Muita gente repete que o aço verde é o futuro da construção civil, mas que o hidrogênio seria o combustível ideal para produzi-lo. Será que isso é verdade? A AVB, siderúrgica de peso no Brasil, diz que não. A empresa vê o aço verde avançando de forma concreta no setor e descarta, pelo menos por enquanto, o uso de hidrogênio como alternativa viável. A fonte disso é a própria posição oficial da companhia, divulgada em comunicado recente ao mercado. O veredito é: sim, o aço verde já é uma realidade na construção civil brasileira, mas o hidrogênio ainda não é carta no baralho da AVB.
Segundo a AVB, o aço verde, produzido com redução de emissões de CO₂, já é uma alternativa competitiva para a construção civil, especialmente em projetos que exigem certificações ambientais. A empresa afirma que o material apresenta resistência equivalente ao aço convencional, com a vantagem de reduzir a pegada de carbono em até 60%. Dados do Instituto Aço Brasil indicam que a produção de aço com baixa emissão no país cresceu 15% em 2025, puxada por demandas do setor de edificações comerciais e residenciais de alto padrão.
A AVB descarta o uso de hidrogênio como insumo energético na produção de aço verde por dois motivos principais: custo e infraestrutura. O hidrogênio verde, produzido por eletrólise com fontes renováveis, ainda custa cerca de US$ 5 a US$ 7 por quilo, enquanto o hidrogênio cinza (derivado de gás natural) sai por US$ 1,5 a US$ 2. Para a siderurgia, que consome energia em escala industrial, essa diferença inviabiliza a adoção em larga escala no curto prazo. A Associação Brasileira de Energia Solar (ABSOLAR) aponta que a capacidade instalada de eletrólise para hidrogênio verde no Brasil é de apenas 20 MW, insuficiente para abastecer uma usina siderúrgica de médio porte.
O que é aço verde e como ele é produzido?
O aço verde é aquele fabricado com processos que reduzem significativamente as emissões de gases de efeito estufa. No Brasil, a principal rota é o uso de carvão vegetal de florestas plantadas, que absorve CO₂ durante o crescimento. A AVB, por exemplo, utiliza 100% de carvão vegetal de reflorestamento em suas usinas, o que reduz as emissões em até 60% em comparação com o coque mineral. Outra rota emergente é o uso de gás natural no lugar do coque, mas a empresa considera essa opção menos sustentável a longo prazo.
Por que o hidrogênio foi descartado?
O discurso de que o hidrogênio verde é a solução para a siderurgia sustentável é repetido em fóruns internacionais, mas a AVB prefere o pé no chão. A empresa argumenta que, para substituir o carvão vegetal, o hidrogênio precisaria ser produzido em larga escala e a um custo competitivo, algo que ainda não acontece. A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que o hidrogênio verde só atingirá paridade de custo com o hidrogênio cinza por volta de 2035, e mesmo assim em regiões com abundância de energia solar e eólica. Enquanto isso, a AVB aposta em tecnologias de captura de carbono e eficiência energética.
O impacto na construção civil
O aço verde já está mudando a construção civil brasileira. Incorporadoras como Cyrela e MRV passaram a exigir aço com certificação de baixa emissão em seus projetos, principalmente para obter selos como o LEED e o AQUA. A AVB afirma que a demanda por aço verde cresceu 30% em 2025, com destaque para obras de shopping centers, hospitais e edifícios corporativos. O custo adicional, segundo a empresa, gira em torno de 5% a 10% em relação ao aço convencional, mas é compensado por ganhos em eficiência energética e marketing verde.
Desafios e perspectivas
Apesar do avanço, o aço verde ainda enfrenta barreiras. O principal gargalo é a escala de produção: a capacidade instalada de aço verde no Brasil representa cerca de 15% da produção total de aço, segundo o Instituto Aço Brasil. Além disso, a logística de distribuição do carvão vegetal e a dependência de florestas plantadas limitam a expansão para novas regiões. A AVB, no entanto, projeta investir R$ 2 bilhões nos próximos cinco anos para ampliar a produção de aço verde e reduzir ainda mais as emissões.
aço verde na construção civil: vantagens e desvantagens
O papel do hidrogênio no futuro
Embora a AVB descarte o hidrogênio agora, a empresa não fecha a porta para o futuro. Em comunicado, a siderúrgica afirma que monitora o desenvolvimento de tecnologias de hidrogênio e pode reconsiderar a decisão quando os custos caírem e a infraestrutura estiver disponível. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projeta que o Brasil pode produzir hidrogênio verde a US$ 2,5 por quilo até 2030, o que tornaria a tecnologia viável para a siderurgia. Até lá, a aposta é no aço verde com carvão vegetal.
Perguntas Frequentes
A AVB é a única siderúrgica que aposta no aço verde?
Não. Outras siderúrgicas brasileiras, como a Gerdau e a Usiminas, também têm linhas de aço verde, mas a AVB se destaca pelo uso exclusivo de carvão vegetal de reflorestamento.
O aço verde é mais caro que o aço comum?
Sim, o custo é de 5% a 10% superior, mas a diferença vem caindo à medida que a produção escala e as certificações ambientais se tornam mais comuns.
O hidrogênio verde pode substituir o carvão vegetal no futuro?
Sim, é possível, mas a AVB acredita que isso só ocorrerá após 2035, quando os custos de produção de hidrogênio verde estiverem mais baixos e a infraestrutura de eletrólise estiver consolidada.
Quais são as principais aplicações do aço verde na construção civil?
O aço verde é usado em estruturas metálicas de edifícios, pontes, galpões industriais e obras de infraestrutura que exigem certificação ambiental.
Como saber se o aço que estou comprando é realmente verde?
O aço verde deve ter certificação de baixa emissão de CO₂, emitida por entidades como o Instituto Aço Brasil ou o Global Green Steel Standard. A AVB oferece relatórios de sustentabilidade auditados para cada lote.