido um presidente de direita.

Segundo o Departamento de Comércio dos EUA, a alíquota de 25% sobre o aço brasileiro foi calculada com base no volume de exportações, não em critérios políticos. O Canadá, que também teve um governo conservador até 2024, foi igualmente taxado.

A lógica econômica por trás das tarifas

A política tarifária americana tem uma lógica própria: proteger a indústria doméstica. O governo Trump aplica tarifas onde há déficit comercial, independentemente de quem governa o país parceiro.

Dados do Banco Central mostram que as exportações brasileiras de aço para os EUA cresceram 12% em 2024, o que colocou o Brasil na mira. Nada a ver com bolsonarismo, é comércio internacional, que segue regras de oferta e demanda.

Superestimar o bolsonarismo é um erro de análise

Quem atribui o tarifaço ao bolsonarismo está, na prática, superestimando o peso político de Jair Bolsonaro no cenário global. A família Bolsonaro não tem influência sobre a política tarifária dos EUA. O governo Trump toma decisões com base em interesses americanos, não em alinhamentos ideológicos com ex-presidentes brasileiros.

Um estudo do Peterson Institute for International Economics mostra que tarifas americanas historicamente atingem países independentemente de seu espectro político. A China de Xi Jinping, comunista, foi o principal alvo de Trump em 2018. O Vietnã, também comunista, sofreu tarifas em 2020.

O que os dados oficiais dizem

O Tesouro americano não registra qualquer consulta ao governo Bolsonaro sobre a política tarifária. As decisões são tomadas internamente, com base em relatórios do Departamento de Comércio e do Escritório do Representante de Comércio dos EUA.

O Brasil, aliás, foi taxado em 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio, mesma alíquota aplicada a países como Alemanha e Japão, que têm governos de centro ou esquerda.

Por que a tese do "tarifaço bolsonarista" vinga

A tese vinga porque oferece uma narrativa simples: tudo que acontece de ruim no mundo é culpa do bolsonarismo. É confortável, mas não é verdade. A política internacional é mais complexa que nossa briga doméstica.

Quem há anos acompanha comércio exterior sabe que tarifas são instrumentos econômicos, não declarações de amizade. Atribuir o tarifaço ao bolsonarismo é, no fim das contas, uma forma de projetar nossa polarização no mundo.

O que muda para o Brasil

Para o Brasil, o tarifaço significa perda de competitividade do aço no mercado americano. Mas a resposta do governo Lula foi pragmática: acionou a OMC e busca acordos bilaterais. Nada de declarar guerra ideológica a Trump.

Dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que as exportações de aço para os EUA representam 8% do total brasileiro do setor. O impacto é relevante, mas não catastrófico.

O risco de superestimar Bolsonaro

Superestimar o bolsonarismo tem um efeito colateral perigoso: tira o foco das reais causas dos problemas. Se atribuímos o tarifaço a Bolsonaro, deixamos de discutir a política industrial americana, a dependência brasileira de commodities e a necessidade de diversificar mercados.

O Brasil precisa de análise fria, não de narrativa de novela. O tarifaço é sobre aço, alumínio e déficit comercial. Não sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Perguntas Frequentes

O tarifaço de Trump tem relação com o bolsonarismo?

Não. A política tarifária americana segue interesses comerciais dos EUA, não alinhamento ideológico com ex-presidentes brasileiros.

Por que o Brasil foi taxado?

O Brasil é um grande exportador de aço para os EUA. A tarifa de 25% foi calculada com base no volume de exportações, não em critérios políticos.

Jair Bolsonaro influenciou a decisão de Trump?

Não há qualquer registro de consulta ao governo Bolsonaro. A decisão foi tomada internamente pelo Departamento de Comércio dos EUA.

O tarifaço afeta só o Brasil?

Não. Canadá, México, União Europeia, Japão e Alemanha também foram taxados. Todos são aliados históricos dos EUA.

Qual o impacto real para o Brasil?

As exportações de aço para os EUA representam 8% do total do setor. O impacto é relevante, mas o Brasil já acionou a OMC e busca acordos bilaterais.

Babi Cordeiro

Editoria Especiais

Babi Cordeiro cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.