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Negociação coletiva não se faz no improviso: entenda

A negociação coletiva é um direito conquistado ao longo de décadas de luta. Neste artigo, entenda as implicações de propostas que ameaçam esse sistema essencial para os trabalhadores.

Dani Quaresma
Negociação coletiva não se faz no improviso: entenda

Negociação coletiva não se faz no improviso: entenda — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Negociação coletiva não se faz no improviso

A negociação coletiva é um pilar essencial para a proteção dos direitos dos trabalhadores. Ao longo de mais de 30 anos de vivência no sindicalismo brasileiro, compreendi que nenhum direito trabalhista surge por acaso. Todo benefício, como aumento salarial e melhores condições de trabalho, é fruto de negociação e diálogo.

A preocupação com o Projeto de Lei nº 3.673/2026

Recentemente, uma proposta apresentada na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei nº 3.673/2026, levantou preocupações. Sob a justificativa de proteger o trabalhador contra descontos sindicais sem autorização, a proposta, em uma análise mais profunda, visa enfraquecer o sistema de negociação coletiva. Isso pode tornar ineficazes as decisões tomadas em assembleias, esvaziando acordos coletivos reconhecidos pela Constituição.

O verdadeiro processo de negociação

Negociar não é simplesmente sentar e conversar. Por trás de cada convenção coletiva, há uma estrutura complexa que inclui advogados, economistas e estudos de impacto. Essas entidades não representam milhares de trabalhadores apenas com boa vontade, mas com preparo e dedicação.

O papel do sindicato

Muitos acreditam que o empregado pode negociar diretamente com o patrão, mas a realidade mostra que a relação é desigual. O sindicato existe para equilibrar essa balança, permitindo que o trabalhador negocie coletivamente. A Convenção nº 98 da OIT, ratificada pelo Brasil, reconhece a negociação coletiva como um direito fundamental.

Benefícios para todos

Os ganhos conquistados por meio do sindicato não beneficiam apenas os associados. Aumentos salariais, pisos e cláusulas sociais alcançam toda a categoria. No entanto, a proposta em discussão pode impedir que a categoria decida como custear essas conquistas, criando um cenário em que poucos sustentam o sistema. Isso é conhecido como "free rider".

A importância da força sindical

Defender entidades sindicais estruturadas não é um pleito por privilégios, mas sim pela manutenção do direito à negociação coletiva. Após mais de três décadas acompanhando campanhas salariais, posso afirmar: o trabalhador nunca perdeu direitos por causa de um sindicato forte. Quando perdeu, foi porque estava sozinho. Não podemos permitir que isso aconteça novamente.

Dani Quaresma

Editoria Especiais

Dani Quaresma cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

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