O Partido Liberal (PL) oficializou neste sábado (25.jul.2026) a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (RJ) para a Presidência da República. A convenção nacional ocorreu no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo, às 10h. Neste cenário, Flávio Bolsonaro assume a candidatura sem um vice definido, enquanto o grupo político bolsonarista se reorganiza para as eleições de 2026.
Na última terça-feira (21.jul), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Jair Bolsonaro indicará o nome do vice na chapa de Flávio. Mesmo com Bolsonaro cumprindo pena de 27 anos e 3 meses em prisão domiciliar e uma proibição de contato com Flávio por 90 dias, o presidente do PL afirmou que ele é a melhor opção para escolher o vice.
"Quem vai decidir o vice vai ser o Bolsonaro. Ele tem uma sensibilidade muito grande para isso. Depois da indicação do Tarcísio [de Freitas] em São Paulo, eu passei a respeitar as opiniões e as intenções do Bolsonaro", declarou Valdemar.
Valdemar também mencionou que há um "clima" para que Michelle Bolsonaro compõe a chapa com Flávio, apesar do rompimento anterior entre eles. Contudo, a ideia inicial era que Michelle concorresse ao Senado pelo Distrito Federal nas eleições de outubro.
Poucos dias antes do evento, Flávio fez um apelo público de desculpas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em um vídeo publicado nas redes sociais na quinta-feira (23.jul), ele lamentou o desentendimento com a madrasta. "O momento é difícil para todo mundo. Ninguém é perfeito. Eu não sou perfeito e, mais uma vez, peço desculpas por alguns momentos juntos que causaram desconforto", declarou.
Em resposta, Michelle publicou um vídeo agradecendo a sinceridade de Flávio e aceitando o pedido de desculpas. "Todos nós cometemos erros, isso é humano. Nosso propósito pelo bem do povo sempre foi maior do que desentendimentos. Por isso, aceito o seu pedido", disse Michelle. Ela também destacou a necessidade de se reunir com Flávio para "reunir um grande exército de pessoas de bem para resgatar o nosso Brasil e para honrar Jair Bolsonaro".
A reaproximação entre Flávio e Michelle foi articulada por figuras como a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), Valdemar Costa Neto e o coordenador-geral da pré-campanha, Rogério Marinho (PL-RN). Aliados de Michelle afirmaram que ela só se engajaria na campanha após um pedido público de desculpas, o que gerou dúvidas sobre sua presença na convenção.
Com as pazes feitas, a expectativa era alta em relação à participação de Michelle no evento. No entanto, ela optou por enviar um vídeo que seria exibido no telão da convenção, o que não atendia às expectativas de alguns líderes do PL, que defendiam sua presença física como sinal de unidade. Apesar disso, integrantes do partido acreditam que o vídeo pode indicar seu apoio à candidatura presidencial.
Michelle deve participar da campanha de Flávio em eventos pelo país, concentrando-se na mobilização do eleitorado feminino e conservador. A campanha começa em meio a uma investigação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que apura suspeitas de repasses financeiros relacionados ao documentário "Dark Horse", que aborda a vida de Jair Bolsonaro. Flávio nega irregularidades e afirma que a arrecadação foi feita de forma lícita.
Além da investigação, o candidato enfrenta desafios apontados por pesquisas de opinião. Um levantamento do PoderData indica um empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um possível segundo turno, mas revela um desempenho inferior entre eleitores femininos em comparação aos masculinos, o que é visto como um obstáculo para aumentar a competitividade da candidatura.
Outro tema relevante na campanha é o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Integrantes do PT começaram a associar Flávio à questão, utilizando a expressão "TariFlávio" para desgastar sua imagem durante a disputa. Essa estratégia surgiu após aliados do senador defenderem uma aproximação com o governo norte-americano, algo que os opositores exploraram. Em resposta, Flávio visitou os Estados Unidos, criticou publicamente o tarifaço de Donald Trump e pediu sua suspensão, mas sem sucesso.