Flávio Bolsonaro chega à convenção isolado, sem alianças e com vice indefinido
No dia 25 de julho de 2026, o PL oficializa em São Paulo a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Contudo, o partido enfrenta um cenário complicado, sem um candidato a vice e sem uma coligação nacional fechada, além da resistência de legendas de centro-direita em aderir ao projeto.
A candidatura será lançada na Arena Mercado Livre Pacaembu, com presenças notáveis como a do presidente da Argentina, Javier Milei, e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos. Entretanto, essas adesões individuais não ocultam o isolamento partidário que Flávio enfrenta às vésperas do início oficial da campanha.
A federação União Progressista, composta por União Brasil e PP, optou por manter a neutralidade na disputa presidencial, enquanto o Republicanos também não firmou aliança com o PL, sinalizando que pode seguir o mesmo caminho, apesar dos esforços de Tarcísio para aproximar as duas legendas.
As negociações continuarão até 5 de agosto, data limite para convenções, e o comando da campanha busca transformar o evento deste sábado em uma demonstração de força enquanto procura um partido disposto a indicar o vice.
Flávio considerava a senadora Tereza Cristina, do PP de Mato Grosso do Sul, como a sua opção preferida para completar a chapa. No entanto, ela rejeitou a proposta e decidiu focar em sua candidatura à presidência do Senado em 2027.
Sem um acordo com outra legenda, o PL já discute a possibilidade de lançar uma chapa pura. Entre os nomes em consideração estão as deputadas federais Bia Kicis, do Distrito Federal, e Júlia Zanatta, de Santa Catarina.
Essa fragilidade foi reconhecida pelo presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, que afirmou que Flávio "não estava preparado" para assumir a candidatura quando foi escolhido por seu pai. A convenção também será marcada pela ausência de Michelle Bolsonaro, que decidiu permanecer em Brasília para cuidar de Jair Bolsonaro, após atritos com o enteado.
O quadro revela a principal dificuldade da candidatura: Flávio herdou o eleitorado e o sobrenome do ex-presidente, mas ainda não conseguiu reconstituir a coalizão partidária que sustentou Jair Bolsonaro nas eleições anteriores. Apesar disso, uma pesquisa Datafolha divulgada em 24 de julho mostra Flávio com 32% das intenções de voto no primeiro turno, contra 40% de Luiz Inácio Lula da Silva, que aparece com 48% em uma eventual segunda rodada, contra 43% de Flávio.