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Desmatamento na Amazônia tem menor nível para um 1º semestre em oito anos

Entre janeiro e junho de 2026, a Amazônia registrou a menor área de floresta derrubada para um primeiro semestre nos últimos oito anos. Análises do Imazon mostram que mais de 80% das áreas protegidas permaneceram intactas.

Dani Quaresma
Desmatamento na Amazônia tem menor nível para um 1º semestre em oito anos

Desmatamento na Amazônia tem menor nível para um 1º semestre em oito anos — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Desmatamento na Amazônia tem menor nível para um 1º semestre em oito anos

Entre janeiro e junho de 2026, a Amazônia registrou a menor área de floresta derrubada para um primeiro semestre dos últimos oito anos. Segundo análises do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), mais de 80% das áreas protegidas da região mantiveram-se intactas, sem qualquer registro de devastação nesse período.

O marco abrange 588 territórios que terminaram o semestre com desmatamento zero, sendo 330 terras indígenas e 258 unidades de conservação. Ao todo, as áreas protegidas registraram 97,37 km² de derrubada, o que corresponde a apenas 8% de todo o desmatamento detectado na Amazônia no período, com 9,38 km² em terras indígenas e 87,99 km² em unidades de conservação.

Apenas sete unidades de conservação e uma terra indígena tiveram um desmatamento superior a 1 km² nestes seis meses. Apesar do cenário otimista para a maior parte dos territórios, a APA (Área de Proteção Ambiental) Triunfo do Xingu, no Pará, representou sozinha cerca de metade do desmatamento ocorrido dentro das áreas protegidas. Foram 47,85 km² devastados de janeiro a junho, uma perda equivalente a quase 5 mil campos de futebol, ou uma média de 25 campos destruídos por dia.

Outro caso que desperta preocupação é a Floresta Nacional do Jamanxim, também no estado do Pará, que registrou uma perda florestal de 3,45 km². Esta reserva esteve no centro do debate público recente devido à aprovação, no Senado, de um projeto de lei que reduz seu território. Brenda Brito, coordenadora do Programa de Direito e Sustentabilidade do Imazon, afirma que a aprovação desse projeto mostra que o Congresso Nacional está legislando para favorecer um pequeno grupo que invadiu ilegalmente essa unidade de conservação após sua criação. Ela ainda afirma que o projeto precisa ser vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em toda a extensão da Amazônia, foram derrubados 1.145 km² de florestas no primeiro semestre, um índice 10% menor em relação a 2025. Larissa Amorim, coordenadora do SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento) do Imazon, aponta que a derrubada de 2026 foi 76% menor do que a de 2022, quando foi registrado o recorde de desmatamento desde 2008. "Precisamos seguir nessa redução até atingirmos a meta de desmatamento zero para 2030", afirma.

O semestre também trouxe vitórias contra a degradação florestal, danos provocados por extração de madeira e queimadas, que despencou 86% entre janeiro e junho. Na avaliação do "calendário do desmatamento", que acompanha o regime de chuvas na região (de agosto de 2025 a junho de 2026), Pará, Mato Grosso e Amazonas seguem como líderes em destruição em termos de área, com perdas de 684 km², 509 km² e 378 km², respectivamente.

Manoela Athaide, pesquisadora do Programa de Monitoramento da Amazônia, destaca que, embora esses estados tenham apresentado quedas percentuais na devastação, eles ainda precisam fortalecer suas ações de fiscalização e punição devido ao grande volume de áreas florestais que abrigam. Na contramão da queda geral, onde sete estados registraram reduções de até 67% (caso do Tocantins), apenas Roraima e Maranhão tiveram aumento no desmatamento no calendário anual, com altas de 25% e 20%. Segundo a pesquisadora Raíssa Ferreira, esses estados precisam intensificar as políticas de combate ao desmatamento com urgência, tanto federais quanto estaduais. ~501 palavras.

Dani Quaresma

Editoria Especiais

Dani Quaresma cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

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