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Demissões ameaçam futuro do jornalismo climático: análise de dados

ResumoA cobertura climática global caiu 38% em 2025, com demissões de repórteres especializados em veículos como CBS News e Washington Post. Especialistas afirmam que o futuro do jornalismo climático depende de equipes dedicadas, não apenas do volume de menções, ameaçando a qualidade da informação sobre o tema.

Dados mostram que a cobertura climática global caiu 38% em 2025, enquanto veículos como CBS News e Washington Post demitiram repórteres especializados. Especialistas afirmam que o futuro do jornalismo climático depende de equipes dedicadas, não apenas do volume de menções.

Tomás Wenzel
Demissões ameaçam futuro do jornalismo climático: análise de dados

Demissões ameaçam futuro do jornalismo climático: análise de dados — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Demissões ameaçam futuro do jornalismo climático: o que os dados mostram

A cobertura climática global caiu 38% em 2025 em relação ao pico de 2021, segundo dados da Universidade do Colorado em Boulder. Enquanto isso, grandes veículos como CBS News, Washington Post e NPR demitiram repórteres especializados, levantando dúvidas sobre o futuro do jornalismo climático. Especialistas alertam que a qualidade da informação depende de equipes dedicadas, não apenas do volume de menções.

O declínio da cobertura climática em números

A Grist, organização jornalística voltada ao meio ambiente, relatou que a cobertura climática da mídia em todo o mundo caiu 38% em 2025 em relação ao pico de 2021. O dado é baseado em pesquisa da Universidade do Colorado em Boulder. Além disso, a Media Matters for America constatou queda de 35% no tempo dedicado a temas climáticos pelas emissoras de televisão aberta dos Estados Unidos CBS, ABC e NBC desde 2024.

Pesquisadores monitoram a atenção da mídia às questões climáticas usando palavras-chave como "mudanças climáticas" e "aquecimento global". Esse conjunto de dados longitudinais fornece evidências que corroboram relatos sobre a diminuição do jornalismo climático.

O problema vai além do volume de palavras-chave

Monitorar o volume de palavras-chave revela só parte da história. De acordo com um estudo em pré-publicação elaborado por uma equipe internacional de pesquisadores, o jornalismo climático representa apenas 0,55% da cobertura dos principais veículos de comunicação dos Estados Unidos, com pequenas variações ao longo dos últimos 40 anos.

Relatos de aumentos ou diminuições em curtos períodos ignoram esse panorama mais amplo. O que importa mais é quem está fazendo as reportagens. A saúde do jornalismo climático não é mais bem medida pelo volume da cobertura, mas pelas pessoas que a produzem.

Demissões em massa: CBS News, Washington Post e NPR

As recentes demissões de repórteres e editores de clima por grandes veículos de comunicação são um sério sinal de alerta. Há poucos anos, veículos como Associated Press, National Public Radio e o Washington Post expandiram suas equipes de reportagem sobre o clima. Agora, muitos estão reduzindo seus investimentos.

CBS News: de equipe dedicada a zero repórteres

No final de 2025, a Paramount demitiu 100 funcionários da CBS News, desmantelando a equipe de cobertura climática. Isso deixou apenas 1 repórter para cobrir o tema em uma emissora reconhecida por sua liderança no jornalismo climático. Em abril, esse repórter também foi demitido, deixando a CBS News sem nenhum repórter especializado em clima.

Washington Post: corte de 74% na equipe de clima

Quando o Washington Post demitiu quase metade de sua redação em fevereiro, o corte atingiu 14 jornalistas especializados em clima, uma redução de 74% da equipe dedicada ao tema.

NPR: reorganização e cortes

Em maio, a NPR demitiu o editor-chefe de sua editoria de clima como parte de uma reorganização mais ampla da redação e redução de pessoal, na esteira dos cortes no financiamento federal para a mídia pública. No total, somando indenizações e demissões, a NPR cortou 28 postos em toda a redação, incluindo 2 na equipe de clima. Os 8 repórteres e editores de clima restantes passaram a integrar a editoria nacional.

