Especiais

Pequim reage a cerco ao comércio eletrônico e ameaça retaliar UE

A tensão entre Pequim e a União Europeia cresce após a imposição de uma multa ao AliExpress. A China critica as barreiras comerciais e ameaça retaliações, destacando o impacto das novas leis francesas sobre o comércio eletrônico.

Tomás Wenzel
Pequim reage a cerco ao comércio eletrônico e ameaça retaliar UE

Pequim reage a cerco ao comércio eletrônico e ameaça retaliar UE — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Pequim reage a cerco ao comércio eletrônico e ameaça retaliar UE

A China expressou seu descontentamento em relação à União Europeia, especialmente após a recente imposição de uma multa significativa ao AliExpress, que totaliza 550 milhões de euros (aproximadamente US$ 628 milhões). Essa medida, junto a novas legislações, acirra ainda mais as tensões comerciais entre a China e o continente europeu.

Pequim acusou a UE e a França de estabelecerem barreiras comerciais discriminatórias, levando a um alerta sobre o risco de retaliações. O Ministério do Comércio da China declarou, em 22 de julho de 2026, que está "fortemente insatisfeito" com a decisão da Comissão Europeia e exigiu que os reguladores europeus cessem o que consideram abuso de poder.

Multa ao AliExpress e a Lei de Serviços Digitais

Em 20 de julho de 2026, a Comissão Europeia justificou a multa imposta ao AliExpress com base na Lei de Serviços Digitais. De acordo com a Comissão, a plataforma falhou em realizar avaliações adequadas e limitar os riscos associados a mercadorias consideradas ilegais, inseguras ou falsificadas. O AliExpress, por sua vez, contestou a decisão, afirmando que a deliberação desconsiderou sua estrutura de conformidade atual e as melhorias implementadas recentemente.

Legislação Francesa e o Impacto no Comércio

Além da multa ao AliExpress, Pequim também criticou a nova legislação francesa, aprovada em 29 de junho, que visa restringir a expansão da ultra-fast fashion. Essa nova lei prevê sanções, incluindo penalidades de até 10 euros por peça de roupa produzida em massa até 2030, além da proibição de publicidade para marcas de fast fashion, incluindo campanhas realizadas por influenciadores digitais. O Ministério do Comércio chinês afirmou que está monitorando de perto a implementação dessa lei e que tomará medidas se os interesses de suas empresas forem afetados.

Crescente Scrutínio às Plataformas Digitais Chinesas

As plataformas de varejo digital da China estão enfrentando um escrutínio crescente no mercado europeu, resultado das recentes mudanças regulatórias. A partir de 1º de julho, a União Europeia encerrou a isenção de impostos para encomendas de até 150 euros, dificultando a entrada de grandes volumes de mercadorias de baixo custo. Além disso, em maio, a UE multou a Temu, uma plataforma pertencente à PDD Holdings, em 200 milhões de euros por não avaliar adequadamente os riscos de produtos que não atendem aos padrões do bloco. Em junho, a Shein também foi sancionada pelos reguladores franceses, que aplicaram uma multa de cerca de 22 milhões de euros devido a infrações relacionadas a devoluções, informações de produtos e confirmação de pedidos.

A situação atual entre Pequim e a União Europeia é complexa e reflete um contexto histórico de tensões comerciais que se intensificam com novas legislações e penalidades. A resposta da China poderá ter consequências significativas para o comércio eletrônico global, especialmente em um momento em que as relações internacionais estão sendo constantemente desafiadas por questões comerciais e regulatórias.

Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 23 de julho de 2026 e traduzida e republicada pelo Poder360 sob um acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.

Tomás Wenzel

Editoria Especiais

Tomás Wenzel cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

Leia também · Especiais