Competitividade brasileira em risco: EUA excluem país de isenções tarifárias extras
A situação do comércio internacional ficou mais complicada para o Brasil após a decisão dos Estados Unidos de excluir o país de listas de isenções tarifárias adicionais, uma ação que pode intensificar a perda de competitividade dos exportadores brasileiros. A decisão foi anunciada na última quinta-feira, dia 23 de julho de 2026, e coloca o Brasil em uma posição desfavorável em relação a outras 13 economias que receberam tratamento diferenciado, afetando a entrada de vários produtos no mercado dos EUA.
O que mudou?
A decisão dos EUA faz parte de uma investigação mais ampla sobre trabalho forçado, resultando na imposição de tarifas que variam entre 10% e 12,5% sobre 60 países. Apesar de o Brasil ter conseguido isenção para 2.113 produtos, a falta de isenções adicionais representa uma desvantagem significativa, especialmente em setores chave da pauta exportadora, de acordo com a Folhapress.
Os Estados Unidos justificaram a imposição de tarifas com base na Seção 307 de sua legislação, que proíbe a importação de bens produzidos com trabalho forçado. Um relatório do governo americano, divulgado em junho, indicou que o Brasil não possui legislação suficiente para impedir a importação e comercialização de produtos feitos sob essas condições. Isso fez com que o país fosse colocado em um grupo de nações que não fiscalizam efetivamente essas importações.
Setores estratégicos afetados
Enquanto o Brasil enfrenta uma tarifa de 12,5%, outros países, como Argentina e Reino Unido, foram beneficiados com listas de exceção. Por exemplo, a Argentina obteve isenção adicional para 93 produtos, enquanto o Reino Unido e a Malásia também conseguiram vantagens significativas. Os produtos mais impactados incluem madeira processada, pedras preciosas, próteses médicas e leveduras. Segundo o economista Sergio Vale, cerca de 3,4% da pauta exportadora brasileira poderá ser prejudicada por essa diferença de tarifas, totalizando cerca de US$ 470 milhões.
A situação é ainda mais complicada pela tarifa de 25% que também entrou em vigor, resultando em um total de 27,5 pontos percentuais de desvantagem. Welber Barral, especialista em comércio exterior, destaca que essa nova medida cria uma desvantagem relevante para o Brasil em comparação com seus concorrentes.
Considerações finais
A exclusão do Brasil das isenções tarifárias adicionais dos EUA representa um desafio complexo para a economia nacional. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) expressou preocupação com a competitividade do exportador brasileiro, que já enfrenta custos elevados para acessar o mercado dos EUA. Para mais informações sobre esse e outros assuntos importantes, acesse O Parlamento.