Brasil faz implante inédito de válvula no coração sem cirurgia aberta
O Brasil realizou um implante inédito de válvula no coração sem cirurgia aberta, substituindo uma prótese antiga por cateter. O procedimento foi feito no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e marca um avanço na cardiologia minimamente invasiva. A técnica, chamada valve-in-valve, permite trocar válvulas cardíacas sem abrir o tórax, reduzindo riscos e tempo de recuperação. Segundo dados do Datasus, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no país, com cerca de 400 mil óbitos por ano.
O paciente, um homem de 72 anos, já havia passado por cirurgia de troca valvar há 12 anos. A nova prótese foi implantada por via percutânea, através de um cateter inserido pela virilha. A equipe médica, liderada pelo Dr. José Augusto Marcondes, utilizou um dispositivo da Edwards Lifesciences, aprovado pela Anvisa. O procedimento durou cerca de 2 horas, e o paciente recebeu alta em 48 horas.
Como funciona a técnica valve-in-valve
A técnica valve-in-valve consiste em implantar uma nova válvula dentro da prótese antiga, sem removê-la. Isso é possível porque a prótese original serve como moldura para a nova válvula, que é expandida por um balão no cateter. O procedimento é indicado para pacientes com alto risco cirúrgico, como idosos ou com comorbidades.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a técnica tem taxa de sucesso acima de 95% em estudos internacionais. No Brasil, o primeiro caso foi realizado em 2015, mas com próteses biológicas. O ineditismo deste caso está na substituição de uma prótese mecânica, que exige anticoagulação contínua.
Por que isso é um marco?
Doenças cardíacas são a principal causa de morte no mundo, com 18 milhões de óbitos por ano (OMS, 2021). No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) realiza cerca de 30 mil cirurgias cardíacas por ano, segundo o Datasus. A técnica valve-in-valve pode reduzir a fila de espera, já que o procedimento é menos invasivo e exige menos tempo de internação.
O Dr. José Augusto Marcondes, coordenador do procedimento, afirmou em entrevista: "Essa técnica representa um avanço significativo para pacientes que não têm condições de passar por uma nova cirurgia aberta". O Hospital Sírio-Libanês, onde o procedimento foi realizado, é referência em cardiologia no país.
Riscos e contraindicações
A técnica não é indicada para todos os pacientes. Segundo a Anvisa, o dispositivo é contraindicado para pessoas com alergia a materiais do cateter ou com infecção ativa. Os riscos incluem embolia, sangramento no local da punção e arritmias. A taxa de complicações graves é de cerca de 2%, de acordo com a SBC.
O papel da Anvisa na aprovação
A Anvisa aprovou o dispositivo da Edwards Lifesciences em 2025, após estudos clínicos com 200 pacientes brasileiros. A agência exige que o hospital tenha experiência em procedimentos percutâneos e equipe multidisciplinar disponível.
Próximos passos da técnica no Brasil
O SUS ainda não incorporou a técnica valve-in-valve para próteses mecânicas. Segundo o Ministério da Saúde, a tecnologia está em avaliação para inclusão no protocolo de cardiologia. A estimativa é que o custo do procedimento seja 40% menor que uma cirurgia aberta, considerando internação e material.
O Hospital Sírio-Libanês planeja treinar equipes de outros estados para difundir a técnica. Até o momento, 3 hospitais no Brasil já solicitaram autorização para realizar o procedimento.
Perguntas Frequentes
O que é a técnica valve-in-valve?
É um procedimento minimamente invasivo que substitui uma válvula cardíaca antiga por uma nova, sem cirurgia aberta, usando um cateter.
Quem pode fazer esse implante?
Pacientes com prótese valvar antiga e alto risco cirúrgico, como idosos ou pessoas com comorbidades.
O procedimento é coberto pelo SUS?
Ainda não. O Ministério da Saúde avalia a incorporação ao protocolo de cardiologia.
Quais os riscos do implante por cateter?
Os principais riscos são embolia, sangramento no local da punção e arritmias, com taxa de complicações graves de cerca de 2%.
Onde foi realizado o primeiro implante no Brasil?
No Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em 2026.
Qual a diferença para a cirurgia aberta?
A cirurgia aberta exige cortes no tórax e circulação extracorpórea, com internação de 7 a 10 dias. O implante por cateter dura 2 horas e a alta é em 48 horas.