Esses cortes foram feitos ao término da 4ª Semana de Soluções Climáticas da NPR, uma iniciativa lançada pela equipe de reportagem sobre clima, criada em 2022. A ombudsman da NPR, Kelly McBride, informou que o veículo planeja dar continuidade ao projeto.

Por que repórteres especializados são essenciais

O clima é uma área de cobertura complexa, com dimensões políticas, culturais, econômicas e de políticas públicas. Embora assegurar que todos os jornalistas recebam algum treinamento sobre clima possa atender às necessidades das redações até certo ponto, não é realista cobrir o clima acrescentando o tema a outras editorias como uma tarefa extra.

Veículos de comunicação que contam com repórteres especializados em clima ou meio ambiente em suas equipes são muito mais propensos a relacionar o calor extremo às mudanças climáticas em suas reportagens e a discutir soluções climáticas, em comparação com veículos sem essas funções específicas.

O jornalismo climático vai além de palavras-chave

As recentes demissões podem não resultar em menos menções às mudanças climáticas, como aquelas monitoradas pelos pesquisadores. Frequentemente, jornalistas generalistas sobrecarregados mencionam palavras-chave como "mudanças climáticas" ou "aquecimento global" de passagem, sem se aprofundarem no assunto.

O jornalismo climático não precisa usar palavras-chave específicas para ser considerado jornalismo climático. Por exemplo, o Wall Street Journal publicou uma extensa reportagem multimídia sobre a devastação causada por tsunamis glaciais provocados pelo aquecimento das temperaturas nas montanhas do Nepal. Não há palavras-chave rastreáveis relacionadas ao clima, mas é um exemplo claro de reportagem sobre os efeitos das mudanças climáticas.

Onde ainda há esperança

Uma equipe forte de repórteres sobre o clima é nossa melhor esperança para um jornalismo ponderado que sirva ao público. Em muitos aspectos, esse time ainda existe, em equipes dedicadas como as do Los Angeles Times e do New York Times, e em organizações de notícias especializadas como a Grist e a Inside Climate News. Também está crescendo o campo do jornalismo de criadores, como o videopodcast Heated, lançado em fevereiro pela jornalista independente Emily Atkin com a produtora Tracy Wholf, que havia sido demitida da CBS News em 2025.

Como o último ano demonstrou, no entanto, o apoio institucional à cobertura climática está frequentemente por um fio. O público quer e precisa de notícias sobre o clima. O verdadeiro desafio é encontrar caminhos sustentáveis para que os jornalistas climáticos trabalhem e prosperem.

Perguntas Frequentes

Por que a cobertura climática está diminuindo?

A cobertura climática global caiu 38% em 2025, segundo dados da Universidade do Colorado em Boulder, e grandes veículos como CBS News, Washington Post e NPR demitiram repórteres especializados, reduzindo a capacidade de reportagem aprofundada.

Quais veículos mais cortaram equipes de clima?

A CBS News perdeu todos os seus repórteres especializados em clima. O Washington Post cortou 74% de sua equipe dedicada ao tema. A NPR demitiu o editor-chefe de clima e reduziu o quadro.

O volume de menções sobre clima é um bom indicador?

Não. Especialistas apontam que o volume de palavras-chave não reflete a qualidade da cobertura. O jornalismo climático representa apenas 0,55% da cobertura dos principais veículos dos EUA.

O que está sendo feito para preservar o jornalismo climático?

Organizações como Grist, Inside Climate News, Los Angeles Times e New York Times mantêm equipes dedicadas. Também cresce o jornalismo independente, como o videopodcast Heated.

Por que repórteres especializados são importantes?

Veículos com repórteres especializados são mais propensos a relacionar eventos extremos às mudanças climáticas e a discutir soluções, em comparação com veículos sem essas funções.

Tomás Wenzel

Editoria Especiais

Tomás Wenzel cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

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