Análise: Trajeto de rios influencia locais de alagamentos no RS, entenda
O Rio Grande do Sul respira entre temporais, mas o alerta não cessa. Segundo o último balanço da Defesa Civil, 206 municípios gaúchos foram afetados, e mais de 1.800 pessoas estão fora de casa, a maioria desabrigada. O analista de Clima e Meio Ambiente da CNN Pedro Côrtes avalia que o trajeto dos rios da região influencia os locais de alagamento no estado.
O trajeto dos rios Taquari, Caí e Jacuí influencia diretamente os alagamentos no RS, segundo o analista Pedro Côrtes. A água das cabeceiras desce para áreas mais baixas como Porto Alegre, onde o Lago Guaíba sobe gradualmente. O solo encharcado reduz a absorção, mantendo o alerta mesmo com tempo bom.
Como o trajeto dos rios explica os alagamentos no RS
O governo do estado informou que há 21 abrigos ativos em 18 cidades. Alertas de alto risco para inundação foram emitidos para General Câmara (RS) e Charqueadas (RS), no rio Jacuí, e São Borja (RS), no rio Uruguai.
Em Porto Alegre, o Lago Guaíba apresenta elevação gradual, com previsão de alta mais intensa entre sexta (24) e sábado (25). O nível ainda está abaixo da cota de inundação nos pontos do Cais Mauá e na região das ilhas, mas algumas vias ribeirinhas já alagam. A repórter da CNN Gabriela Garcia explicou que essas áreas tradicionalmente alagam e exigem atenção da Defesa Civil.
Por que a água ainda sobe mesmo sem chuva?
Pedro Côrtes explica que toda a água que caiu nas cabeceiras dos rios Taquari e Jacuí ainda está descendo para as áreas mais baixas, incluindo Porto Alegre e região metropolitana. "Toda a água está ainda afluindo para as regiões mais baixas e mesmo em Porto Alegre agora, com o tempo bom, céu limpo, há preocupação com inundações", afirmou.
O analista ressalta que o solo já está encharcado e os níveis dos rios e arroios continuam elevados, reduzindo a capacidade de absorção. "Qualquer chuva mais intensa que caia na cabeceira dos rios vai acabar impactando Porto Alegre", alertou. A previsão indica retorno das chuvas no final de semana e início da semana seguinte.
O que muda no Vale do Taquari e em Canoas
No Vale do Taquari, o rio em Lajeado baixou mais de três metros, saindo da cota de inundação. A repórter Jéssica Malman relatou que a prefeitura acredita que, até o fim desta sexta (24), o rio retorne ao curso normal de 13 metros. Cerca de 168 famílias permanecem abrigadas no Parque do Imigrante, aguardando autorização.
As ruas do município passam por limpeza com caminhões-pipa. Jéssica Malman também descreveu que, com a baixa das águas, peixes mortos trazidos pelo rio Taquari são encontrados às margens das estradas.
Já a região de Canoas, na Grande Porto Alegre, foi citada por Pedro Côrtes como exemplo dos riscos. A área, banhada pelo rio dos Sinos, ficou completamente submersa em 2024, afetando cerca de 50 mil famílias. "Foi uma tragédia há dois anos", recordou.
Perguntas Frequentes
Quantos municípios foram afetados no RS?
Segundo o último balanço da Defesa Civil, 206 municípios gaúchos foram afetados pelos temporais.
Quantas pessoas estão fora de casa?
Mais de 1.800 pessoas estão fora de suas casas, a maior parte desabrigada.
O Lago Guaíba vai transbordar?
O nível ainda está abaixo da cota de inundação nos pontos de medição do Cais Mauá e região das ilhas, mas algumas vias ribeirinhas já alagam.
Por que o alerta continua com tempo bom?
A água das cabeceiras dos rios Taquari e Jacuí ainda desce para áreas mais baixas, e o solo encharcado reduz a absorção.
Quando as chuvas devem voltar?
A previsão indica retorno das chuvas no final de semana e início da semana seguinte, com possibilidade de volumes intensos.
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