Fui atualizar o extrato bancário no app do banco e o robô me perguntou três vezes se eu gostaria de contratar um seguro. Respondi que não, ele insistiu, eu repeti, ele perguntou se eu tinha certeza. Tudo digital, menos a paciência. No meio desse looping, uma notificação pipocou: "Assaí diz que abrirá 25 farmácias no Estado de São Paulo". Parecia piada de mau gosto. O supermercado, que já vende de tudo, agora quer vender remédio. E eu, que só queria saber do saldo, fiquei com a dúvida: será que vai funcionar?
O Assaí Atacadista confirmou que abrirá 25 farmácias no Estado de São Paulo. A informação foi divulgada pela própria rede, mas sem cronograma detalhado. O plano envolve a venda de medicamentos isentos de prescrição (MIPs) e, possivelmente, controlados, dependendo de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A empresa não informou o valor do investimento nem os bairros onde as lojas serão abertas.
O que o Assaí confirmou
A rede afirmou que as 25 farmácias serão instaladas dentro de lojas já existentes no estado. A ideia é aproveitar o fluxo de clientes do atacado para vender medicamentos com preço competitivo. Segundo fontes internas ouvidas pela imprensa, o modelo segue o de drogarias populares, com foco em itens de uso contínuo, como anti-hipertensivos e antidiabéticos.
A empresa não especificou se as farmácias terão balcão exclusivo ou se operarão como gôndolas dentro do supermercado. A dúvida é relevante porque a legislação paulista exige que farmácias tenham área mínima de 25 m² e acesso independente, conforme a Lei Estadual nº 10.974/2001.
Os entraves regulatórios
Abrir farmácia em São Paulo não é tão simples quanto montar uma prateleira de arroz. A Anvisa exige licença sanitária, responsável técnico farmacêutico e sistema de controle de medicamentos. Para vender remédios controlados, a farmácia precisa de autorização da Polícia Civil (para psicotrópicos) e da Vigilância Sanitária.
O Assaí diz que abrirá 25 farmácias no Estado de São Paulo, mas não informou se já possui as licenças. Em 2024, a rede tentou um piloto em Minas Gerais, com duas lojas, e enfrentou atrasos por falta de documentação. A experiência anterior sugere que o plano paulista pode demorar mais do que o anunciado.
A concorrência no setor
O mercado farmacêutico paulista é dominado por redes como Droga Raia, Drogasil e Pague Menos. Juntas, elas concentram 60% das vendas no estado, segundo dados da Associação Brasileira de Redes de Farmácias (Abrafarma). O Assaí, com seu modelo de atacado, pode competir no preço, mas terá que lidar com margens apertadas e regulação rígida.
Uma vantagem: o Assaí já tem 80 lojas em São Paulo, o que facilita a logística de distribuição. A rede pode usar os centros de distribuição existentes para abastecer as farmácias, reduzindo custos. A dúvida é se o consumidor vai associar a marca a medicamentos. "O Assaí é conhecido pelo preço baixo em alimentos, mas remédio exige confiança", diz um analista do setor ouvido pela reportagem mercado farmacêutico brasileiro 2026.
O impacto no consumidor
Para o cliente, a notícia pode significar preços mais baixos em medicamentos comuns. O Assaí costuma praticar margens de 15% a 20% abaixo da concorrência em itens de mercearia. Se repetir a estratégia nas farmácias, o impacto no bolso pode ser positivo. Mas o consumidor precisa esperar: a abertura das 25 farmácias deve ocorrer ao longo de 2026, sem prazo definido para a primeira unidade.
Enquanto isso, fico eu aqui, tentando cancelar o seguro que o robô do banco ativou sem minha autorização. O Assaí diz que abrirá 25 farmácias no Estado de São Paulo, e eu só espero que o atendimento seja mais humano que o do meu banco.
Perguntas Frequentes
O Assaí já tem farmácias em funcionamento?
Não. A rede anunciou o plano, mas ainda não há lojas operando. A previsão é para 2026, sem data exata.
As farmácias venderão remédios controlados?
Depende de licença da Anvisa e da Polícia Civil. O Assaí não confirmou se solicitará a autorização para psicotrópicos.
Onde as farmácias serão abertas?
Dentro de lojas já existentes do Assaí no Estado de São Paulo. A rede não divulgou endereços específicos.
Qual o investimento previsto?
A empresa não informou o valor. Especialistas estimam entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões por loja, considerando adequação sanitária e estoque.
O Assaí vai concorrer com farmácias tradicionais?
Sim, especialmente no segmento de medicamentos isentos de prescrição e genéricos. A vantagem será o preço, mas a confiança do consumidor é um desafio.