Buzzi reforça defesa com advogada que atuou no caso Neymar
Maíra Fernandes entrou na defesa do ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi, que enfrentará um julgamento em 6 de agosto em um processo administrativo por assédio e importunação sexual. Este tribunal pode determinar a aposentadoria compulsória do magistrado, afastando-o definitivamente do cargo.
Segundo informações do blog da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, Maíra começou a atuar no caso na sexta-feira, 24 de julho de 2026. Ela se junta aos advogados Paulo Catta Preta e Maria Fernanda Saad Ávila, que já representavam Buzzi anteriormente. Essa união destaca a estratégia de defesa em um caso que atrai atenção significativa da mídia.
Maíra Fernandes ganhou notoriedade nacional em 2019, quando defendeu o jogador Neymar em uma investigação por estupro. Na ocasião, uma modelo alegou ter sido estuprada pelo atleta em um hotel em Paris, mas o inquérito foi arquivado devido à falta de provas. Esse episódio não apenas consolidou a imagem de Maíra no cenário jurídico, mas também gerou controvérsia, levando à sua expulsão da seção brasileira do Cladem (Comitê da América Latina e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher) por representar o jogador.
A assessoria de Marco Buzzi divulgou uma nota informando que a advogada acredita que existem evidências suficientes para demonstrar a inocência do ministro e que confia nas teses de defesa já apresentadas nos autos do processo. Essa declaração reforça a posição da defesa em um momento crítico.
O Pleno do STJ está encarregado de analisar o relatório final da comissão responsável pelo processo. Todos os documentos e provas apresentados, tanto pela defesa quanto pelas denunciantes, foram encaminhados aos 31 ministros do tribunal, e o caso tramita sob sigilo. Buzzi responde a denúncias feitas por uma jovem de 18 anos e por uma ex-funcionária terceirizada de seu gabinete, o que adiciona complexidade ao caso.
A Procuradoria Geral da República já se manifestou, defendendo a responsabilização administrativa do ministro. O parecer do subprocurador-geral José Adonis aponta que existem elementos suficientes para corroborar os relatos das mulheres. Até o momento, cerca de 20 testemunhas foram ouvidas, o que indica a seriedade da investigação.
Entre os argumentos utilizados pela defesa para contestar as acusações, destaca-se um laudo médico que afirma que Buzzi sofre de disfunção erétil de origem multifatorial. Este documento foi apresentado para refutar o relato de uma das denunciantes, que afirmou ter percebido uma ereção durante um episódio em Balneário Camboriú (SC).
Marco Buzzi está afastado cautelarmente desde 10 de fevereiro. Além do processo por importunação sexual, ele é investigado pela Polícia Federal em um inquérito autorizado pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Este inquérito apura indícios de venda de sentenças e de antecipação de minutas de decisões do STJ para lobistas e empresários. Em meio a tudo isso, Buzzi declarou não ter relação com as atividades profissionais de familiares e que não possui conhecimento sobre o andamento da investigação.
Com esse contexto complexo e as repercussões da defesa de Maíra Fernandes, o desfecho deste caso promete continuar sendo um tema de interesse e debate na esfera pública.