# Na Flip, Cármen diz que ataques à urna eletrônica são apenas um resmungo

> Durante a 24ª Flip, a ministra Cármen Lúcia classificou ataques às urnas eletrônicas como "apenas um resmungo". Ela reafirmou sua confiança no sistema eleitoral brasileiro.

*Blog Sem Juízo · Especiais · 25 de julho de 2026 · Sol Henriques*

## Na Flip, Cármen diz que ataques à urna eletrônica são &#8220;apenas um resmungo&#8221;

A ministra do STF e ex-presidente do TSE, Cármen Lúcia, fez uma declaração enfática na última sexta-feira (24) durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Ela classificou os ataques às urnas eletrônicas como "resmungo e arenga" e reafirmou sua confiança no sistema eleitoral brasileiro. "Eu sou cidadã brasileira, funcionária pública e servidora pública e, principalmente, eu voto. Fui duas vezes presidente do TSE. Tenho, portanto, a absoluta certeza da segurança, da rigidez e da transparência do processo eleitoral com a urna eletrônica", disse a ministra.

Cármen também destacou que a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro é reconhecida internacionalmente. "Nós fomos visitados pelo mundo inteiro por causa da urna eletrônica e desse modelo. Esse questionamento, que agora não tem a força que chegou a ter principalmente em 2021 e 2022, é apenas mais um resmungo, uma arenga", enfatizou.

Essas declarações surgem em resposta ao posicionamento do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que, após uma reunião com embaixadores de diversos países no dia 21, questionou a segurança das urnas eletrônicas. Durante esse encontro, Flávio citou relatórios da CIA que indicariam fraudes eleitorais na Venezuela, sugerindo que máquinas fabricadas pela Smartmatic estavam envolvidas. Contudo, a Corte Eleitoral já havia esclarecido em 2020 que essa empresa nunca forneceu urnas ou softwares utilizados nas eleições brasileiras.

Na Flip, Cármen Lúcia estava promovendo seu livro "Pela Mão do Povo - Voto e Democracia no Brasil". O evento, um dos maiores e mais tradicionais dedicados à literatura no país, também contou com a participação da ministra em palestras e sessões de autógrafos. A obra traça um panorama da evolução das formas de participação popular e escolha coletiva, iniciando desde as comunidades de caçadores-coletores até a informatização do processo eleitoral nos anos 2000.

No texto de abertura do livro, Cármen analisa todas as Constituições brasileiras, desde a de 1824, para evidenciar a presença das expressões "povo", "cidadãos" e "nação" e como a representação popular foi incorporada ao constitucionalismo brasileiro, mesmo em períodos autoritários. A obra ainda apresenta uma linha do tempo do voto, que abrange desde 10.000 a.C. até os dias atuais, além de artigos de historiadores que discutem a evolução do voto no Brasil, incluindo o movimento Diretas Já e a Constituição de 1988.

A participação de Cármen Lúcia na Flip reafirma a importância da transparência e segurança do processo eleitoral brasileiro, especialmente em tempos de desconfiança e questionamentos.

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